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Igeprev investiu R$ 130 milhões em negócios do americano Donald Trump e agora pode ter prejuízos

Redação AF - |
Foto: Divulgação
Instituto do Tocantins pode ter feito uma aplicação temerária, diz MPF

A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou nesta sexta-feira (28), que um procedimento investigatório criminal (PIC) e um inquérito civil foram abertos para investigar negócios relacionados ao grupo econômico The Trump Organization, do candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os negócios envolvem investimentos do Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (Igeprev), que agora corre o risco de ter prejuízos com o insucesso do empreendimento financiado (um hotel para as olimpíadas do Rio, mas que não ficou pronto no prazo).

A Procuradoria apontou à Justiça Federal que fundos de investimentos favoreceram “de forma suspeita” negócios do norte-americano no Rio de Janeiro em parceria com fundos de pensão, entre eles o Igreprev.

O procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, explicou que uma das suspeitas recai sobre o fundo LSH, constituído em abril de 2012 e que recebeu investimentos do Igreprev (Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins), dos servidores estaduais do Tocantins e do Serpros (Instituto Serpro de Seguridade Social), dos servidores do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), vinculado ao Ministério da Fazenda. Esse fundo teve por objetivo realizar investimentos na empresa LSH Barra Empreendimentos Imobiliário, sediada no Rio de Janeiro. O Serpros e o Igeprev investiram, juntos, cerca de R$ 130 milhões no projeto.

A empresa LSH Barra, segundo o Ministério Público Federal, foi criada “para viabilizar um hotel”, cuja construção deveria ter começado em janeiro de 2014, “em conjunto com o grupo The Trump Organization, controlado pelo empreendedor Donald Trump, com atuação no Brasil capitaneada pelo vice-presidente executivo de Construções e Aquisições da holding, Donald Trump Jr”.

O hotel, porém, não ficou pronto antes das Olimpíadas do Rio. Sua inauguração em 2016, de forma parcial, impediu “a realização de receitas tal como previsto em 2014”, segundo a Procuradoria.

O principal ponto da apuração é saber se houve uma “sobreprecificação” nos valores destinados ao hotel pelos fundos de pensão Serpros e Igeprev, ou seja, se os gestores já sabiam que o hotel não renderia o retorno anunciado na constituição do negócio, em 2012, e mesmo assim negociaram as cotas com os fundos de pensão tendo em conta projeções supervalorizadas.

“Em razão dos elementos financeiros e econômicos mencionados, é possível que Serpros e Igeprev tenham que realizar a provisão de mais da metade de seus investimentos no fundo de investimentos LSH. É necessário, porém, investigar se a empresa objeto do investimento já estava ‘sobreprecificada’ desde o aporte inicial de capital no fundo, o que poderia significar uma gestão fraudulenta das instituições investidores –por parte de seus diretores/gestores, com a participação do agentes econômicos e avaliadores envolvidos”, escreveu o procurador.

A Procuradoria quer saber se houve “temeridade” no investimentos, pois os dois fundos de pensão são “pequenos, que contam com recursos garantidores modestos (se comparados com fundos de pensão como Funcef, Petros e Previ)”.

“Dessa forma, a realização de um investimento estruturado de tal monta, por tais institutos de previdência, termina por chocar-se contra os princípios da diversificação e da liquidez.”

O procurador também quer saber se crimes foram cometidos para o fechamento do negócio. “É necessário ainda verificar se o favorecimento pelas entidades de previdência da empresa LSH Barra Empreendimentos Imobiliários e do grupo empresarial The Trump Organization deu-se por meio de pagamento ilícito de comissões e propinas, tais como noutros casos apurados no bojo da Operação Greenfield – considerando, em especial, a grande similitude do ‘modus operandi’ [modo de atuação].”

Com informações da Folha de São Paulo.

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