Corrupção

Ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda é preso em operação da Polícia Federal em Brasília

Ele foi preso no apartamento funcional de sua esposa, a deputada federal Dulce Miranda (MDB).

Por Nielcem Fernandes 2.271
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26/09/2019 07h39 - Atualizado há 1 ano
Também são alvos da operação o pai e o irmão do ex-governador

O ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda (MDB) foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (26) em Brasília no apartamento funcional de sua esposa, a deputada federal Dulce Miranda (MDB). A prisão foi autorizada pelo juiz federal João Paulo Abe, da 4ª Vara Federal da capital. 

Entre outros crimes, o ex-governador é suspeito de lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações da PF, ele faz parte de uma organização criminosa suspeita de prática de corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, recebimento de vantagens indevidas e falsificação de documentos.

A PF está cumprindo mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao ex-governador em Palmas e outros municípios do estado.  Segundo o apurado, os outros dois mandados de prisão são para o irmão de Marcelo Miranda e seu pai, o ex-secretário de estado Brito Miranda.

O ex-governador eleito por três mandados é alvo de várias operações da Polícia Civil e da Polícia Federal.

A OPERAÇÃO 

O operação que resultou na prisão do ex-governador Marcelo Miranda foi denominada de ‘12º Trabalho’. O objetivo, segundo a PF, é desarticular organização criminosa suspeita de manter um sofisticado esquema para a prática constante e reiterada de atos de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais, sempre com o objetivo de acumular riquezas em detrimento dos cofres públicos.

A ação desta quinta-feira é resultado de um trabalho conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

Aproximadamente 70 policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão preventiva em Palmas (TO), Tocantínia (TO), Tupirama (TO) e Araguaína (TO), além de Goiânia (GO), Santana do Araguaia (PA), Sapucaia (PA) e São Félix do Xingu (PA).

Após a deflagração de diversas operações da Polícia Federal, dentre elas ‘Reis do Gado’, ‘Marcapasso’, ‘Pontes de Papel’, ‘Convergência’, e ‘Lava-Jato’, constatou-se que um núcleo familiar, composto por três pessoas influentes no meio político do Tocantins, sempre esteve no centro das investigações, com poderes suficientes para aparelhar o Estado, mediante a ocupação de cargos comissionados estratégicos para a atuação da organização criminosa.

Além da obtenção de novas provas, com a ação desta quinta, a PF busca interromper a continuidade do crime de lavagem de dinheiro, uma vez que os investigados permanecem praticando atos de lavagem por meio de sofisticado esquema, utilizando-se de 'laranjas' para dissimular a origem ilícita de bens móveis e imóveis, frutos de propinas em troca de favores a empresários dos diversos ramos de atividade que mantinham contratos com o poder público.

Mesmo depois das investigações tornarem-se públicas, segundo a PF, o grupo prosseguiu realizando operações simuladas envolvendo o comércio de gado de corte e empresas de fachada, construção e venda de imóveis, tudo para ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, movimentação ou propriedade de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente, das infrações penais.

Com o avanço das investigações, foi possível identificar que os crimes praticados pela organização criminosa estão agrupados ao redor de sete grandes eixos econômicos, que envolvem administração de fazendas e de atividades agropecuárias, compra de aeronaves, gestão de empresas de engenharia e construção civil, entre outros.

As provas reunidas na ação penal decorrente da ‘Operação Reis do Gado’ apontam que os suspeitos atuaram e ainda agem de maneira orgânica e sistematizada, com divisão de tarefas, cujos atos são detidamente planejados para assegurar o produto dos crimes.

Ainda segundo a PF, os investigados também agem no curso do processo, por meio da manipulação de provas, seja pela falsificação de documentos ou comprando depoimentos, com o claro objetivo de tumultuar e dificultar as investigações em andamento.

Estima-se que a organização criminosa causou prejuízos da ordem de mais de R$ 300 milhões ao poder público.

NOME DA OPERAÇÃO 

O nome da operação faz referência ao 12º Trabalho de Hércules, seu último e mais complexo desafio, que consistia em capturar Cérbero.

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