Polícia Civil

Megaoperação é deflagrada no Tocantins após facção ameaçar matar juiz; são 29 mandados de prisão

Operação ocorre em oito cidades do Tocantins e em Campo Grande (MS).

Por Redação 3.394
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03/02/2020 08h16 - Atualizado há 8 meses
Operação no Tocantins

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta segunda-feira (3), a operação 'Praetorium Minati' em Palmas e em outras sete cidades do interior do Estado, além de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul,

O objetivo da operação é coibir a atuação criminosa de uma facção de renome nacional que teria, inclusive, ameaçado magistrados da Vara Criminal da Capital.

No Tocantins, a operação acontece simultaneamente nas cidades de Palmas, Paraíso, Guaraí, Tocantinópolis, Colinas, Oliveira de Fátima, Arraias e Nova Rosalândia. Na capital, a ação abrange inclusive o distrito de Taquaruçu.

Estão sendo cumpridos 29 mandados de prisão e outros 29 mandados de busca e apreensão. Um dos mandados de prisão está sendo cumprido no Presídio Masculino de Campo Grande (MS).

Cartas

Segundo o delegado Eduardo de Menezes, responsável pela operação, no dia 16 de janeiro de 2018 foi redigida uma carta escrita à mão, que teria sido, segundo o seu autor, transcrita (passado a limpo) dois dias depois.

O documento foi encontrado no Pavilhão B da Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP) em 18 de janeiro do ano passado. “O conteúdo do texto ora profere citações bíblicas com teor distorcido, ora ressalta que o autor precisa sair da unidade prisional a fim de que faça, segundo suas palavras, uma ‘união’ entre as facções”, explica o delegado.

 O delegado relata também que no texto manuscrito há uma ameaça a um magistrado da capital. “Chamou a atenção uma ameaça clara a um dos magistrados. Isso está visível no texto, como também durante o andamento das investigações. Em um dos trechos do bilhete, o autor escreve que, caso seja mantido enclausurado, o magistrado ‘queimaria no fogo do inferno’”, afirmou.

Eduardo de Menezes ainda afirma que em outro escrito apreendido, a morte de um Juiz de Direito também surge como um objetivo da facção. “No ponto, destaco que o criminoso responsável pela confecção do bilhete deixa claro aos seus destinatários que um adolescente de outro Estado seria recrutado para execução do ‘serviço’”, explica o delegado, ao ressaltar que no bilhete fica expressa a intenção de que a morte do magistrado traria respeito à organização criminosa.

Ataque

O delegado Eduardo Menezes informa que o bilhete sobre o possível ataque ao magistrado, de teor de enfretamento ainda mais aguçado, foi detectado a partir do encontro de diversas anotações também em uma das celas do Pavilhão B da Casa de Prisão Provisória de Palmas, “fruto do trabalho cotidiano dos agentes penitenciários, consistente em incursões nas áreas de custódia dos reeducandos”.

Organização

Para o delegado, todas as 29 pessoas com mandados de prisão preventiva estão interligadas e fazem parte de uma facção criminosa de renome nacional em atuação em todas as regiões do Tocantins.

Conforme Eduardo de Menezes, cada uma delas possui uma espécie de registro com número e apelidos ou alcunha, caracterizando-as como componente da facção criminosa, mas que dificulta a identificação pessoal. “Em alguns casos, o ‘registro’ do faccionado é inclusive alterado para dificultar a sua identificação”, aponta.

Ainda segundo o delegado, durante as investigações foi percebido que membros da facção apontam cerca de 500 pessoas no Estado em atuação na organização criminosa.

Atuação

Durante a investigação foi identificado que existem centenas de integrantes da facção em atuação pelo Tocantins. “O grupo é tão organizado que chega a fazer teleconferências entre os integrantes. Em determinado momento, os suspeitos falam em comercialização de drogas na Praia da Graciosa. E em outro, falam da comercialização de cocaína pura, esta com maior valor aquisitivo na comercialização”, afirmou.

Operação

Derivada do Latim, ‘Praetorium Minati’ faz alusão à ameaça ao judiciário, responsável pela condenação de suspeitos indiciados por tráfico de drogas, associação criminosa, entre outros.

Participam da operação cerca de 150 policiais civis, contando com o apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado – DRACCO, Divisões Especializadas de Repressão a Narcóticos – DENARC, Divisões de Homicídio e Proteção à Pessoa - DHPP, Delegacias Circunscricionais, do Grupo de Operações Táticas Especiais – GOTE e do Centro Integrado de Operações Especiais – CIOPAER.

Vídeo

 

Trecho da carta
Trecho do bilhete
Transcrição dos áudios
Suspeitos presos

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