Educação

Professores e alunos temem retrocesso nos Colégios Militares e criticam imposições da Seduc-TO

"Então quer dizer que a sorte vale mais que o mérito?", questionam.

Por Redação 3.682
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01/11/2019 12h15 - Atualizado há 2 anos
Colégio da Polícia Militar de Araguaína

Pegos de surpresa, professores, comunidade e estudantes do Colégio da Polícia Militar em Araguaína receberam com tristeza e apreensão a notícia sobre o fim do processo seletivo para ingresso na unidade de ensino, bem como o desmonte do Regimento Interno da escola, além de outras medidas anunciadas pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) na última quinta-feira (29).

Conforme a secretária Adriana Aguiar, a partir de agora, a matrícula será feita pelo site ou telefone, seguindo o mesmo padrão das demais escolas do Estado. Ela alega que o objetivo é democratizar o acesso às instituições militares.

Com esse novo modelo, o mérito dará lugar à sorte, pois a seleção será realizada mediante sorteio. Ou seja, quem estiver no seu dia de sorte poderá conquistar uma vaga.

Esse é um dos principais motivos da indignação e revolta da comunidade escolar do CPM de Araguaína. Os próprios estudantes defendem o processo seletivo, pois privilegia, desde cedo, o mérito, o esforço, a preparação, a dedicação, assim como tudo na vida. Eles lembram que o Enem e os vestibulares não dependem da sorte.

Processo seletivo: democrático e meritocrático!

Professores da instituição entrevistados pelo AF Notícias também acreditam que o exame seletivo, constituído de apenas 40 questões básicas de Língua Portuguesa e Matemática, torna o ingresso mais democrático uma vez que a demanda é maior que o número de vagas ofertadas.

Atualmente, o colégio militar de Araguaína atende alunos de várias cidades vizinhas. Sem o processo seletivo, esses estudantes que moram em outros municípios do Tocantins, mas que sonham em estudar no CPM, serão preteridos, já que os atuais critérios da Seduc favorecem quem mora mais próximo à escola.

“Creio que essa medida adotada pela secretária Adriana Aguiar é uma verdadeira injustiça para com esses jovens e seus familiares”, afirma a professora Gláucia Peixoto, docente da instituição.

As professoras Janaína Cruz, Gislene Silva e Cristiane Lopes explicam que o seletivo envolve apenas competências mínimas de Língua Portuguesa e Matemática, nada além do mínimo esperado para um estudante que está concluindo o ensino fundamental.

“Nosso processo seletivo é elaborado pela própria Seduc, dentro daquilo que é ensinado nas escolas de todo o Estado. Então quer dizer que um sorteio é mais justo que um seletivo? Que a sorte vale mais que o mérito?”, questionam.

Regimento interno do CPM.

Outro descontentamento apontado por docentes, pais e estudantes é que a Seduc possivelmente inviabilizará o Regimento Escolar construído e adotado pelo CPM de Araguaína.

“Toda a administração escolar, bem como as práticas disciplinares e pedagógicas estão voltadas para a observância do nosso Regimento”, comenta Janaína, professora de Biologia da escola.

Para o coordenador Anderson João é impossível dissociar disciplina de aprendizado. “Professores e militares caminham juntos e trabalham em prol de um mesmo objetivo: o aprendizado do aluno. Aqui de fato se trabalha o aluno como um todo, um cidadão pleno, por isso não é possível dissociar o trabalho disciplinar do pedagógico. Os resultados de um influenciam diretamente o outro. É essencial termos um regimento que corresponda às nossas necessidades e aos objetivos da escola”, explicou.

Antes de ser transformado em Colégio Militar, o antigo Centro de Ensino Médio figurava sempre nas últimas posições no Enem. Hoje, a escola é uma das melhores da rede pública no Tocantins e a 2ª colocada em Araguaína, atrás apenas do IFTO.

Seduc não dialoga com professores!

Os professores questionam também a falta de diálogo da Seduc com os professores antes de impor suas decisões. “Fomos pegos de surpresa. Mais uma vez ninguém foi consultado sobre as mudanças propostas. Dizem que o professor é a base da educação, mas o próprio órgão que nos rege ignora completamente a nossa opinião. Fomos totalmente ignorados!", desabafam os professores João Oliveira, Mário Lima, Marly Camargo, Luciano Soares, Pedro Figueira, Gláucia Peixoto e Aldo Marcos. Todos eles já lecionavam na escola antes do processo de militarização e temem um retrocesso.

Professores do CPM desfilando no 7 de setembro

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