Tocantins

Pesquisadores da Rússia visitam o HDT e se encantam com árvores fossilizadas: 'nunca vi nada igual'

Visitas fazem parte da programação de acordo de cooperação técnica entre UTMN e UFNT.

Por Redação 1.214
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27/05/2024 14h26 - Atualizado há 3 semanas
Comitiva no HDT de Araguaína

Notícias do Tocantins - Professores e representantes da Universidade Estadual de Tyumen (UTMN), da Rússia, visitaram o Hospital de Doenças Tropicais (HDT) em Araguaína e o Monumento Natural das Árvores Fossilizadas (Monaf), em Bielândia, distrito de Filadélfia, neste domingo (26).

No HDT, a visita técnica teve o intuito de conhecer a estrutura e o perfil de atendimentos do hospital universitário, bem como as áreas de pesquisas desenvolvidas para facilitar o intercâmbio de conhecimentos, expertise e recursos entre as instituições, dando a oportunidade de colaborações entre diversas áreas de interesse mútuo como pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, intercâmbio estudantil e diversos programas acadêmicos.

Na ocasião, a gerente de Atenção à Saúde do HDT-UFT, Andrielly Gomes de Jesus falou sobre a prevalência dos atendimentos em doenças infectocontagiosas e parasitárias, porém citou que o hospital trabalha para ampliar o perfil para um hospital geral.

Já a chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica em Saúde, Patrícia Mendonca, citou os programas de incentivo a pesquisa e inovação da Ebserh e destacou as pesquisas científicas que estão em execução, bem como os interesses institucionais para desenvolvimento de pesquisas clinicas com a UTMN nas áreas de doença de chagas, leishmanioses, malária e outras possibilidades, assim como projetos de inovação em saúde.

Acordo de Cooperação Técnica

No sábado (25), a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), instituição a qual o HDT-UFT está vinculado, assinou o Protocolo de Cooperação Internacional Técnico-científico com a Universidade de Tyumen, um marco significativo para a expansão de ações de cenário internacional e para o fortalecimento das relações acadêmicas e científicas entre o Brasil e a Rússia.

O acordo estabelece as bases para uma colaboração abrangente em várias frentes, incluindo intercâmbio de pessoal acadêmico e de pesquisa, intercâmbio de estudantes, desenvolvimento de projetos de pesquisa conjunta e programas educacionais duplos, entre outros.

O acordo também contempla a realização de projetos de pesquisa conjuntos em diversas áreas de interesse, tais como:

  • Estudos de biodiversidade e monitoramento de gases de efeito estufa no estado de Tocantins, com foco na construção de uma base de pesquisa compartilhada e estudos microclimáticos, ecofisiológicos de plantas e ciência do solo.

  • Projetos de biossegurança humana, animal e vegetal, com ênfase no estudo de patógenos e seus vetores, bem como no desenvolvimento de métodos para controlar riscos biológicos.

  • Estudos sobre os direitos dos Povos Indígenas da Amazônia diante das mudanças globais, incluindo comparações interculturais com os povos da Sibéria.

  • Cooperação em psicologia, pedagogia e estudos influenciados pela herança do Dr. Lev Vygotsky.

  • Promoção de estudos da língua portuguesa, literatura brasileira e russa, e intercâmbio de professores para compartilhamento de metodologias de ensino.

  • Colaboração em estudos de danças típicas, balé clássico e treinamento esportivo, com foco em educação física, por meio de intercâmbio de alunos e professores e compartilhamento de metodologias de ensino. 

Monumento Natural das Árvores Fossilizadas (Monaf)

No Monaf, o supervisor Hermísio Alecrim Aires conduziu a visita, que foi iniciada pela sede da Unidade de Conservação (UC) e concluída na zona histórico-cultural, no Afloramento de Fósseis Vegetais - Buritirana.

Hermísio apresentou a UC à comitiva numa contextualização sobre sua localização, categoria, importância histórica e científica, assim como o principal atrativo que são os afloramentos de fósseis.

A comitiva da universidade russa foi liderada pelo vice-reitor Andrei Tolstikov, que elogiou a qualidade do material fóssil presente na localidade. “Estou tremendamente chocado com a grandeza, a importância e a qualidade do material fóssil vegetal que vi aqui. É imensurável! É um lugar com um cenário espetacular e singular. Certamente temos aqui um dos maiores patrimônios de fósseis de árvores do planeta. Nunca vi nada igual. Nunca tinha presenciado fósseis assim em toneladas. Certamente não consigo mensurar ainda, quão importante para a história natural da terra são esses registros aqui ao alcance de todos. São incríveis esses registros fósseis de um período tão remoto da história do planeta terra. O que vi aqui é muito importante para a comunidade científica mundial, para o Brasil e também para todas as nações, conhecer e entender o que aconteceu ainda na Pangeia”, declarou.

Sobre o Monaf

Há alguns milhões de anos, o Tocantins abrigou uma floresta que hoje é considerada um dos maiores registros de vegetais fossilizados do mundo.

O Monaf, sob gestão de Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), recebe este nome em função da existência dos sítios paleontológicos e arqueológicos onde são encontrados os fósseis de árvores como pteridófitas, esfenófitas, coníferas e cicadácias. Os fósseis são chamados de “Pedras de Pau” pela comunidade local.

Esses fósseis são uma peça essencial do patrimônio científico mundial, de grande importância para estudiosos que investigam florestas, o clima e a ecologia planetária do período Permiano. Entre os elementos paleobotânicos do Monumento, as samambaias arborescentes são destaque. No Neopaleozóico, essas plantas se distribuíram amplamente pela Terra em comunidades de plantas higrófilas de terras baixas, com uma notável diversidade de padrões morfológicos, anatômicos, ecológicos e de crescimento. Os vegetais fósseis são encontrados em afloramentos que aparecem como "manchas" descontínuas pela área.

O alto índice de samambaias indica que a região central do Tocantins era uma planície costeira com um abundante sistema hídrico durante o período Permiano. O clima era tropical, mas apenas um estudo de campo mais detalhado poderá determinar se o ambiente era semelhante ao da Amazônia ou ao do Cerrado. Embora possa parecer que pouco mudou na região ao longo dos últimos milhões de anos, os chapadões indicam o contrário. Eles surgiram após a fossilização das árvores e provavelmente eram dunas de deserto que se transformaram em rochas, o que evidencia o valor histórico da Unidade de Conservação.

Pesquisadores no afloramento de fósseis vegetais - Buritirana, um dos maiores registros de vegetais fossilizados do mundo
Supervisor do Naturantins no Monaf, Hermísio Aires, conduziu a visita
Representantes da UTMN e UFNT durante visita ao Monaf,

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