Direto ao Ponto

Arnaldo Filho

redacao@afnoticias.com.br

Eleições 2020

Farra das pesquisas e 'erros' absurdos marcam as eleições 2020 no Tocantins e no Brasil

Erros crassos e imperdoáveis foram registrados em Palmas e Araguaína.

Por Arnaldo Filho 1.206
Comentários (0)

01/12/2020 10h01 - Atualizado há 1 mês
Até quando o eleitor irá conviver com essa farra?

Com o fim das eleições 2020, em 1º e 2º turno, é necessário direcionar um olhar mais atento aos números divulgados pelos mais variados, conhecidos e desconhecidos, institutos de pesquisa. Por exemplo, nas projeções para o segundo turno nas grandes capitais, o Ibope errou em São Paulo (SP) com Guilherme Boulos (PSOL), quando previu que ele teria 47% dos votos, mas obteve apenas 40%; em Porto Alegre (RS), que Manuela D’avila (PCdoB) teria 51%, no entanto, ficou nos 45%; em Recife (PE), que Marília Arraes (PT) teria 50%, porém, conseguiu apenas 43%; por fim, em Fortaleza (CE), que o referido instituto apostou que Sarto Moreira (PDT) teria 61%, mas obteve 51%.

Os três primeiros (Boulos, Manuela e Marília) perderam as eleições e apenas Sarto obteve êxito. Todavia, é necessário frisar que erros desta natureza poderiam ter afetado o resultado das eleições. Infelizmente, o eleitor brasileiro ainda tem o péssimo hábito de se deixar influenciar e acabar votando naquele candidato que "vai ganhar" ou que "está à frente" nas pesquisas.

Em Palmas, Instituto chegou a prever empate técnico entre Eli e Cínthia

No Estado do Tocantins não houve segundo turno em nenhum município, visto que nenhum tem 200 mil eleitores ou mais. Porém, erros crassos e imperdoáveis foram registrados em Palmas, Araguaína, Colinas e em muitas outras cidades.

Na capital, faltando seis dias para as eleições, a empresa Lerigou Consultoria em Tecnologia Ltda apontou empate técnico entre o candidato Eli Borges (SD) e a prefeita reeleita Cinthia Ribeiro (PSDB). Segundo o Instituto, Eli teria 28% das intenções de voto; Cínthia, com 27%; Vanda Monteiro (PSL) e Tiago Amastha Andrino (PSB), empatados com 6% cada um, e o candidato Júnior Geo (PROS) estaria em quinto lugar com apenas com 5%.

A realidade na abertura das urnas revelou um fiasco completo. Cinthia Ribeiro fechou com 36% e Geo foi o segundo com 14%. Borges foi apenas o terceiro com 13%; Andrino com 12% e Vanda em 5º lugar com 8%.

No apagar das luzes, instituto apontou 'virada' histórica em Araguaína

Já em Araguaína, todos os cenários indicavam a vitória de Wagner Rodrigues (SD) sobre Elenil da Penha (MDB), entre os quais as pesquisas encomendadas pelo próprio portal AF Notícias, como também pela FIETO, através do Instituto Vetor.

Contudo, uma pesquisa foi divulgada na véspera da eleição com números totalmente desconexos da realidade. Segundo o instituto, Elenil venceria a disputa com 45,96% dos votos, enquanto Wagner teria apenas 41,62%.

Novamente, após a contabilização dos votos, a verdade veio à tona. Wagner foi votado por 50,8% da população que compareceu às urnas, enquanto o deputado emedebista ficou com apenas 37,25%. O instituto previu Elenil com 6% à frente, mas o candidato saiu com 13,5% atrás.

Gurupi

Também chama a atenção o que ocorreu um Gurupi, onde o Instituto Vetor apontou o candidato Gutierres Torquato (PSB) com 8 pontos à frente de Josi Nunes (Pros), na 1ª rodada da pesquisa, enquanto outros institutos mostravam um cenário de empate. Já na reta final da campanha, enquanto o Instituto RealTime Big Data e outros mostravam Josi na frente, o Vetor dava empate técnico, mas com Gutierres ainda na frente a dois dias da eleição. Contudo, Josi venceu com 8 pontos de frente.

Outros erros grosseiros aconteceram em várias cidades, inclusive nos pequenos municípios. Foi a maior farra de pesquisas eleitorais na história do Tocantins.  

É preciso acabar com essa farra de pesquisas!

As eleições 2020 só reforçaram a necessidade de uma intervenção do Poder Legislativo no sentido de alterar a lei que regulamenta a divulgação desses números no período eleitoral. Essa “farra” das pesquisas eleitorais precisa acabar ou pelo menos ter um limite! Essa falta de regulamentação, com rígidos protocolos e padrões, permite que tais números sejam manipulados ao bel prazer do contratante. Por consequência, o processo eleitoral resta contaminado, visto que o eleitorado pode ser induzido ao erro, beneficiando – por assim dizer – o infrator.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2021 AF Notícias. Todos os direitos reservados.