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Repasse do FPM despenca 60% em julho mesmo com verba extra; economia está pouco aquecida

No mesmo período de 2022, receberam mais de R$ 12,2 bilhões; agora, são R$ 5 bi.

Por Brasil 61 2.361
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10/07/2023 08h08 - Atualizado há 10 meses
Taxa elevada de juros tem freado o consumo da população brasileira

As prefeituras de todo o país recebem cerca de R$ 5 bilhões do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) na próxima segunda-feira (10). O valor é 58,6% inferior ao que os cofres municipais receberam no mesmo período do ano passado. Se se considerada a inflação acumulada de 3,94% nos últimos 12 meses, o tombo de recursos ultrapassa 62,5%. 

Os R$ 5 bilhões são resultado da soma do primeiro repasse previsto para julho, que totaliza R$ 3,7 bilhões — e da transferência extra para o mês, instituída por meio da Emenda Constitucional 84/2014, cujo valor é de cerca de R$ 1,3 bilhão. No mesmo período de 2022, contudo, as prefeituras receberam mais de R$ 12,2 bilhões. 

O cálculo considera o desconto de 20% do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Para Cesar Lima, especialista em orçamento público, a queda expressiva dos repasses do FPM é consequência da atividade econômica pouco aquecida que, por sua vez, é reflexo da política monetária rígida que o Banco Central adota para controlar a inflação. 

"Temos um efeito muito forte e deletério da manutenção desse alto índice da taxa de juros desde o ano passado. Não é à toa que algumas empresas fabricantes de automóveis deram férias coletivas, suspenderam produção, diminuíram os turnos, porque há um esganamento da economia quando a gente fala desses bens de maior valor agregado. Tem toda uma indústria por trás disso, empregos indiretos que também são afetados e o nível geral de consumo diminui", enfatiza.

Segundo o economista, com a inflação diminuindo há perspectivas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central comece a diminuir os juros — o que pode reverter a curva de queda nos repasses do FPM ainda este ano. "O viés do Banco Central já está numa diminuição da Selic. Então, devemos ter algum efeito positivo até o final do ano. Vamos esperar a próxima reunião do Copom. Em setembro e dezembro teremos mais pagamentos extras do FPM.E vamos compará-los para ver qual o viés que está encaminhando essa transferência constitucional do governo para os municípios", pontua. 

Prefeituras bloqueadas

De acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal, até o dia 5 de julho os municípios abaixo estavam impedidos de receber repasses do FPM. Para resolver a situação ou obter maiores esclarecimentos, os representantes de cada prefeitura devem se dirigir ao órgão responsável da respectiva região. 

Verifique se sua cidade está na lista: 

  • ALEGRIA (RS)
  • BOA VISTA DAS MISSÕES (RS)
  • BOA VISTA DO INCRA (RS)
  • BOM JESUS (RS)
  • CAPELA DE SANTANA (RS)
  • CARLOS BARBOSA (RS)
  • HULHA NEGRA (RS)
  • IMBÉ (RS)
  • LAGOA DA PRATA (MG)
  • MANOEL VITORINO (BA)
  • PANAMBI (RS)
  • PARAUAPEBAS (PA)
  • PEDRAS ALTAS (RS)
  • PEDRINHAS (SE)
  • PONTE PRETA (RS)
  • QUEVEDOS (RS)
  • REDENTORA (RS)
  • SANTA VITÓRIA DO PALMAR (RS)
  • SÃO LUIZ GONZAGA (RS)
  • TAQUARUÇU DO SUL (RS)
  • TOLEDO (PR)
  • TRÊS CACHOEIRAS (RS)
  • UMBAÚBA (SE)
  • XANGRI-LÁ (RS)

De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), os principais motivos para que uma prefeitura seja impedida de receber o FPM são:

  • Ausência de pagamento da contribuição ao Pasep;
  • Dívidas com o INSS;
  • Débitos com a inscrição da dívida ativa pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN);
  • Falta de prestação de contas no Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops). 

Para desbloquear o repasse, o município deve identificar o órgão que determinou o congelamento. Em seguida, deve conhecer o motivo e regularizar a situação. Vale lembrar que a prefeitura não perde definitivamente os recursos bloqueados. Eles ficam apenas congelados enquanto as pendências não são regularizadas. 

FPM: o que é? 

O FPM é um fundo pelo qual a União repassa, a cada dez dias (por isso o nome “decêndio”), 22,5% do que arrecada com o IR e o IPI aos municípios. A cada mês, portanto, são três transferências, que ocorrem nos dias 10, 20 e 30. Se a data cair no sábado, domingo ou feriado, o repasse é antecipado para o primeiro dia útil anterior. O dinheiro das prefeituras é creditado pelo Banco do Brasil. 

Os percentuais de participação de cada município são calculados anualmente pelo TCU de acordo com o número de habitantes de cada cidade e a renda per capita dos estados. Os municípios são divididos em três categorias: capitais, interior e reserva. As capitais dos estados e Brasília recebem 10% do FPM. Os demais municípios brasileiros são considerados de interior, e embolsam 86,4% do fundo. Já os municípios de reserva são aqueles com população superior a 142.633 habitantes e recebem — além da participação como município de interior — uma cota adicional de 3,6%.  

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