Obra problemática

'Projeto mal elaborado', diz comerciante sobre Shopping a Céu Aberto ao citar queda de 30% nas vendas

Por Redação AF
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21/01/2018 17h24 - Atualizado há 1 semana
Nielcem Fernandes//AF Notícias Após muita polêmica em torno da construção do Shopping a Céu Aberto na Avenida Tocantins, um dos principais polos do comércio de Palmas, o Ministério Público Estadual expediu Recomendação à Prefeitura de Palmas, na última quarta-feira (18), para que as obras sejam suspensas. A recomendação é assinada pela promotora de justiça Katia Chaves Gallieta, após reunião com representantes dos lojistas e diversas pastas da prefeitura para tratar sobre o assunto. As obras do Shopping são objeto de inquérito civil público instaurado em 2017, com o objetivo de investigar a omissão do poder público municipal em deixar de promover a segurança do tráfego de pedestres e urbanização do local. ASSOCIAÇÃO COMERCIAL - ACIT Para comentar o caso, o AF Notícias ouviu a representante da Associação Comercial e Industrial de Taquaralto (ACIT), Solange Maria Borges. Ela reclamou da falta de diálogo entre poder municipal e comerciantes, e ainda informou que os representantes municipais não apresentaram o projeto definitivo do shopping e abandonaram a reunião com a promotoria no último encontro para tratar do assunto. "Eu acredito que eles não têm projeto, pois já foi solicitado por diversas vezes", disse. Em tom de indignação, a representante dos comerciários declarou que mais de 600 assinaturas foram coletadas pedindo a suspensão das obras. Conforme Solange, um parecer técnico elaborado por uma arquiteta urbanista, a pedido da Promotoria, concluiu que as obras na Avenida Tocantins são ilegais, pois trata-se de uma via de rolagem em que a lei proíbe construção de ciclovia. "Uma via de rolagem recebe grande fluxo de veículos vindos de outras cidades. Nós apresentamos um abaixo-assinado ao MPE com mais de 600 assinaturas pedindo o fim das obras e declarando nossa posição contrária à construção desse Shopping. O prefeito pensa que é Deus. Ele não ouve as nossas reivindicações e não olha o lado dos comerciantes, ele vai simplesmente fazendo", disse a representante da ACIT. MOTORISTAS O caminhoneiro João da Paz, de 55 anos, declarou que as obras do Shopping a Céu Aberto dificultam o trânsito e pioraram as condições de estacionamento. Ele costuma frequentar o comércio da Avenida Tocantins, mas os problemas relacionados ao trânsito "pioraram muito". "Está difícil de trafegar, estacionar e até para o pedestre transitar. Piorou uns 70% as condições. Quando minha esposa fala de vir pra cá eu até desanimo. Virou um caos", desabafou. AMBULANTES O ambulante José Celso Borges da Silva trabalha na região há seis meses e também não aprova as modificações que estão sendo feitas. "Essa obra piorou o comércio. Antes o pessoal passava de carro, parava e comprava alguma coisa, agora diminuiu bastante o movimento. Se continuar assim, o comércio vai enfraquecer ainda mais", lamentou. COMERCIANTES Proprietário de uma das mais tradicionais lojas da região, Sidnei de Mota Barros disse que maioria dos comerciantes está insatisfeito com as alterações feitas pela prefeitura, pois as sugestões apresentadas pelos comerciantes estão sendo ignoradas. Além disso, Sidnei alegou que o projeto é desacreditado por parte dos lojistas que ainda não desfrutaram dos benefícios advindos da instalação do Shopping e estimou uma queda de 30% no movimento. "Nós, digo a maioria dos comerciantes, estamos lutando há seis meses contra algo que está sendo feito no projeto que não atende a nossa demanda. Esse projeto é da primeira gestão do prefeito, como ele nunca realizou nada que contemple a nossa região, nós ficamos desacreditados. Não somos contra, mas do jeito que vem sendo feito está nos prejudicando muito. Tivemos uma queda de 30% nas vendas", declarou. O comerciante reclamou da ausência do prefeito nas discussões do projeto. Segundo ele, Amastha nunca visitou os comerciantes ou vistoriou as obras em andamento. "Nós últimos seis meses ele nunca visitou o comércio para saber a realidade. Nunca fizeram uma pesquisa para mensurar o grau de insatisfação. Essa obra não gera insatisfação apenas aos lojistas, mas também aos clientes que vêm até a loja. Fecharam todos os acessos e isso prejudicou os serviços da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e até mesmo da população. Nós tínhamos oito acessos no percurso da Avenida Tocantins que foram bloqueados", pontuou. Para o comerciante, os problemas não param por aí. Além da omissão da gestão municipal, o comerciante alertou para outros problemas como a falta de drenagem pluvial que já causou prejuízos com alagamentos, pois muitos lojistas tiveram suas lojas invadidas pela água da chuva. "É um projeto mal elaborado. Não tem nem drenagem. Nesse período de chuva, muitas lojas foram invadidas pela água e isso causou prejuízo. Nem assim o prefeito demonstrou interesse em vir resolver essa situação. Nos organizamos e tentamos um diálogo com o prefeito, mas com ele não tem diálogo. Penso que o MPE já deveria ter interditado essa obra. O prefeito não tem palavra. Apresentamos uma ata à administração municipal com nove reivindicações e nenhuma delas foi contemplada", concluiu. OTIMISMO Apesar da maioria dos setores e profissionais abordados pela equipe do AF Notícias ter opinião negativa em relação às obras do Shopping a Céu Aberto, há quem apoia a ideia e vê nela uma perspectiva de melhora. "Essa obra é positiva. O problema é que ainda está por fazer. Desde o começo eu acredito na ideia. Tudo que vir pra cá é positivo. Eu acredito que a administração não iria realizar uma obra que não desse certo. Eu quero é que termine mais rápido possível. Só a melhoria das calçadas já é um excelente negócio. O que atrapalhou o comércio não foi o trânsito e nem o fluxo de carros, mas a falta de dinheiro na economia. Quando era o outro prefeito nossa região não era valorizada, agora toda cidade é valorizada", declarou José Ailson, proprietário de uma loja há mais de 18 anos na Avenida Tocantins. Conforme apurado pela reportagem, as obras não foram paralisadas de acordo com a recomendação do MPE. O AF Notícias tentou localizar o encarregado pelas obras, mas foi informado de que ele não se encontrava no local.

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