Mutum-pinima

Ave que passou 40 anos sem ser vista é localizada novamente durante expedição em terra indígena

A expedição ocorreu entre 20 de setembro e 2 de outubro em Bom Jesus do Tocantins, no Pará.

Por Redação 7.889
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09/10/2023 11h53 - Atualizado há 7 meses
Exemplares do Mutum-pinima (Crax fasciolata pinima)

Mutum-pinima (Crax fasciolata pinima), uma das espécies de ave mais ameaçada de extinção do Brasil, foi localizado durante a expedição do Plano de Ação para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio-Norte (PAT Meio-Norte), que tem a participação do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Sema-MA) e do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado do Pará (Ideflor-Bio).

A expedição ocorreu entre 20 de setembro e 2 de outubro no Rios Jacundá e Maria, na Terra Indígena Mãe Maria, ambos no município de Bom Jesus do Tocantins, na região sudeste do estado do Pará.

Além do Mutum-pinima, a expedição localizou outras seis espécies beneficiadas pelo PAT Meio-Norte. São elas: Azulona (Tinamus tao), Jacupiranga (Penélope pileata), Jacami-de-Costas-Pretas (Psophia obscura), Gavião-Real (Harpia harpyja), Tiriba Pérola (Pyrrhura coerulescens), Ararajuba (Guaruba guarouba) e Arapaçú-Barrado-do-Leste (Dendrocolates medius).

Segundo o coordenador da expedição, o ornitólogo e consultor ambiental Gustavo Helal Gonsioroski da Silva, do Laboratório de Ornitologia, do Centro de Estudos Superiores de Caxias/Universidade Estadual do Maranhão, a localização do Mutum-pinima é um evento importantíssimo para a fauna silvestre. Gonsioroski explica que, após 40 anos sem registro da espécie, um exemplar macho da ave foi avistado em 2013 no Rio Maria e que durante a expedição deste ano foram localizados vários exemplares macho e fêmea.

Gonsioroski revela que durante a expedição em que foram localizados os exemplares do Mutum-pinima foram realizados cinco registros da ave. Sendo três nas margens do Rio Jacundá e outros dois no Rio Maria  (dentro da Terra Indígena Mãe Maria), ambos em Bom Jesus do Tocantins (PA). Ele ressalta que, no total, foram documentados seis indivíduos, entre machos e fêmeas, sendo que um dos registros ocorreu fora da Terra Indígena Mãe Maria.

O coordenador da expedição explica que as próximas etapas incluem a busca por parcerias com outras instituições; avaliação da probabilidade de se levar exemplares da ave em cativeiro e elaborar um plano de manejo, além de trabalhar com a comunidade indígena para cessar a caça do Mutum-pinima, substituindo a ave por outro tipo de proteína. Ele já programa uma nova incursão nos Rios Jacundá e Mãe Maria para dezembro.

Conforme o biólogo do Naturatins Oscar Vitorino, expedições como essas são fundamentais na localização de populações de espécies ameaçadas, pois permitem o desenvolvimento de ações de educação ambiental, capacitações, entre outras medidas a serem adotadas no contexto dos Planos de Ação Territoriais para garantir a conservação das espécies ameaçadas de extinção.

Saiba mais sobre ações de conservação de espécies ameaçadas de extinção:

Sobre o Pró-Espécies

A estratégia nacional para a conservação de espécies ameaçadas de extinção Pró-Espécies: Todos contra a extinção é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Seu objetivo é adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão para minimizar as ameaças, o risco de extinção e melhorar o estado de conservação das espécies ameaçadas. Financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund), o projeto é coordenado pelo Departamento de Espécies (DESP/MMA) e implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), sendo o WWF-Brasil a agência executora.

O projeto trabalha em conjunto no Maranhão, Bahia, Pará, Amazonas, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo para desenvolver estratégias de conservação em 24 territórios, totalizando nove milhões de hectares. Prioriza a integração da União e Estados na implementação de políticas públicas, assim como procura alavancar iniciativas para reduzir as ameaças e melhorar o estado de conservação de pelo menos 290 espécies categorizadas como Criticamente em Perigo (CR) e que não contam com nenhum instrumento de conservação.

Sobre o PAT Meio-Norte

O Plano de Ação Territorial para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio-Norte (PAT Meio-Norte) é um instrumento desenvolvido para orientar as ações de preservação e redução de ameaças. A iniciativa busca desenvolver ações para melhorar o estado de conservação de espécies ameaçadas de extinção no Território Meio-Norte, que compreende os estados do Maranhão, Pará e Tocantins, no Bico do Papagaio.

O PAT Meio-Norte é coordenado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), juntamente com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Sema-MA) e Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado do Pará (Ideflor-Bio), no âmbito do projeto Pró-Espécies.

Para registrar a movimentação, foram posicionadas máquinas fotográficas e gravadores
Após 40 anos sem registro da espécie, a ave foi avistada em 2013 e agora em 2023
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