Palavra de especialista

Em entrevista, infectologista tira dúvidas e explica como saber se alguém já teve covid-19

Especialista responde dúvidas importantes da população sobre a doença.

Por Nielcem Fernandes 6.213
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20/08/2020 11h07 - Atualizado há 1 mês
O especialista esclareceu algumas dúvida e falou sobre a baixa qualidade dos testes disponíveis

Em meio ao avanço expressivo da pandemia causada pelo novo coronavírus em todo país, é importante que algumas dúvidas relacionadas à contaminação pela covid-19 sejam esclarecidas.

No Tocantins, já foram confirmados quase 40 mil casos da covid-19 (39.832) e 536 pacientes vieram a óbito por complicações causadas pela doença, de acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), nesta quarta-feira (19).

Tipos de Pacientes

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os pacientes contaminados pela covid-19 são divididos em três grupos: assintomáticos, pré-sintomáticos ou que têm sintomas leves. Uma das principais dúvidas da população é a respeito da transmissão da doença por pacientes assintomáticos, aqueles que não apresentam nenhum tipo de sintoma após a contaminação pelo novo coronavírus.

O AF Notícias procurou o médico infectologista Dr. Flávio Augusto de Pádua Milagres para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o assunto. Segundo o especialista, ao contrário do que muitos chegam a pensar, os pacientes assintomáticos podem realmente transmitir o vírus.

“A porcentagem de pacientes assintomáticos que contraem a doença é pequena, talvez 10% no máximo. Ainda não existe estudo que comprove esses dados. Esse paciente, durante o período que chamamos de ‘viremia’, um período curto de até 7 dias, pode sim transmitir a doença da mesma forma que o paciente que contraiu o vírus e não apresentou de imediato os sintomas da covid-19”, afirmou.

Tive ou não a Covid-19?

Outra dúvida bastante comum entre a população é saber se contraiu ou não a covid-19 uma vez que aproximadamente 80% dos pacientes contaminados apresentam apenas os sintomas mais levas da doença, o que segundo o especialista, pode dificultar o diagnostico de contaminação pelo novo coronavírus.

“Quase 80% da população pode apresentar sintomas de leves a moderados como dor de garganta, dor de cabeça, dores pelo corpo, mal estar, alteração da fezes e sensação febril. Esses quadros clínicos podem durar de três a cinco dias e estar relacionados a covid. A dificuldade no diagnóstico está associada à possíveis outras doenças como a dengue, que pode causar sintomas semelhantes. O ideal é que esses pacientes façam o teste PCR entre três a cinco dias do aparecimento dos primeiros sintomas. Esse teste irá procurar o agente viral. Caso o agente viral não seja identificado nesse período, o paciente deve fazer a partir do 14º até o 21º dia dos sintomas o teste sorológico para detectar a presença de anticorpos”, explicou.

Sintomas e doenças semelhantes

Para aqueles pacientes que não apresentaram nenhum tipo de sintoma relacionado ao covid-19, ou outras doenças como a dengue e as síndromes gripais, a única maneira de saber se esse paciente foi contaminado é a partir da realização de testes sorológicos. O problema nesse caso, segundo o especialista, é a baixa sensibilidade dos testes disponíveis no mercado.

Em pacientes assintomáticos é possível detectar a contaminação apenas por meio da testagem em série. Nestes casos, a contaminação só é confirmada a partir da realização dos testes sorológicos. O grande problema em identificar uma infecção passada está relacionado a qualidade dos testes atuais, o que chamamos de baixa sensibilidade. Ou seja, os testes disponíveis no mercado brasileiro não conseguem detectar anticorpos em baixa quantidade, apresentando um resultado ‘falso negativo’ para os pacientes que tem anticorpos, já foram contaminados o teste não detecta. Isso acontece também em pacientes que tiveram sintomas leves e que não desenvolveram anticorpos suficientes para serem detectados nos exames, mas que já estão protegidas”, esclareceu o infectologista.

Sangue tipo ‘O’ está protegido da contaminação?

Outro assunto que vem sendo discutido e que despertou a curiosidade da população é a relação do tipo sanguíneo e a gravidade dos sintomas da covid-19 em alguns pacientes. Além dos grupos de risco mais conhecidos, um estudo europeu iniciou um debate sobre o possível papel do tipo sanguíneo no agravamento do problema.

Os pesquisadores publicaram seus achados no prestigiado periódico The New England Journal of Medicine. Eles analisaram os genes de cerca de 4 mil pessoas. Entre elas, havia indivíduos com sinais graves, moderados ou leves da Covid-19, além de uma pessoal livre da infecção.

A ideia era encontrar alterações genéticas comuns aos casos mais sérios. De fato, os experts detectaram mutações semelhantes em seis genes do cromossomo 3, uma parte do DNA responsável pela imunidade e com papel na resposta inflamatória, que pode ser exacerbada na Covid-19. Entretanto, a descoberta mais curiosa envolveu os genes que determinam o tipo sanguíneo.

Ora, os portadores do tipo A, que são os mais frequentes na população, apresentavam um risco 45% maior de desenvolverem quadros mais graves. Em quem possuía o tipo O, o efeito foi oposto, o perigo caiu 35%. O fator Rh, que determina aquele sinal de positivo ou negativo do tipo sanguíneo, não foi avaliado.

Questionado sobre essa linha de raciocínio, o infectologista foi enfático: “não há estudo científico que comprove que determinado tipo sanguíneo é maios ou menos suscetível a contaminação pelo novo coronavírus”.

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