Seita religiosa que teria escravizado fiéis está se expandido para o Tocantins, afirma PF

Agnaldo Araujo - |
Foto: Vagner Rosário/Veja
A seita estaria se expandindo para o Tocantins

A Polícia Federal afirmou que uma seita religiosa que teria escravizado fiéis em Minas Gerais, Bahia e São Paulo estaria se expandindo para o Tocantins. Uma operação foi deflagrada nesta terça-feira (06) para combater a prática.

Ao todo, 22 líderes da seita Jesus, a Verdade que Marca, foram presos e eles poderão cumprir até 42 anos de prisão, se condenados.

A Operação “Canaã – A Colheita Final” foi iniciada para dar base à investigação que apura crimes de redução de pessoas à condição análoga à de escravo, de tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Esses crimes teriam sido praticados pelos líderes da seita religiosa que atuavam em municípios dos três Estados.

A investigação aponta que dirigentes da seita teriam aliciado pessoas em igrejas em São Paulo, capital, e as convencido a doarem todos os seus bens para as associações controladas pela organização criminosa. Para tanto, teriam se utilizado de astúcias e doutrina psicológica, sob o argumento de convivência em comunidades, onde todos os bens móveis e imóveis seriam compartilhados.

Depois de devidamente doutrinados, os fiéis teriam sido levados para zonas rurais e urbanas em Minas Gerais (Contagem, Betim, Andrelândia, Minduri, Madre de Deus, São Vicente de Minas, Pouso Alegre e Poços de Caldas); na Bahia (Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra) e em São Paulo (capital).

Nesses municípios eles teriam sido submetidos a extensas jornadas de trabalho, sem nenhuma remuneração. Conforme a PF, os fiéis trabalharam em lavouras e em estabelecimentos comerciais dos mais variados tipos, como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias, confecções, etc.

Por meio da apropriação do patrimônio dos fiéis e do desempenho de atividades comerciais sem o pagamento da mão de obra, a seita teria acumulado vultoso patrimônio, contando com casas, fazendas e veículos de luxo.

INÍCIO

A investigação teve início em 2011, quando a seita estava migrando de São Paulo para Minas Gerais. Em 2013, foi deflagrada a “Operação Canaã”, com inspeções em propriedades rurais e em algumas empresas urbanas.

Em 2015, foi desencadeada a segunda fase: “De volta para Canaã”, quando foram presos temporariamente cinco dos líderes da seita. O nome da operação é uma referência bíblica à terra prometida.

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