Estadão mostra em reportagem que "após 25 anos, Tocantins se divide entre safra recorde e miséria da população"

Por Redação AF
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29/04/2013 09h53 - Atualizado há 1 mês
<div style="text-align: justify;"> <span style="font-size:14px;"><u><strong>Da Reda&ccedil;&atilde;o</strong></u><br /> <br /> Uma reportagem do jornal O</span><span style="font-size: 14px;">&nbsp;Estado de S.Paulo mostram os extremos vividos pela popula&ccedil;&atilde;o tocantinense nos seus 25 anos de exist&ecirc;ncia.&nbsp;</span><br /> <br /> <span style="font-size: 14px;">&Eacute; tempo de silos cheios no Tocantins. A safra recorde de soja, por&eacute;m, s&oacute; traz para dentro das casas de palha a poeira do tr&aacute;fego intenso de carretas duplas, tratores suecos e caminhonetes de luxo nas estradas de terra que cortam o horizonte que parece colar no c&eacute;u de azul intenso.</span></div> <div style="text-align: justify;"> <br /> <span style="font-size:14px;"><u><strong>Desigualdades</strong></u><br /> <br /> Segundo a mat&eacute;ria, um quarto de s&eacute;culo depois de sua cria&ccedil;&atilde;o, o Estado mais novo do Pa&iacute;s acumula profundas desigualdades econ&ocirc;micas. A fome e a anemia de crian&ccedil;as e adultos contrastam com a pot&ecirc;ncia das colheitadeiras de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o dos parceiros das gigantes Algar, Bunge e Cargill. A mortalidade infantil aumenta no ritmo da expans&atilde;o da &aacute;rea agr&iacute;cola na plan&iacute;cie avermelhada.<br /> <br /> O Estado foi criado na Constituinte de 1988 por esfor&ccedil;o pessoal do deputado federal Jos&eacute; Wilson Siqueira Campos, um ex-mascate e seringueiro que migrou do sert&atilde;o cearense para o Norte de Goi&aacute;s e, ainda no tempo da Arena, na ditadura militar, iniciou uma campanha com greves de fome para desmembrar a regi&atilde;o.<br /> <br /> <u><strong>Transfer&ecirc;ncia da riqueza</strong></u><br /> <br /> De acordo com a reportagem, o Tocantins n&atilde;o conseguiu transferir para a popula&ccedil;&atilde;o parte da riqueza dos gr&atilde;os que avan&ccedil;am sem percal&ccedil;os o cerrado e chapadas. Nas cidades do Estado, o porcentual de pessoas na pobreza e na indig&ecirc;ncia ultrapassa 60%. Inspirado na ideia do projeto de Bras&iacute;lia, Tocantins s&oacute; pode ser comparada com o Distrito Federal na gastan&ccedil;a de dinheiro p&uacute;blico. N&atilde;o acompanhou o avan&ccedil;o dos &iacute;ndices sociais do restante do Brasil, vive uma realidade semelhante &agrave; do vizinho Maranh&atilde;o e cumpriu apenas o objetivo de sua instala&ccedil;&atilde;o: servir de feudo para um grupo que gira em torno de Siqueira.<br /> <br /> Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram um crescimento &quot;chin&ecirc;s&quot; na produ&ccedil;&atilde;o tocantinense da oleaginosa exportada em sua maior parte para o gigante asi&aacute;tico: a safra 2012/2013 ter&aacute; um aumento de 21,2% na colheita, atingindo 1,68 milh&atilde;o de toneladas.