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Multimilionário de SP conta como virou suplente do senador Eduardo Gomes pelo Tocantins

Ogari Pacheco e mais sete executivos investiram R$ 2,1 milhões na candidatura de Gomes.

Por Arnaldo Filho 4.262
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07/08/2019 09h55 - Atualizado há 3 meses
Gomes (esq.) foi diplomado senador junto dos suplentes Siqueira (sentado) e Ogari Pacheco (dir.)

Quase ninguém sabe, mas o empresário multimilionário de São Paulo, Ogari de Castro Pacheco (DEM-TO), é suplente de senador pelo Estado do Tocantins e ele revelou em entrevista à Repórter Brasil como ganhou a vaga apesar de ser um desconhecido na política estadual. 

Segundo a reportagem publicada em fevereiro deste ano, dos 54 senadores eleitos em 2018, 9 lançaram mão de um velho hábito da política: indicar empresários endinheirados para a suplência.

A reportagem afirma que um deles foi Ogari de Castro, sócio-fundador da farmacêutica Cristália, que virou 2º suplente do senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Ele tem patrimônio declarado superior a R$ 407 milhões. 

Ogari Pacheco e mais sete executivos do laboratório Cristália investiram nada menos que R$ 2,1 milhões na candidatura de Gomes, o que representa 87% do total arrecadado pela campanha. Ele próprio foi responsável pela doação de R$ 1,5 milhão. “Eu vou ter dentro do gabinete do Eduardo um subgabinete. A responsabilidade pela saúde está comigo”, disse o empresário na entrevista.

As doações eleitorais são uma marca do laboratório sediado em Itapira, no interior de São Paulo. Nas últimas três eleições gerais, o grupo doou R$ 7,3 milhões para candidatos de 8 partidos, como PT, PSDB, MDB, DEM e PCdoB. 

Ogari Pacheco nega conflito de interesses nas doações do laboratório, mas revela que entrou para a política influenciado por interesses econômicos.

Confira o trecho da entrevista que diz respeito à negociação feita com Eduardo Gomes.

Qual foi a sua motivação para participar da eleição de 2018?

Estamos desenvolvendo um produto que exige estufas grandes com umidade reduzida. Tocantins é uma estufa natural. Procurando o melhor lugar para instalar [a nova unidade de produção], conheci o Eduardo Gomes, que procurou, através das lideranças políticas locais, oferecer algumas vantagens, como incentivo fiscal e doação de terreno. Isso não me seduziu. Conversa vai, conversa vem [ele disse]: ‘Você não se interessaria de fazer parte de uma chapa para o Senado da qual eu encabeço?’. Aí a coisa mudou de figura, porque faz tempo que a gente discute seja na Abifina, na Abiquim e no grupo FarmaBrasil questões do país e da indústria farmacêutica. A gente sempre critica que tem que eventualmente se valer de um intermediário para explicar o que você pensa. Nada melhor do que alguém da área que possa traduzir esses problemas. Foi isso o que me levou a aceitar a indicação para suplente do Eduardo Gomes.

Como suplente de senador, o senhor terá abertura para influenciar o mandato de Eduardo Gomes e a Frente Parlamentar da Química?

O Cristália é conhecido por sua liderança em inovação. Nós vamos inovar também na política. No acordo que eu tenho com o Eduardo [Gomes], ele é que vai tomar posse, mas eu vou começar a trabalhar já, não vou esperar assumir o mandato para trabalhar. Eu vou ter dentro do gabinete do Eduardo um “subgabinete”. As matérias de saúde vão ficar sob minha responsabilidade, e uma série de projetos que já estão em elaboração. Ele é que vai apresentar, porque ele tem a voz e o voto, mas vou apoiá-lo e subsidiar as informações necessárias para que ele tente aprovar esses projetos.

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