Opinião

Enquanto Gaguim dorme, o Tocantins padece na crise e o Brasil se afunda na corrupção

Por Agnaldo Araujo
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17/07/2017 08h13 - Atualizado há 1 semana
Alberto Rocha//Opinião Há fatos que acontecem na política que só reforçam a tese de que pessoas facilmente perdem a sensibilidade do absurdo. E foi o que aconteceu recentemente. O caso já pode ser considerado como o vexame do ano no Estado. O deputado federal Carlos Henrique, o Gaguim, foi pego no próprio sono, um cochilo durante as sessões da Câmara. A foto do parlamentar dormindo, divulgada pelo Estadão, logo virou piada nas redes sociais. Mas o que mais impressionou não foi o sono esquisito do Gaguim, mas o que ele teria dito sobre a repercussão que o voto contrário à denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer teria junto à opinião pública. A imprensa repercutiu a possível fala de Gaguim, que teria dito que o fato não o prejudicaria nas próximas eleições, pois, até lá, o eleitor esqueceria o episódio com facilidade. Verdade? Caso seja verdade que o deputado tenha dado tais declarações, o gesto do parlamentar então pode ser entendido como falta de respeito com a população, além de grosseiro, um verdadeiro tapa na cara da sociedade, a quem ele mesmo já representou como governador do Estado. Tudo tem limite, inclusive a paciência. Está na hora dos políticos entenderem que as pessoas não podem ser tratadas como uma banca de idiotas ou cachos de bananas podres. O mesmo eleitor que hoje sofre de amnésia deliberada pode acordar mais esperto amanhã. Podem dormir à vontade, deputados! A sorte de vocês é que o esquecimento fácil do eleitor é quem financia o sono profundo do mandato. Mas lembrem-se: o mesmo eleitor que esquece fácil, se quiser, pode decidir o dia do enterro de políticos descompromissados com a ética e o respeito. Lembrem-se também de que o eleitor já começa a mandar sinais de impaciência para políticos que dormem para a triste realidade que o Brasil está passando. Deputado que dorme enquanto o Brasil afunda, pode entrar no fatídico pacote do juízo final, e acabar no tribunal impiedoso do eleitor esquecido de hoje e atento de amanhã. Enquanto o deputado dorme sob o efeito do soro do esquecimento e da bondade do povo, o eleitor guarda no bolso da camisa o dia da vingança. Pode dormir sossegado, pois amanhã o dia vai nascer mais lindo, e aí, nos lembraremos de que o esquecimento do eleitor de hoje e o sono do deputado não passaram de um triste pesadelo já enterrado e esquecido. Amanhã será o dia de acertar as contas com a verdade. Aí, o eleitor só terá lembrança do deputado, do sono e da cadeira.  Alberto Rocha é jornalista

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