Em busca de ajuda

Moradores com 'roupas inadequadas' são impedidos de entrar no plenário da Câmara de Araguaína

Os moradores estavam de short e pediam ajuda para evitar despejo do Setor Alto Bonito.

Por Márcia Costa 1.728
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11/09/2019 07h05 - Atualizado há 5 dias

Moradores do Setor Alto Bonito, em Araguaína, foram impedidos de fazer uso da tribuna na Câmara Municipal e alguns barrados na entrada do plenário da Casa de Leis.

Os moradores estão lutando para evitar o cumprimento de uma ordem de despejo já determinada pela justiça. 

Uma manifestante que pediu para não ser identificada afirmou que o presidente da Câmara, Aldair da Costa, Gipão, impediu a entrada de alguns moradores por estarem com roupas impróprias.

"Fomos à Câmara tentar conversar com os vereadores e não tivemos retorno. Na verdade, virou um fuziê. Muitos não puderam entrar porque estavam de short. Nós, de origem humilde, não sabíamos dessas regras, não sabíamos que para falar com os vereadores tínhamos que estar vestidos à altura deles", afirmou.

Quanto ao uso da tribuna, o presidente da Câmara explicou que o Regimento Interno prevê que o morador faça sua inscrição com antecedência. O uso de trajes adequados também consta na lei.

"A Câmara não tem nada a ver com a situação de vocês. É uma decisão judicial, já fizemos essa discussão com a comunidade. As pessoas que vieram para fazer baderna não têm espaço, mas quem veio para resolver problemas será ouvido”, disse Gipão.

A sessão foi suspensa e os parlamentares se reuniram com os manifestantes, mas nada foi resolvido. “Eles alegam que, como é uma área particular, nós tínhamos conhecimento e não podem fazer nada por nós. Simplesmente viraram as costas. Os vereadores não estão importando que o município investiu no local e centenas de moradores ficarão sem casas. Estão fechando os olhos para a realidade. São famílias que viverão ao relento e os vereadores não estão nem aí", lamentou a manifestante.

ENTENDA

Cerca de 600 pessoas moram na área em disputa judicial no Setor Alto Bonito. A ação começou ainda em 2002, quando o local era conhecido como Chácara Buriti. Uma imobiliária ganhou o processo em 2015 e não cabe mais recurso. 

Em 15 anos, o poder público fez vários investimentos no local, como construção de creche, Unidade Básica de Saúde, pavimentação asfáltica, iluminação e rede de água.

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