Reivindicando direitos

Greve de pilotos e comissários de voo começa na próxima 2ª nos maiores aeroportos do Brasil

Categoria pede reposição da inflação e ganho real no salário.

Por Redação
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16/12/2022 11h34 - Atualizado há 1 ano
Paralisação nacional vai afetar os voos neste final de ano

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) informou que pilotos e comissários de voo entrarão em greve nacional a partir de segunda-feira (19/12).

A categoria reivindica ajuste salarial das perdas inflacionárias e ganho real nos salários, de forma a compensar perdas acumuladas em dois anos de pandemia — que segundo o SNA, foi de quase 10%. Também faz parte da pauta de reivindicações questões relativas a de jornada de trabalho e folga.

A paralisação, que será por tempo indeterminado, ocorrerá sempre das 6h às 8h, nos aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza, os maiores do país. A medida deve gerar um efeito cascata de atrasos e possíveis cancelamentos de voos.

O motivo para a greve, segundo a categoria, é a “frustração das negociações da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho”. O acordo ainda está em discussão entre os sindicatos dos trabalhadores do setor e das empresas aéreas. A greve não atingirá voos com órgãos para transplante, vacinas ou pacientes em atendimento médico, assegurou o SNA.

Os aeronautas reivindicam recomposição das perdas inflacionárias, além de um ganho real nos salários e benefícios. O sindicato da categoria argumenta que os altos preços das passagens aéreas têm gerado crescentes lucros para as empresas. De janeiro a outubro deste ano, por exemplo, o preço médio das passagens subiu 35%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Os profissionais do setor aéreo reivindicam ainda melhorias nas condições de trabalho para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, como a definição dos horários de início de folgas e proibição de alterações nas mesmas, além do cumprimento dos limites já existentes do tempo em solo entre etapas de voos.

A paralisação deve atingir decolagens previstas para acontecer das 6h às 8h a partir do dia 19, nos aeroportos de Congonhas Guarulhos (SP), Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ) , Viracopos (Campinas/SP), Porto Alegre (RS), Brasília (DF) , Confins (BH) e Fortaleza (CE).

Decolagens com órgãos para transplante, vacinas e enfermos a bordo prosseguirão normalmente.

Em nota, o sindicato declarou que o setor aéreo vem se recuperando da pandemia, mas isto não se refletiu para quem trabalha nele, no caso, os tripulantes.

Confira a nota:

É importante destacar que as próprias empresas apontam em seus informes ao mercado, assim como também demonstram notícias publicadas na imprensa, que o setor aéreo vem se recuperando aceleradamente, com lucros maiores do que os do período pré-pandemia. Além disso, a procura por passagens aéreas aumentou e os preços impostos aos passageiros subiram drasticamente. No entanto, as empresas continuam intransigentes, se recusando a conceder uma remuneração mais digna aos tripulantes, além de propor que pilotos e comissários trabalhem mais horas. Os pilotos e comissários de voo do Brasil contam com a compreensão da sociedade e com o bom senso das companhias aéreas para evitar transtornos”.

O QUE DIZ AS EMPRESAS AÉREAS

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) divulgou uma nota oficial na noite desta quinta (15), em nome das aéreas. No texto, a entidade afirma que ofereceu reajuste de 100% do Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) para o piso salarial, mesma correção para as diárias nacionais, seguro de vida e vale alimentação, além da garantia da data base de 1º de dezembro e todas as cláusulas financeiras e sociais da Convenção Coletiva enquanto as negociações estivessem em curso. Até o momento, no entanto, o sindicato patronal informou não ter recebido contraproposta dos trabalhadores.

Sobre o aumento das passagens aéreas, a entidade argumentou o preço “foi fortemente afetado nos últimos anos por conta de pandemia, conflitos na Europa, desvalorização do real frente ao dólar e aumento do preço do petróleo”. Além disso, o SNEA enfatizou que o querosene de aviação (QAV) aumentou 118% na comparação com o ano de 2019 e hoje representa mais de 50% dos custos.
 

Greve será a partir de segunda, 19 de dezembro, e paralisação será por uma hora, todos os dias.

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