Campos Lindos

Família de jovem morto em ação da PM cita possível excesso e pede apuração ao MPTO

Vários tiros foram disparados contra o carro conduzido pelo jovem.

Por Conteúdo AF Notícias 9.520
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03/04/2021 11h10 - Atualizado há 1 semana
Heitor Eduardo Morais Berlanda tinha 21 anos

A família do jovem Heitor Eduardo Morais Berlanda, 21 anos, que foi morto em uma ação da Polícia Militar em Campos Lindos, no dia 12 de março, protocolou uma representação no Ministério Público do Tocantins (MPTO) para que seja investigada a conduta dos policiais envolvidos na ocorrência, bem como as circunstâncias do caso.

O objetivo, segundo a representação, é esclarecer se realmente houve troca de tiros, se os policiais agiram dentro da legalidade e se o simulacro e uma arma caseira apreendida, bem como a droga, pertenciam aos jovens.

A Polícia Militar diz que o jovem Heitor teria participado de uma tentativa de homicídio na companhia de outras duas pessoas. Naquela noite, segundo a polícia, o grupo teria se dirigido ao hospital do município para dar continuidade à execução, mas o veículo foi perseguido pela PM e houve troca de tiros. Heitor foi atingido e faleceu após dar entrada na unidade de saúde. O amigo dele foi baleado e uma terceira pessoa teria conseguido fugir, segundo os militares.

Contudo, a representação afirma que Heitor não participou da tentativa de homicídio contra Jeovane Lopes, de 31 anos, e cita informações apuradas posteriormente.

A investigação sobre o caso ainda está em andamento para esclarecer os fatos e como teria dado início à perseguição policial contra os jovens. Tudo começou na praça central da cidade, e não em frente ao hospital, segundo a família do jovem. A representação afirma que o verdadeiro autor do crime está foragido e não estava dentro do carro perseguido, tampouco na companhia de Heitor.

A família também contesta a versão de que os policiais militares estariam a caminho do hospital quando se depararam com um carro suspeito.

"A verdade é que os policiais estavam na região central da cidade, quando se depararam com um veículo que teria as mesmas características do carro que pertenceria ao suposto autor da tentativa de homicídio, quando iniciaram a perseguição truculenta e excessiva, e não a caminho do hospital como alegam", diz o documento.

A representação afirma ainda que houve diversas falhas por parte dos militares durante a ação. “A viatura conduzida não estava com giroflex e sirene ligados, e atiraram contra o veículo dentro da cidade, colocando mais pessoas em perigo concreto, inclusive atingiram comércios com sua ação”, argumenta.

O veículo estava sendo conduzido por Heitor durante a perseguição. Segundo a representação, ele tentou parar por diversas vezes, mas era sempre hostilizado com mais tiros.

“Conforme testemunhas oculares, não havia um terceiro indivíduo no veículo, estando somente os dois rapazes. Pelas circunstâncias do caso, seria improvável que um terceiro tivesse saído do veículo sem estar no mínimo gravemente ferido após tantos disparos”, afirma o documento.

Veículo alvejado por diversos disparos. Família suspeita que não fora usado somente munição de .40

A perseguição terminou na Avenida Perimetral Serra do Centro, onde Heitor não conseguiu mais dirigir por estar ferido. Segundo a família, ele morreu tentando entrar na avenida da sua casa para se salvar e salvar seu amigo [Lisandro Tavares Noleto, 19 anos], momento em que foi vitimado com mais disparos de arma de fogo da PM, mesmo sem demonstrar sinais de reação.

“O socorro só foi prestado aos jovens quando o motorista da saúde de plantão chegou no local, momento em que encaminhou o ferido à Unidade Básica de Saúde, para receber atendimento médico”, acrescenta.

A família destaca que Heitor não tinha nenhuma passagem pela polícia, possuía bons antecedentes, era filho de comerciantes, vindo de uma família tradicional e trabalhadora do município de Campos Lindos, pessoa humilde e sorridente, de uma educação impecável. Ele deixou um filho de dez meses, e a cidade toda em luto, conforme familiares.

A representação diz que os próprios policiais afirmaram em seus depoimentos que perseguiram o carro sem saber quem era o condutor.

"A ação da Policia Militar está sendo repudiada por todos os moradores, os quais buscam clareza dos fatos ocorridos", finaliza a nota da família.

Heitor e sua família, da esquerda para direita, Heitor, pai, irmão, mãe, irmã e sobrinho.

O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR

"O 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) informa que todos os fatos relacionados à ocorrência foram apresentados à Polícia Judiciária, à qual é a responsável pela investigação dos fatos, no caso em tela da Delegacia Especializada em Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Desta forma, todos os fatos estão sendo devidamente apurados unicamente pela Polícia Civil.

A Polícia Militar reafirma seu compromisso de servir e proteger a todos, bem como prima pela transparência nas suas ações e, pela ação legítima e proporcional de seus membros”.

Valdeonne Dias da Silva – TEN CEL QOPM
Comandante do 2º BPM"

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