Tocantins

Vida de ex-jogador preso no Tocantins custava R$ 300 por semana, diz advogado

Por Agnaldo Araujo
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15/03/2018 15h24 - Atualizado há 1 mês
Acostumado a atuar em alguns dos principais estádios do Brasil, Jobson ruiu na mesma velocidade com que explodiu para o futebol pelo Botafogo, há quase 10 anos. Primeiro, foram os casos de doping que interromperam sua trajetória. Agora, a prisão sob acusação de estupro de vulnerável (menor de idade), com ameaça de morte. Há duas semanas, o atacante precisou ser transferido de cadeia para evitar as ameaças e a extorsão de outros detentos. Preso provisoriamente na cidade de Colmeia, a 266 km de Palmas, capital do Tocantins, Jobson viveu o fundo do poço. Enquanto aguarda o julgamento, foi colocado ao lado de criminosos condenados e teve de lidar com uma lei não escrita dos detentos contra acusados de estupro. Ele precisou, então, pagar para sobreviver e para que o terror ficasse só nas ameaças “Os presos em todo o mundo não aceitam o crime pelo qual ele foi acusado, porém não condenado. Todo cidadão conhece essa regra das cadeias. Sempre que alguém é preso por estupro, fica separado. Mas a cadeia não tem estrutura. O Jobson estava em cela com os presos do semiaberto, depois o colocaram com os outros e começaram as ameaças. Pediam R$ 300 por semana para deixá-lo vivo”, revelou o advogado Josenildo Ferreira da Silva. Informada sobre os acontecimentos, a Secretaria de Cidadania e Justiça do Tocantins (Seciju) tratou como “supostas ameaças” e fez questão de salientar que “o preso não sofreu agressão física dos demais detentos”. Mesmo assim, em parceria com o Poder Judiciário do Estado, atendeu ao pedido do advogado da defesa e transferiu Jobson, que desde o fim de fevereiro está detido na cidade de Paranã, a 350 km de Palmas. “A situação está melhor agora, mais próxima do que se espera”, afirmou o advogado. A reportagem entrou em contato com a diretoria da cadeia de Paranã, que disse não poder comentar o caso devido ao segredo de Justiça, mas garantiu que o jogador encontra-se “bem e tranquilo” em sua cela na nova cadeia. Como os outros presos, alguns também esperando julgamento, Jobson acorda cedo, toma café com leite e come pão e manteiga e vai para o banho de sol. Entre o almoço e o lanche da tarde, faz o possível para manter-se em forma com a estrutura que a cadeia oferece e, mesmo não muito afeito à leitura, lê alguns livros. Aguarda ansiosamente pelas visitas de sua mãe, Lourdes, que eram semanais em Colmeia, mas se tornaram mais escassas em Paranã. Aos 30 anos, Jobson sonha diariamente com seu retorno ao futebol. Mas, para isso, terá de provar sua inocência. Não há data para o julgamento. Ao lado de dois amigos, ele teria aproveitado uma festa na cidade de Couto de Magalhães, no Tocantins, para aliciar quatro garotas menores e levá-las para sua chácara, onde teriam sido embriagadas. E uma delas, abusada O processo corre em segredo de Justiça justamente para a proteção das adolescentes. Como elas são menores, trata-se de uma ação incondicionada, ou seja, sem a necessidade de acusação da vítima e com representação do próprio Ministério Público. Josenildo garante a inocência de seu cliente, mas lamenta o fracasso de sua carreira. “Estava acostumado a outra coisa, grandes clubes, realidade diferente. É um choque. Ele sabe que é o único responsável”, afirmou. Suspensão por doping acaba dia 31 de março A defesa de Jobson, que aguarda o julgamento por acusação de estupro, vê luz no fim do túnel para tirá-lo da cadeia. Como o jogador ainda não foi julgado, o advogado Josenildo da Silva confia no sucesso de um pedido de liberdade condicional. Será o terceiro. Nos outros dois, Jobson descumpriu normas pontuais e foi colocado novamente atrás das grades. Mas um novo fato, de acordo com o advogado, é a “carta na manga” que ele tem: o fim da suspensão da Fifa. Depois de testar positivo para cocaína em 2009 e ficar seis meses fora do futebol, Jobson foi novamente punido por ter se recusado a realizar exame antidoping quando atuava na Arábia Saudita, em 2014. O fim do gancho de quatro anos será no próximo dia 31, motivo de esperança para a defesa do jogador. “A base do pedido é que ele saia para trabalhar. Antes, era sair por sair, para não estar atrás das grades”, destacou Josenildo. Com a proximidade do fim da pena esportiva, Jobson teria recebido ofertas de times brasileiros. Sem revelar os interessados, o advogado diz que conversou com clubes “da Região Sul e Centro-Oeste” e diz que ele pode voltar a jogar em breve. “Se o pedido da defesa for atendido, acredito que estará em campo em 60 dias. Acreditamos nisso. Estamos na iminência de que ele possa estar fora (da cadeia) e treinar, entrar em forma para voltar a jogar. Ele não cometeu crime”, defendeu. Caso seja libertado, depois julgado e condenado, Jobson será preso imediatamente e terá de cumprir a pena. (Gabriel Melloni - Estadão)

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