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Quais os segredos do sucesso do seriado Chaves? Patrimônio pode chegar a US$ 50 milhões

Redação AF - |
O personagem Chaves é o protagonista de um negócio crescente que mantém em alta a popularidade de seu criador, morto em 28 de novembro de 2014
O personagem Chaves é o protagonista de um negócio crescente que mantém em alta a popularidade de seu criador, morto em 28 de novembro de 2014

Há um ano, o mundo perdeu a genialidade do ator, comediante e diretor Roberto Bolaños (1929-2014), criador dos personagens Chaves e Chapolin. Desde então, os principais seriados dirigidos por ele não saíram da televisão em vários lugares da América Latina.

O personagem Chaves, por exemplo, é um dos mais conhecidos do continente. E o protagonista de um negócio crescente que mantém em alta a popularidade de seu criador, morto em 28 de novembro de 2014.

As marcas criadas pelos personagens de Bolaños estampam produtos como roupas, sapatos, mochilas e videogames.

Em 2012, a revista Forbes divulgou que, desde o fim da produção de Chaves e Chapolin em 1995, o grupo criado por Bolaños havia lucrado cerca de US$ 1,7 bilhões. Mas o filho do comediante, Roberto Gómez Hernández, afirma que essa cifra não é real.

“Isso significaria todo o lucro que a Televisa (canal de TV que transmitia os programas quase desde o início, em 1971) teve em muitos anos”, disse ele à época. “É impossível.”

Depois da morte do ator, alguns veículos de mídia afirmaram que o patrimônio acumulado por ele chegaria a algo entre US$ 15 milhões e US$ 50 milhões. Mas esses números nunca foram oficialmente confirmados.

Mas qual foi o segredo de Bolaños para criar um negócio tão bem-sucedido?

Empresário sagaz

A resposta é que Bolaños foi, além de diretor, um comediante popular e, mais do que isso, um homem de negócios eficiente e sagaz, segundo especialistas.

Primeiro porque conseguiu criar um produto especial, com suas próprias características, e oferecer algo que nenhum outro programa de TV tinha.

Outro elemento foi a decisão de exportar o programa a outros países da América Latina. Isso elevou muito o número de telespectadores que, no ápice do programa, chegou a 91 milhões de pessoas por dia, segundo a Forbes.

Mas o fator mais importante foi que muitas pessoas no México e na América Latina se identificaram com a vida das pessoas na vila do Chaves. As histórias dos personagens se pareciam muito com as das famílias que assistiam ao programa.

O consultor Carlos Flores destaca que isso criou um vínculo que garantiu a fidelidade do público. “Como consumidores, compramos de empresas ou pessoas que compartilham nossos valores, que ofereçam histórias que sejam um reflexo do que somos“, afirmou.

Quico e Chiquinha

Mas não foi só a estratégia comercial que ajudou o negócio que representa a marca de Bolaños. Desde o início, quando criou os personagens, o comediante registrou o nome de todos eles. Isso provocou alguns problemas com os companheiros.

Primeiro foi com Carlos Villagrán, que interpretava Quico, um menino rico da vizinhança com quem Chaves brincava – e brigava – frequentemente. Villagrán deixou o programa em 1978. Por força das restrições legais – o personagem havia sido registrado por Bolaños -, não pôde se apresentar como Quico sob nenhuma circunstância no México.

O ator acabou fazendo carreira na América do Sul com o mesmo personagem, a quem deu o novo nome de “Kiko”. Mas o maior problema aconteceu com María Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, que protagonizou uma disputa judicial pelos direitos da personagem.

No fim, houve uma espécie de acordo com Bolaños, segundo a atriz contou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, e ela passou a interpretar a garota sem pagar nada por isso.

Mas isso acabou tendo um custo. A Chiquinha não aparece na série “El Chavo Animado”, como acontece com os outros personagens.

Problemas de família

Não são todos, porém, que parecem estar contentes com o êxito do negócio, segundo a jornalista Victoria Tapia, especialista em espectáculos no México. Aparentemente, os problemas surgem em razão das instruções que Bolaños deixou sobre seu patrimônio.

“Para proteger a mulher de sua vida (sua última esposa, Florinda Meza), ele deixou para ela propriedades e dinheiro em contas bancárias”, explicou a jornalista. “Os lucros da série de animação são para os filhos dele, mas essa decisão não satisfez a atriz, que está disposta a entrar na Justiça por isso.”

O distanciamento com María Antonieta de las Nieves também permaneceu – ela diz não ter sido convidada para a cerimônia em homenagem ao primeiro aniversário da morte de Bolaños. “Florinda Meza continua sem fazer as pazes com ela”, afirmou Victoria Tapia.

Enquanto isso, o negócio criado por Roberto Bolaños segue seu curso, fazendo sucesso mesmo depois de sua morte. Neste ano, estreou a versão de animação do Chapolin Colorado.

Uol Conteúdo.

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