Denúncia

Adolescentes infratores denunciam tortura e agressões físicas no Case de Palmas

Um dos adolescentes foi agredido na cabeça e levou 11 pontos. A DPE realizou vistorias no local.

Por Raimunda Costa 1.824
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12/12/2018 15h38 - Atualizado há 3 anos
Jovem agredido

Adolescentes internos do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Palmas denunciaram graves agressões físicas por parte de agentes socioeducadores da unidade. 

De acordo com os adolescentes, as agressões aconteceram no domingo (09), data de um princípio de motim no Case.

Em vistoria realizada pela Defensoria Pública do Tocantins (DPE), nesta segunda-feira (10) e terça-feira (11), os jovens alegaram prática de tortura, agressões físicas e morais pelo coordenador do Case Palmas e alguns socioeducadores do plantão.

Os relatos de violência foram unânimes entre os internos, que ainda estão com marcas das agressões pelo corpo. Em alguns casos, ainda há ferimentos abertos e hematomas. Inclusive, um dos adolescentes levou 11 pontos na cabeça.

Conforme relatado pelos adolescentes, eles já estavam há algum tempo sendo oprimidos e ameaçados pela coordenação e por alguns socioeducadores. De acordo com a denúncia, eles são privados pelos agentes de usar produtos básicos de limpeza e higiene entregues por suas famílias.

O fato gerou reclamações por parte dos jovens e, segundo eles, não houve qualquer oportunidade de diálogo para resolver a situação.

Motim

Conforme os internos do Case, na noite do último domingo (09), os socioeducadores revistaram os alojamentos do Bloco “B”, retirando os adolescentes do alojamento para o banho de sol.

No alojamento B-3 foram encontrados três chunchos (arma artesanal), e durante a recondução dos adolescentes deste alojamento, foram iniciadas as agressões com socos, murros, ponta pés, uso de corrente com cadeado e algema.

Segundo os jovens, apesar da apreensão ter ocorrido no alojamento B-3, todos os alojamentos foram revistados e muitos adolescentes agredidos. Os gritos eram ouvidos pelos outros blocos que batiam nas portas para cessar as agressões.

Os adolescentes relataram que, neste momento, houve uma sessão de espancamento, segundo eles, iniciada pelo coordenador da unidade, com a participação de alguns socioeducadores do plantão e também outras pessoas do sistema socioeducativo, mas que não atuam no Case.  

Os adolescentes relataram que uma dessas pessoas que foram chamadas sem estar no plantão estaria com sinais que indicaram que ela poderia estar alcoolizada.

Os adolescentes foram levados para fazer exames de corpo de delito e, apesar de relatarem os abusos praticados, temem por represálias. Ao todo, o Case tem, hoje, 38 adolescentes recolhidos.

OUTRO LADO

Ao AF Notícias, a Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) informou que desconhece as supostas agressões físicas e que é severamente contra maus tratos e agressões.

A pasta informou ainda que não foi notificada pela Defensoria Pública.

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