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Diretor da Dracco é exonerado depois de prender empreiteiro suspeito de corrupção no Tocantins

A empresa Brasil Pavimentação recebeu R$ 16,7 milhões em 2018 e mais R$ R$ 6,1 milhões neste ano.

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05/11/2019 10h43 - Atualizado há 1 semana
Delegado Evaldo de Oliveira Gomes

O delegado Evaldo de Oliveira Gomes foi exonerado do cargo de Diretor de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) horas depois de prender um empreiteiro suspeito de corrupção e fraudes em contratos de obras do Governo do Tocantins e prefeituras do interior. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado na noite desta segunda-feira (4).

A nova diretora da Dracco é a delegada Cintia Paula de Lima, ex-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepol) e aliada da deputada Luana Ribeiro (PSDB), que nega interferência na indicação.

Evaldo já foi titular da DEIC em Araguaína e atuava como diretor da Dracco desde julho. Ele recebeu o comunicado de exoneração pessoalmente do secretário da Segurança Pública Cristiano Sampaio.

Apesar da coincidente exoneração com a operação que investiga contratos da Agência Tocantinense de Obras (Ageto) com a empresa Brasil Pavimentação, o secretário disse ao delegado que a dispensa é devido à notícia de um processo penal que ele responde desde 2004 por suposto recebimento de propina em Filadélfia.

A empresa Brasil Pavimentação recebeu R$ 16,7 milhões em 2018 e mais R$ R$ 6,1 milhões neste ano.

O empreiteiro é suspeito de fraudar a composição do asfalto aplicado nas obras, sem incluir todos os componentes previstos no contrato, para que o produto ficasse mais barato, perdendo, consequentemente, a qualidade dos serviços.

+ Empreiteiro de SP é preso no Tocantins suspeito de fraudar obras públicas do Governo e municípios

SINDEPOL SAI EM DEFESA

Conforme o sindicato, desde 2004 o delegado aguarda o deslinde de um processo "baseado em acusações infundadas".

"Não houve condenação em âmbito administrativo e tampouco judicial. O que aconteceu foi uma tentativa de perseguição, com aplicação pela corregedoria de pena de suspensão que posteriormente foi anulada pelo Poder Judiciário em razão de haver vícios no processo", afirma o Sindepol.

Ainda segundo o sindicato, a "perseguição" contra o delegado deu-se justamente em virtude da sua atuação firme, técnica e eficaz. "Infelizmente, é prática comum dos investigados tentar atacar a honradez dos atos de seus investigadores como meio de conturbar processos, desviar o foco e atrapalhar as investigações", diz.  

O QUE DIZ O GOVERNO 

"A Secretaria de Estado da Comunicação esclarece que o cargo em comissão de diretor da DRACCO – Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, é de livre nomeação e exoneração. Ressalta-se ainda que eventuais ajustes são normais na Administração Pública. 

Cabe destacar que o ex-diretor não é o delegado responsável pela operação ocorrida na referida data, portanto, não cabe nenhuma associação entre os referidos acontecimentos. Considera-se ainda o fato do ex-diretor responder Ação Penal de nº 5000006-11.2008.827.2718, por suspeita de corrupção, o que inviabiliza sua manutenção no referido cargo em comissão, devido o mesmo ser destinado justamente à repressão à corrupção e combate ao crime organizado".

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