<br /> <br /> <u><strong>O outro extremo</strong></u><br /> <br /> O casal Raimunda Batista, 38 anos, e Pedro Gomes, 40, sai todas as manh&atilde;s para capinar nas fazendas ainda n&atilde;o tomadas pelas &quot;moscas gigantes de a&ccedil;o&quot; - as modernas colheitadeiras - que reviram a terra, plantam e colhem sem precisar de enxadas. No hor&aacute;rio do almo&ccedil;o, Raimunda volta para ver os oito filhos que passam o dia nas redes encardidas da casa de palha, sem energia el&eacute;trica e &aacute;gua encanada. Ela e o marido criam os filhos com R$ 150 do trabalho mensal na lavoura e R$ 250 do programa de transfer&ecirc;ncia de renda Bolsa Fam&iacute;lia.<br /> <br /> &quot;Tenho f&eacute; em Deus que ven&ccedil;o essa batalha&quot;, diz Raimunda, enquanto as crian&ccedil;as comem arroz com um caldo de carne em potes de margarina. A fam&iacute;lia mora em Palmeirante, um dos 79 munic&iacute;pios criados no Tocantins desde que o antigo Norte de Goi&aacute;s foi desmembrado na Constituinte de 1988. O centro do munic&iacute;pio, formado por casas de barro e palha, fica entre uma &aacute;rea de eucaliptos e um campo de soja.<br /> <br /> <u><strong>Repasses de verbas federais</strong></u><br /> <br /> Tocantins n&atilde;o pode se queixar de repasses de verbas federais nem de controle dos &oacute;rg&atilde;os de Bras&iacute;lia na aplica&ccedil;&atilde;o do dinheiro. O Estado foi o quinto que mais recebeu recursos no ano passado. Os fundos de participa&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios e dos Estados garantiram R$ 3.400 por habitante. &Eacute; o dobro do valor recebido por Estados do Norte e Nordeste, como Par&aacute; e Pernambuco, que receberam R$ 1.500 cada. Na Constituinte de 1988, uma manobra pol&iacute;tica incluiu Tocantins na regi&atilde;o Norte, o que garantiu ao Estado privil&eacute;gio na distribui&ccedil;&atilde;o de dinheiro da Uni&atilde;o. Mas n&atilde;o passa de 15.&ordm; no ranking nacional de qualidade de vida.<br /> <br /> <u><strong>Compara&ccedil;&atilde;o com outros estados</strong></u><br /> <br /> Neste ano, Tocantins, com um milh&atilde;o e trezentos mil habitantes, recebeu R$ 241 milh&otilde;es dos fundos de Participa&ccedil;&atilde;o dos Estados e Munic&iacute;pios. Piau&iacute;, com dois milh&otilde;es a mais de moradores, recebeu R$ 229 milh&otilde;es. Em Barra do Ouro, outro munic&iacute;pio criado ap&oacute;s o desmembramento, a agricultora e comerciante Eriane Ribeiro de Oliveira, 56 anos, afirma que o dinheiro federal fica no ralo da burocracia e da corrup&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> &quot;O governo manda dinheiro demais, mas n&atilde;o chega para quem precisa&quot;, diz. &quot;Um dia apareceu um deputado aqui, disse que ia mandar um trator para ajudar nas planta&ccedil;&otilde;es das pessoas necessitadas. Eu falei para ele: &#39;N&atilde;o precisa mandar, porque a m&aacute;quina vai direto para a fazenda de quem n&atilde;o carece da ajuda&#39;.&quot;<br /> <br /> <u><strong>Norte do Estado</strong></u><br /> <br /> Em Palmeirante, o lavrador Santana Fonseca Chaves, 41 anos e apar&ecirc;ncia de uma pessoa de mais idade, diz que o dinheiro do Bolsa Fam&iacute;lia recebido pela mulher Maria Jos&eacute;, 38, n&atilde;o &eacute; suficiente para manter os oito filhos na escola. &quot;Antes (da cria&ccedil;&atilde;o do Tocantins) era tudo do jeito que est&aacute; agora&quot;, afirma. &quot;&Agrave;s vezes aparece uma novidade, mas continua a mesma coisa&quot;, ressalta. Dois de seus filhos sofrem problemas mentais.</span></div>
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