Norte do Estado

Líder quilombola é vítima de preconceito e intolerância de grupos políticos no Tocantins

Por Redação AF
Comentários (0)

31/05/2018 20h12 - Atualizado há 1 semana
A reta final da campanha eleitoral ao Governo do Tocantins ganhou um capítulo de preconceito, discriminação e intolerância religiosa, além de um péssimo exemplo de como não se deve fazer política. A vítima é Lucelina Gomes dos Santos, uma idosa de 88 anos, líder quilombola e devota do Divino Espírito Santo. Dona Juscelina, como é conhecida, é neta de escrava e lidera uma comunidade com 263 famílias quilombolas em Muricilândia, norte do Estado, reconhecida desde 2007 pelo Governo Federal. A casa dela é uma referência e atrai muitos visitantes. Nessa terça-feira (30), Dona Juscelina recebeu a visita do candidato a governador Vicentinho Alves (PR). A líder quilombola conversou, contou um pouco de sua longa história e rezou o Pai Nosso junto com o senador. Em seguida, começaram a circular nas redes sociais fotos com comentários racistas e preconceituosos, inclusive compartilhados por figuras públicas como o vereador de Porto Nacional, Geylson Gomes. "Após reuniões em Muricilândia, candidato a governador Vicentinho Alves vai a terreiro de macumba pedir despacho para ganhar as eleições", dizia o post. O comentário gerou revolta e repúdio da comunidade negra no Estado. Prefeito lamenta O prefeito da cidade, Alessandro Borges (PP) destacou que Dona Juscelina é uma referência e grande defensora dos direitos humanos, inclusive já reconhecida com o prêmio "Boas Práticas em Direitos Humanos do Tocantins". "É lamentável esse tipo de atitude e preconceito. Dona Juscelina é uma pessoa ilustre da nossa cidade. Intolerância religiosa e de qualquer natureza precisam ser banidas do nosso Tocantins e do Brasil", lamentou o prefeito. "A política passa. Os mesmos que estão atacando a Dona Juscelina amanhã estarão aqui pedindo a bênção dela. Todos os políticos que vem a Muricilândia passam primeiramente na casa da Dona Juscelina. Não é justo! Aqui é a casa de uma senhora, uma pessoa que cuida de mais de 263 famílias. Pedimos somente respeito a todos os quilombos do Tocantins", desabafou Alessandro Borges. A líder quilombola já recebeu visita até da Ministra de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, e de uma comitiva de Roma. Dona Juscelina também realiza na cidade o Festejo da Abolição e coordena programas sociais em prol da comunidade negra. Dona Juscelina chora Muito magoada e entristecida, Dona Juscelina chorou ao comentar o episódio de discriminação. "Fui parteira durante 25 anos, sou amiga dos evangélicos e de todas as igrejas. Recebo qualquer um na minha casa. Fui quebradeira de coco, não mereço aguentar uma 'defama' desse jeito. Chamar eu de feiticeira, macumbeira... Estou muito sentida e derramando lágrimas. Meu Deus é aquele do Céu, que morreu na cruz por nós todos", desabafou Dona Juscelina.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Nas Redes
Nosso Whatsapp
063 9 9242-8694
Nosso Email
redacao@arnaldofilho.com.br
Copyright © 2011 - 2018 AF Notícias. Todos os direitos reservados.