Denúncia

Sindicato dos médicos aciona MPF por problemas no HDT de Araguaína e cita só 1 plantonista

O principal impacto é a falta de profissionais especialistas nos plantões.

Por Redação 926
Comentários (0)

07/05/2024 15h17 - Atualizado há 2 meses
Hospital de Doenças Tropicais da UFNT em Araguaína

Notícias do Tocantins - O Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins acionou o Ministério Público Federal (MPF), com um pedido de providências, em razão de falhas na gestão e de más condições de trabalho aos profissionais que atuam no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Tocantins (HDT-UFT), que é gerido pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

O documento foi protocolado na Procuradoria da República em Araguaína, nesta segunda-feira, 6 de maio. Nele, o sindicato lembra que em 2022, o corpo clínico da unidade relatou uma dezena de irregularidade no atendimento hospitalar, decorrente, principalmente, da falta de profissionais para os plantões adultos, realizados 24h por dia nos 7 dias da semana.

O principal impacto é a falta de profissionais especialistas para o fechamento da escala de plantão. Segundo o corpo clínico, um único plantonista é responsável por atender todas as intercorrências dos pacientes internados nas três alas do hospital - a semicrítica, a de demandas espontâneas na porta do hospital e avaliação no setor Hospital Dia (exames e medicação).

Entre os pontos, há sobrecarga de funções, o que resulta no direcionamento de especialistas em clínica médica para suprir outras áreas sem profissionais, caso da pediatria.

“O HDT é um hospital terciário que possui 3 andares com 3 Alas de internação, fora isso ainda possui mais 1 setor de Hospital Dia onde são feitas medicações, uma ala semicrítica com 3 leitos (muitas vezes com pacientes intubados), setor de regulação e pronto atendimento. E por mais absurdo que pareça frequentemente é colocado apenas 1 profissional médico para ficar responsável por todas essas alas, por todos os pacientes internados, regulação e mais pelo pronto atendimento, sendo que o perfil de pacientes do hospital são doenças infectocontagiosas graves, pacientes portadores de HIV em estágio AIDS, COVID, Meningite, Tuberculose, Influenza, sendo frequente que esse único plantonista tenha que escolher quem salvar em eventuais intercorrências durante o plantão. Ocorreram inúmeras tentativas de diálogo com a direção e superintendência do hospital por vários profissionais médicos, mas sem sucesso”, relatou um médico do hospital.

O presidente do Simed-TO, Dr Reginaldo Abdalla, afirma que, em razão da competência ministerial, pediu ao órgão que adote medidas para coibir as práticas relatadas dentro do hospital. "São práticas lesivas, ilegais e causam transtornos à equipe médica, violam os direitos constitucionais e trabalhistas e acarretam em prejuízo na qualidade dos serviços prestados à população".

O QUE DIZ O HDT?

"O HDT-UFT informa que não recebeu nenhuma comunicação oficial do Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins nem do Ministério Público Federal sobre o assunto em questão. De toda forma, o Hospital Universitário adianta que as escalas seguem o dimensionamento da força de trabalho proposto para a instituição.

Apesar dos desafios impostos pelo surto atual de doenças virais e pelas limitações financeiras, segue padrões rigorosos de qualidade, que são reconhecidos pela população atendida pelo hospital. Também é submetido a uma auditoria permanente sobre todos os processos de gestão, inclusive a elaboração de escalas médicas.

Entretanto, com o aumento da taxa de ocupação do hospital, de apresentação de atestados médicos e outros afastamentos, de pedidos de demissão, da baixa quantidade de médicos nas listas de espera de concurso e da necessidade de observar os procedimentos e prazos legais de contratação, a gestão tem concentrado esforços para contratar mais profissionais médicos.

O Hospital de Doenças Tropicais acrescenta que, além dos plantonistas, possui médicos prescritores e uma equipe de especialistas em diversas áreas da medicina. Possui, também, médicos residentes nas especialidades de Clínica Médica e Infectologia e Internos e Alunos de graduação em Medicina da UFNT. Esclarece, por fim, que tem realizado reuniões entre o corpo clínico e as chefias para o esclarecimento de eventuais questionamentos e demonstração das providências que estão sendo tomadas".

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2024 AF. Todos os direitos reservados.