Senado Federal

Renovação mascarada no Senado: dos 46 eleitos, apenas 20 são realmente 'novos'

Essa renovação, na verdade não representa respetivamente ‘caras novas’ no Senado.

Por Nielcem Fernandes 612
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08/10/2018 12h14 - Atualizado há 7 meses
Plenário do Senado Federal

O resultado das eleições para o Senado Federal deste domingo (7) surpreendeu pelo maior índice de renovação desde a redemocratização do país em 1988. Ou seja, de cada quatro Senadores que tentaram a reeleição, três foram barrados nas urnas.

Das 54 cadeiras em disputa em 2018, 46 serão ocupadas por senadores eleitos que ficarão no cargo ate 2026, uma renovação de 85%, a maior da história recente do Senado Federal quando o assunto é reeleição.

No Tocantins, os dois senadores que tentaram se reeleger fracassaram: Vicentinho Alves (PR) e Ataídes Oliveira (PSDB) perderam as respectivas vagas para Eduardo Gomes (SD) e Irajá Abreu (PSD), este último, eleito o senador mais jovem da história do Brasil, aos 35 anos, idade mínima prevista pela Constituição para exercer o cargo.

Renovação?

Essa renovação, na verdade não representa respetivamente ‘caras novas’ no Senado Federal. Dos 46 eleitos, quatro já passaram por lá. É o caso de Esperidião Amin (PP-SC), senador entre 1991 e 1999; Flávio Arns (Rede-PR), que cumpriu um mandato entre 2003 e 2011; Jarbas Vasconcelos (MDB-PE) e Jayme Campos (DEM-MT), senadores entre 2007 e 2015.

Outros 22 senadores eleitos para o primeiro mandato são velhos conhecidos do congresso nacional que migraram da Câmara para o Senado. Entre eles estão Jaques Wagner (PT- BA), Major Olímpio (PSL-SP) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB).

Caras Novas

A verdadeira renovação é fundamentada em 20 nomes que nunca tiveram passagem pelo legislativo federal. Dentre os 20 novos Senadores, nove foram eleitos para um mandato pela primeira vez como é o caso, por exemplo, de Leila do Vôlei (PSB-DF), da juíza Selma Arruda (PSL-MT) e do jornalista Carlos Viana (PHS-MG).

O Espírito Santo foi o único estado da Federação que elegeu dois outsiders políticos: Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (PPS). Contarato é delegado da Polícia Civil desde 1992. Marcos do Val, por sua vez, foi instrutor da SWAT - unidade especializada da política norte-americana.

Velhos Conhecidos

Dos 46 eleitos, 13 já ocuparam cargos públicos fora do Congresso Nacional como é o caso do veterano Cid Gomes (PDT-CE), irmão do presidenciável derrotado Ciro Gomes (PDT). Ele governou o Ceará de 2006 a 2010, foi prefeito de Sobral de 1996 a 2000, deputado estadual de 1990 a 1994 e ministro da Educação em 2013.

Além dos 22 senadores que preferiram não buscar a reeleição e dos 24 que não a conseguiram, a renovação do Senado se completa com dois que estão na metade do mandato e conquistaram a eleição para os governos dos seus estados já no primeiro turno — casos de Gladson Cameli (PP-AC) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Eles deixarão a vaga para seus suplentes.

Com isso, já estão confirmadas 48 trocas de guarda no Plenário a partir de 2019.

O número ainda pode crescer para 50. Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Fátima Bezerra (PT-RN), também no curso do mandato, seguiram para o segundo turno nos seus estados e ainda podem deixar o Senado em caso de vitória.

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