Araguaína

Presidente Gipão promove debate na Câmara sobre acessibilidade de surdos em órgãos públicos

A sessão reuniu professores e entidades de defesa dos direitos humanos.

Por Márcia Costa
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07/11/2019 12h00 - Atualizado há 1 mês

A Câmara Municipal de Araguaína realizou, nesta terça-feira (05) uma sessão para debater as demandas da comunidade surda de Araguaína. A discussão foi proposta pelo presidente do legislativo municipal, Aldair da Costa Sousa (Gipão).

De acordo com o autor da propositura, a principal dificuldade encontrada pela comunidade surda ainda é a comunicação com cidadãos ouvintes.

"O motivo desta sessão é extrair informações da própria comunidade surda, conhecer seus anseios e dificuldades, para levarmos ao conhecimento do chefe do executivo para que eles tenham a garantia do cumprimento da lei que os ampara, principalmente no que se refere às repartições públicas. Neste debate minha intenção não é fazer discurso, mas ouvir os surdos, os profissionais, as pessoas capacitadas para tratar do tema", destacou o presidente.

O presidente ainda ressaltou que a casa de leis está atenta à questão da acessibilidade e atualmente conta com servidor intérprete de libras para atender ao público surdo. Entre os convidados para a sessão, marcaram presença representantes das mais diversas áreas da sociedade, como administração pública, judiciário, entidades de defesa dos direitos humanos, faculdades, entre outros.

O professor de Libras da UFT de Porto Nacional, Bruno Gonçalves Carneiro, também fez questão de destacar que a Câmara Municipal de Araguaína vem cumprindo o seu dever de inclusão. "Parabenizo a Câmara de Vereadores por esse momento, pelo seu papel na garantia da inclusão da pessoa surda. Prova disto, é que Araguaína é a primeira cidade da região norte do país, a ter um servidor efetivo tradutor interprete de libras, promovendo o acesso e participação dos surdos em diversos espaços e atividades desta casa."

Alessandro Sena, professor de Libras da Delegacia Regional de Educação de Araguaína, também deixou claro o quanto a carência de profissionais que tenham domínio sobre a Língua Brasileira de Sinais causa prejuízo, isolando o surdo dos diversos grupos sociais. "Nas escolas que eu tenho visitado, a gente percebe um quadro angustiante, porque são muitos surdos ainda isolados, sozinhos, ainda tímidos. Quando esses surdos se deparam com um profissional surdo, um adulto surdo, ele se coloca dentro do rol de possibilidade, como um sujeito que pode ter uma profissão. Mas a gente ainda enfrenta a escassez de profissionais interprete de libras", relatou.

Já o pastor Euzimar Nunes, no uso da tribuna, frizou a importância de qualquer ser humano ter seus direitos respeitados independentemente de suas dificuldades e limitações. "Quando penso em Direitos Humanos, eu penso no humano que tem direitos e que precisam ser respeitados, cada um na sua, cada um no seu lugar, cada um do seu jeito. Ninguém precisa ter mais direto que o outro, mas todos precisam ter os seus direitos respeitados. E o respeito na verdade é quando eu proporciono ao outro o direito que ele de fato tem".

A história da nossa língua de sinais se mistura com a história dos surdos no Brasil. Até o século XV os surdos eram mundialmente considerados como ineducáveis. A partir do século XVI, com mudanças nessa visão acontecendo na Europa, essa ideia foi sendo deixada de lado. Para a professora de Libras da Universidade Federal do Tocantins de Araguaína, Stefâne Steves muitos avanços ainda são necessários para a inclusão dos que ainda continuam sem os benefícios que a Língua Brasileira de Sinais pode proporcionar.

"Você consegue imaginar o prejuízo linguístico que a pessoa surda possui, pelo fato de ser privada da língua de sinais, o que essas barreiras ocasionam. Por isso, a importância da língua de sinais, enquanto língua visual que permite à comunicação a consolidação de uma identidade, permite poder e possibilidade de interagir socialmente".

O psicólogo Jean Rocha Carvalho observou que o debate realizado pela câmara é o primeiro passo para novas e grandes conquistas da comunidade surda. "Todas as leis posteriores, Lei Maria da Penha, o ECA e o Estatuto do Deficiente, partiu de um ponto de integração, partiu de um sofrimento. Esse olhar social, esse olhar político, esse olhar de valor que esta casa está fazendo com esta comunidade surda é de grande valor, porque enxerga além de uma visão comum, enxerga além de uma necessidade que existe por trás de uma cortina que não está sendo observado como deveria".

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