Gaeco e Polícia Civil

Em 2ª fase, operação prende líderes de fraudes no emplacamento de veículos no Tocantins

Esta é a 2ª fase da operação 'Dolos'. Três pessoas foram presas.

Por Redação 1.506
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17/06/2020 09h11 - Atualizado há 3 meses
Veículo apreendido na casa de suspeito

Três pessoas foram presas e três mandados de busca e apreensão cumpridos em Araguaína e Tocantinópolis durante a 2º fase da Operação Dolos, deflagrada na manhã desta quarta-feira (17).

Até o momento foram apreendidos cinco veículos de luxo e duas motocicletas. Dois suspeitos foram presos em Tocantinópolis e um em Araguaína. Os nomes não foram divulgados pela polícia. 

A operação foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFVRA) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público Estadual.

Conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a operação mirou os líderes e/ou mentores intelectuais de uma associação criminosa responsável por fraudes em emplacamentos e transferências no Tocantins de veículos automotores roubados.

A operação visa desarticular uma suposta organização criminosa de nível interestadual e juntar novas provas da sua atuação no que se refere à emissão de documentos aparentemente legais para carros roubados e furtados. 

A suspeita da Polícia Civil é de que o grupo tenha emplacado no Tocantins, de modo fraudulento, cerca de 300 veículos de origem ilícita.

Mandados

Entre os alvos dos mandados de prisão preventiva estão servidores de circunscrições regionais (Ciretrans) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), despachantes e empresários que atuam na área de emplacamento de veículos e despachantes situados nas cidades de Araguaína e Tocantinópolis.

Além dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedida, a Justiça autorizou também a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos supostos envolvidos.

Inquérito

A investigação policial é resultado de uma operação conjunta da equipe da DERFRVA e do Gaeco.

Conforme investigado, a organização criminosa tem sedes instaladas em Tocantinópolis e Araguaína e há anos vem cometendo crimes envolvendo fraudes de clonagens e emplacamentos fraudulentos de veículos automotores, mais precisamente caminhões de altos valores.

Segundo os delegados da DERFVRA, Rossílio Correia e Anderson Case, a conivência de servidores das Ciretrans fez com que os documentos falsos fossem emitidos de forma ágil e sem burocracia.

Esquema

Conforme o delegado da DRFRVA e integrantes do GAECO, a investigação aponta que a suposta organização seria especializada em legalizar a documentação de veículos roubados ou furtados em território nacional.

Para isso, abriam processo de primeiro emplacamento junto ao Detran-Tocantins, utilizando-se de chassi clonado, notas fiscais falsificadas e dados pessoais de vítimas que eram cadastradas como proprietárias desses automóveis. Servidores do Detran que supostamente integram a organização auditavam os processos e emitiam o Certificado de Registro de Veículo (CRV).

Ficou apurado nas investigações que por conta dessa ação fraudulenta, o proprietário do veículo original ficava impossibilitado de emplacá-lo, pois os falsários já tinham realizado o emplacamento de um veículo roubado com o chassi do veículo original pertencente à vítima. As investigações apontam que tudo isso é feito com nota fiscal falsa, comprovante de endereços falsos e em nome de laranjas.

Emplacamento

Para o processo de emplacamento, a organização teria como prática clonar o chassi de veículos novos, que por vezes ainda estavam na concessionária e que possuíam as mesmas características do automóvel roubado ou furtado.

Ao que tudo indica, os veículos não chegavam a passar pelo Estado do Tocantins, visto que não é necessária a realização de vistoria para o emplacamento de automóveis zero quilômetro.

As placas e os lacres eram enviados do Tocantins para os estados onde os veículos se encontravam, para que lá fossem afixados. Depois de “esquentados”, os automóveis estariam aptos para serem revendidos a terceiros.

O funcionamento da suposta organização criminosa foi investigado pela Polícia Civil e pelo Gaeco por meio de três inquéritos policiais. As apurações envolveram interceptações telefônicas e a quebra do sigilo do IP de computadores, devidamente autorizadas pela Justiça. A administração do Detran contribuiu com o andamento das investigações.

Detran

O Departamento de Trânsito do Tocantins (Detran-TO) esclareceu que a direção do órgão contribuiu com as investigações, ressaltou que a investigação é sigilosa e o órgão não pode fornecer informações.

O Detran-TO esclareceu ainda que continua à disposição para mais informações e que não compactua com atividades ilícitas desenvolvidas seja por servidores ou empresários e despachantes que trabalham junto ao órgão.

Caso seja comprovada a participação de algum servidor no esquema investigado, o Detran-TO informou que tomará as medidas administrativas cabíveis.

Dolos

O nome da operação, Dolos, remete à mitologia grega e faz referência à fraude, engano, astúcia e artimanha.

Apoios

A operação conta com apoio de policiais militares, policiais civis lotados junto ao Detran/TO, Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE) da Polícia Civil e equipes das Delegacia de Tocantinópolis e da 1ª Delegacia da capital.

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Esta é a 2ª fase da operação
Veículos apreendidos

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