Polêmica

Coletivo repudia nomeação de 'mulher branca' para a Secretaria de Igualdade Racial de Palmas

Entidade disse esperar que a prefeita de Palmas reconsidere a nomeação.

Por Redação 621
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24/01/2024 17h31 - Atualizado há 4 meses
Secretária Cleizenir Divina ao lado da prefeita Cinthia Ribeiro

O Coletivo Feminista de Mulheres Negras do Tocantins - Ajunta Preta, manifestou preocupação e repúdio diante da nomeação de uma "mulher branca" para o cargo de secretária de Políticas Sociais e Igualdade Racial da Prefeitura de Palmas. 

O Movimento Negro Unificado (MNU Tocantins) também criticou a decisão da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB).

A nomeação da educadora Cleizenir Divina dos Santos foi publicada no Diário Oficial do Município da última segunda-feira (22).

Para o coletivo, a nomeação "ignora a importância de designar pessoas negras para a condução de estruturas públicas que tem como missão promover a igualdade racial, considerando que representatividade é fundamental para abordar as desigualdades históricas e estruturais enfrentadas pela comunidade negra em nossa cidade".

"É imperativo que as vozes das mulheres negras sejam ouvidas e respeitadas, especialmente quando se trata de decisões que impactam diretamente nossas vidas e realidades. Acreditamos que a escolha de uma liderança que compartilhe a vivência e compreenda as particularidades da população negra é crucial para garantir que as políticas adotadas sejam sensíveis às demandas específicas da nossa comunidade", diz a nota do Coletivo Feminista.

A organização disse esperar que a prefeita de Palmas reconsidere essa nomeação, buscando uma abordagem mais inclusiva e representativa, alinhada com os princípios da promoção da igualdade racial.

O Coletivo Feminista também se colocou à disposição para a indicação de nomes de mulheres negras com trajetória política e competência para liderar a pasta. A organização atua desde 2018 como frente de combate ao racismo e ao sexismo no Tocantins.

NOTA DE REPÚDIO DO PT

A Secretaria de Combate ao Racismo do PT-TO também divulgou nota de repúdio ao caso, e defendeu a nomeação de uma pessoa negra/indígena para a recém-criada pasta. Veja a nota:

"Em Palmas/TO recentemente a prefeita Cinthia (PSDB) criou uma Secretaria de Desenvolvimento Social e igualdade racial,  nomeando uma pessoa branca para chefiá-la. Tal situação causou revolta  e indignação no conjunto do movimento negro, pois se trata de afronta a toda  luta histórica por protagonismo negro nos espaços de poder cunhada por coletivos antirracistas de âmbito nacional, estadual e municipal.

Empiricamente sabemos que a maioria da população de Palmas é negra, e a ciência confirma essa informação com os dados do último censo do IBGE que diz que mais de 60% da  nossa população é formada por pessoas pretas e pardas. No alto escalão da gestão municipal essa diversidade é sub representada: a maioria dos secretários municipais são brancos! Contudo, entendendo a existência do racismo e tensionadas/os pelo movimento negro, alguns chefes do poder executivo têm criado secretarias específicas para combater as desigualdades raciais existente em nossa sociedade.

No caso de Palmas, o racismo estrutural prevaleceu quando, mesmo diante de figuras negras competentes e experientes na temática de combate ao racismo, preferiram manter o prisma da hierarquia racial e nomearam uma pessoa branca para tal cargo. No Brasil, por muito tempo vigorou o mito da princesa salvadora para referenciar a Princesa Isabel como a grande expoente da abolição da escravidão em 1888. A nossa cultura seguiu endossando a síndrome do isabelismo no decorrer do tempo ao sempre procurar retratar os/as negros/as de forma passiva, a procura  de uma pessoa branca  heróica que acabaria com o fim do sofrimento da população negra. Hoje sabemos que tal ideologia serviu para paralisar a luta do povo negro de diversas formas e dificultar o surgimento de uma consciência racial revolucionária,  tal como ocorrera no Haiti no século XVIII e como nos EUA  nos anos de 1960.

É compreendendo todo esse contexto de colonização, opressão e silenciamento das lutas antirracistas protagonizadas por negros em nosso país, que o movimento negro reivindica os espaços de poder como forma de construir legitimamente uma reparação histórica e dignidade ao povo negro. Querer combater ao racismo sem dar protagonismo ao povo negro é um cinismo histórico que não admitiremos que ocorra mais.  

Palmas é negra, e queremos conduzir com nossas próprias mãos as políticas públicas direcionadas ao nosso povo. Diante disso, nós da secretaria estadual de combate ao racismo do PT/TO enfatizamos:

Nada de nós sem nós, pois como já diz o hino do maior movimento negro organizado do Brasil (MNU): “E se poder é bom, Negro também quer o poder, cantando em alto e tom, Negro também quer o poder”.

Secretaria de Combate ao Racismo do PT-TO
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