Saúde em debate

Artigo: O direito à saúde não tem sentido, sem um atendimento de boa qualidade

Dr. Alberto Aguiar é médico ortopedista e gestor em Saúde.

Por Colaboração do leitor
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20/04/2024 08h48 - Atualizado há 1 mês
Consulta médica a paciente.

Artigo | Dr. Alberto Aguiar

O direito à saúde é uma premissa fundamental em qualquer sociedade contemporânea, porém, sua efetividade depende crucialmente da qualidade do atendimento oferecido. Diagnósticos imprecisos, erros de medicação, tratamentos inadequados ou desnecessários, bem como instalações e práticas clínicas inadequadas ou inseguras são questões onipresentes em sistemas de saúde ao redor do mundo.

Um estudo recente conduzido pelo The Lancet, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, evidenciou que a má qualidade no atendimento de saúde resulta em um número significativamente maior de óbitos do que a falta de acesso aos serviços de saúde, especialmente em países periféricos de baixa e média renda. Entre os principais problemas identificados nesses contextos estão a falta de respeito, consultas rápidas e preconceituosas, e uma série de negligências decorrentes, tais como tratamento incompleto de doenças infecciosas e insuficiência na realização de cuidados pré-natais e medicina preventiva.

No Brasil, especificamente, o déficit na qualidade do atendimento contribui para um número de óbitos três vezes maior do que aqueles causados pela falta absoluta de acesso aos serviços de saúde. Diante desse cenário, torna-se imperativo considerar medidas eficazes para aprimorar a qualidade do atendimento e, consequentemente, reduzir os índices de mortalidade evitável.

Entre as soluções propostas para aprimorar o sistema de saúde brasileiro, destacam-se:

  • Investimentos contínuos em treinamento e capacitação de profissionais de saúde, visando atualização constante e aprimoramento de competências técnicas e práticas.

  • Aprimoramento da comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, através da adoção de estratégias que promovam uma interação mais eficaz e compreensível, com ênfase na transmissão clara e precisa de informações sobre diagnóstico, tratamento e cuidados preventivos.

  • Revisão e otimização dos fluxos de atendimento, levando em consideração as particularidades regionais e sazonalidades, com o intuito de assegurar uma distribuição eficiente de recursos e priorização adequada dos casos.

  • Incorporação de tecnologias inovadoras, como a telemedicina, para ampliar o acesso a serviços de saúde de qualidade, especialmente em regiões remotas e de difícil acesso.

  • Promoção e incentivo à medicina preventiva, por meio da realização de exames básicos e programas de rastreamento, visando a identificação precoce de condições de saúde e o encaminhamento para tratamento adequado.

Ademais, é essencial valorizar e estimular unidades de saúde que adotem práticas e ferramentas de gestão de qualidade, incluindo a realização de auditorias independentes, como meio de promover a melhoria contínua dos serviços prestados. Ao fazê-lo, não apenas se reduzirá a ocorrência de erros e incidentes adversos, mas também se proporcionará uma eficácia ampliada nos atendimentos e, consequentemente, uma melhoria significativa na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes.

Em suma, investir na qualidade do atendimento em saúde não apenas promove a excelência nos serviços prestados, mas também se revela como uma estratégia econômica e humanitária, contribuindo para a redução de mortes evitáveis e para a promoção da saúde e do bem-estar da população.

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