Surto da doença em Paraíso

Mais de 250 presos da CPP de Paraíso estão com doença infecciosa e transmissível

Por Agnaldo Araujo
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21/06/2018 11h15 - Atualizado há 1 mês
Mais de 250 presos estão com sarna (escabiose) na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Paraíso do Tocantins, a 61 Km de Palmas. A informação foi divulgada pela Defensoria Pública nesta quinta-feira (21). Conforme a Defensoria, uma inspeção no local foi realizada nesta quinta pelos defensores públicos Arthur Luiz Pádua Marques Letícia Amorim. O levantamento apontou que 79,8% dos presos estão com os sintomas da doença infecciosa e transmissível. A Casa de Prisão Provisória de Paraíso tem capacidade para 54 presos, mas conta, atualmente, com 318. Uma das celas, que deveria comportar sete homens, abriga atualmente 31. Com o problema da superlotação, o surto torna-se ainda mais preocupante, correndo o risco de atingir toda a população carcerária. A todo, os defensores públicos identificaram 254 presos com os sintomas da escabiose. “Levaram alguns presos para tomar medicação tem uns 15 dias, mas aí colocaram de volta na cela em contato com os outros, e pegaram a zica de novo”, denunciou um dos reeducandos. Ele e outros detentos disseram que não há atendimento médico especializado ou cuidado especial para evitar que o problema se alastre. Uma das preocupações dos defensores públicos é que o problema se espalhe para a sociedade, visto que os reeducandos recebem visitas semanalmente com contato direto e até visitas íntimas. REUNIÃO Logo após a vistoria, os defensores públicos convocaram uma reunião de emergência sobre o assunto. Participaram do encontro representantes da diretoria da CPP Paraíso, da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Paraíso do Tocantins, assistentes sociais e enfermeiros que atuam diretamente na Casa de Prisão Provisória. A equipe de enfermagem relatou que o primeiro diagnóstico foi detectado há cerca de 15 dias. Porém, de acordo com Letícia Amorim, a equipe de assistência social da Defensoria Pública já havia alertado sobre possíveis casos na CPP de Paraíso há mais de um mês. “As providências já deveriam ter sido tomadas há tempos para evitar que o surto se alastre”, disse. Segundo a equipe de assistência social da Defensoria Pública de Paraíso, parentes e até crianças que visitaram recentemente o presídio podem estar com a doença. “Todos estão sujeitos à contaminação, sejam os familiares, os agentes prisionais e até a equipe da Defensoria que realiza frequentemente atendimento no local”, relatou. RECOMENDAÇÃO A Defensoria Pública emitiu uma recomendação ao secretário estadual de Saúde, Renato Jayme da Silva, e à secretária municipal de Saúde de Paraíso, Rosirene Gomes Leal, com o o prazo de cinco dias úteis para que providências com o objetivo de amenizar o avanço da doença sejam tomadas. A recomendação solicita a disponibilização imediata de todos os medicamentos prescritos aos presos que estão com sarna, independente da entrega de número de cartões SUS, ou outros documentos, garantindo a medicação de forma imediata e de acordo com a prescrição médica. Requer também o envio imediato de equipe da vigilância sanitária e vigilância em saúde prisional para diagnosticar possível surto na unidade prisional e adotar todas as providências no sentido de dedetizar a unidade prisional ou adotar outros meios que estanque o surto alastrado por todo o presídio. Solicita ainda o monitoramento efetivo com quadro de profissionais de saúde e da vigilância sanitária na unidade prisional, identificando assim qualquer espécie de patologia e garantindo o tratamento aos pacientes; o envio de equipe para adotar todas as medidas necessárias a fim de regularizar toda a documentação dos presos, seja RG, CPF, Cartão SUS ou outros documentos necessários a identificação; dentre outras providências. A DOENÇA A escabiose, conhecida popularmente por sarna humana ou pereba, é uma doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infecção contagiosa, que pode se espalhar rapidamente através de contato físico próximo. A doença é altamente contagiosa, principalmente a partir de roupas contaminadas.

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