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Roger Guedes e Yuri Alberto: uma análise do desempenho da dupla no Corinthians

Afinal, essa combinação funciona ou não?

Por Redação 882
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29/05/2023 10h22 - Atualizado há 10 meses
Jogadores Roger Guedes e Yuri Alberto

O que deve ser arrumado para que a dupla de ataque do Timão volte a ajudar a equipe?

Após o Corinthians perder por 2 a 0 para o Atlético Goianiense pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2022, o então técnico Vítor Pereira saiu esbravejando que os atacantes Roger Guedes e Yuri Alberto não podiam jogar juntos e que a dupla foi um dos motivos da derrota. Porém, depois os dois protagonizaram boas atuações lado a lado. Afinal, essa combinação funciona ou não?

Naquele dia, a explicação do treinador português para a incompatibilidade dos jogadores em campo ao mesmo tempo foi que ambos, por terem a característica de atuarem centralizados, deixavam corredores abertos nas laterais do campo, que fragilizam o sistema defensivo da equipe.

Foto: lailtonaraujo/Pixabay

Porém, o corintiano que quer fazer uma aposta no Brasileirão com a Betfair já teve provas depois disso que confiar na dupla pode trazer bons resultados. Com uma química sendo formada ao longo do tempo entre os dois, eles protagonizaram grandes vitórias do Timão até que, com a má fase atual, voltaram a ser questionados sobre atuar juntos. Afinal, o que acontece?

No ano passado, o problema inicial foi resolvido colocando Roger Guedes como um segundo atacante, ocupando mais as laterais do campo, enquanto Yuri ficava sozinho, centralizado. A tática funcionou. Na reta final do Brasileirão de 2022 eles fizeram bons jogos juntos. O mais exemplar foi contra o Cuiabá: 2 a 0, um gol de cada um.

Com a virada do ano – e a saída de Vítor Pereira – Fernando Lázaro escalava Roger Guedes e Yuri Alberto juntos sempre que podia, com bons resultados. Dos oito gols do camisa 10 no Paulistão, por exemplo, três saíram após passes do companheiro.

O segredo para aquela boa fase dos dois, vale destacar, passava muito por um terceiro elemento. Renato Augusto, funcionando como um maestro no meio de campo, passou a entender a dinâmica dos atacantes e distribuir boas bolas para ambos.

Em 2023, com a contusão do meia, a situação voltou a causar problemas pois houve um desarranjo tático daquele que estava dando resultado. Os problemas defensivos voltaram a aparecer e um outro ponto surgiu cada vez mais.

Os dois já jogaram e prosperaram juntos antes, porém a situação nos últimos tempos parece ter voltado à estaca zero. Mas quais são os problemas e como resolver essa situação para que os astros do Timão voltem a se acertar novamente em campo?

Para quem faz aposta de futebol, vale a pena observar duas deficiências que, quando (ou se) resolvidas, farão com que jogar as fichas no Timão com a dupla em campo volte a ser vantajoso.

Vulnerabilidade na defesa

Com a chegada de Vanderlei Luxemburgo no comando do clube do Parque São Jorge, a escalação do ataque corintiano voltou a ser pauta.  O novo treinador em entrevistas coletivas apontou para um velho problema, aquele mesmo que incomodava Vítor Pereira: a fragilidade defensiva que se cria quando ambos estão atuando. Segundo Luxa, nenhum dos dois voltava para marcar.

O treinador tem como desafio mudar a forma de atuar dos dois. No empate em 1 a 1 contra o São Paulo em Itaquera, por exemplo, Guedes passou a voltar mais para o campo de defesa. Além disso, ele passou a armar a defesa de formas diferentes. Contra o Flamengo, os atacantes ficaram com menos responsabilidades defensivas e a retaguarda funcionou mesmo assim.

Essa forma de montar o time, entretanto, faz com que ele perca poder de ação no ataque. O experiente técnico está com esse problema para resolver, mas tem avançado, povoando o meio-campo com volantes adiantados, como Biro e Paulinho. Achar o arranjo tático ideal e treinar a maior participação dos dois na defesa parece ser o primeiro desafio para fazer funcionar.

Individualismo

Durante uma entrevista de Roger Guedes para o podcast “Podpah”, o atacante comentou que ele e Yuri brincam entre si durante os treinos, chamando um ao outro de fominha. Segundo ele, ambos se acusam de sempre preferirem definir sozinhos a jogada e ficar com a glória do que pensar no coletivo e passar para o outro quando essa é a melhor opção.

O problema é que, como diz um velho ditado popular, toda brincadeira tem um fundo de verdade, e o individualismo dos dois é não apenas real como um problema grave, que parece cada vez mais presente (já foi menos). Uma cena icônica que aconteceu na derrota vexatória por 3 a 0 para o Botafogo no Rio de Janeiro pelo Brasileirão deixa isso bastante claro.

O time jogava desastrosamente mal e quase não levava perigo à meta do Fogão. Em um raro lance agudo do Timão, o garoto Wesley recebeu uma bola em ótimas condições e chutou no gol. Apesar de ter sido uma decisão acertada no contexto da jogada, Roger Guedes e Yuri Alberto partiram para cima do companheiro aos berros cobrando que ele tivesse passado a bola.

Entre os dois, a situação também se manifesta na forma de jogar de cada um. São raras as trocas de passe mais elaboradas entre eles. Isso tem incomodado até mesmo Luxemburgo, que bate bastante nessa tecla nos treinos e tenta mudar essa dinâmica e criar um maior senso de coletividade na dupla.

Diagnóstico feito, falta a solução

Portanto, há dois fatores principais para serem acertados. O primeiro é de ordem tática, de reconhecer as características dos jogadores e montar uma equipe onde ambos funcionam bem sem deixar o time exposto defensivamente. O segundo passa pelo ego dos dois, que devem pensar mais em equipe e menos individualmente.

Ambos os problemas já foram resolvidos no passado, cabe agora ver se Luxemburgo conseguirá entender o que levou a essa regressão e acertar esses detalhes para que Roger Guedes e Yuri Alberto voltem a brilhar juntos no ataque do Timão.

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