OPERAÇÃO OLD WEST

Dona de empresa contratada pela Prefeitura de Gurupi está entre os 9 presos em operação no DF

Prefeitura disse que a empresa vencedora da licitação cumpriu todas as exigências do edital.

Por Eduardo Azevedo 1.760
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21/12/2023 15h46 - Atualizado há 4 meses
Sócia proprietária foi uma das nove pessoas presas na operação, realizada no último dia 20

A sócia-proprietária da empresa Isabelly Transportes e Comércio de Alimentos Ltda, recém-contratada pela Prefeitura de Gurupi (TO) para a prestação do serviço de transporte público coletivo, está entre os presos na Operação Old West, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal, nesta quarta-feira (20), para investigar um megaesquema de lavagem de dinheiro.

Com a repercussão negativa do caso, a Prefeitura de Gurupi decidiu suspender a ordem de serviço da empresa nesta quinta-feira (21). O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do dia 15 de dezembro. O valor é de R$ 2.160.000,00 (dois milhões cento e sessenta mil reais). A vigência é de 10 anos, contados da data da ordem de serviço. 

Inicialmente, a Prefeitura de Gurupi disse que a empresa vencedora da licitação cumpriu todas as exigências previstas no edital e que o contrato não tem qualquer relação com a operação policial realizada no Distrito Federal.

A empresa tem como proprietária Izabely de Paula Costa de Farias, de 23 anos. Ela foi uma das nove pessoas presas temporariamente durante a Operação Old West, por suspeita de envolvimento com corrupção e lavagem de dinheiro na região de Brazlândia, no DF, entre 2018 e 2023.

O suposto operador do esquema é o empresário Ronaldo de Oliveira, sogro de Izabely. Ele teria lavado cerca de R$ 31 milhões, segundo a polícia.

Saiba quem são os presos:

  • Ronaldo de Oliveira, 48 anos, empresário;
  • Soraya Gomes da Cunha, 39 anos, esposa de Ronaldo;
  • Paulo Victor Viegas de Oliveira, 24 anos, filho do meio do empresário;
  • Pedro Henrique Viegas de Oliveira, 27 anos, filho mais velho de Ronaldo;
  • Mirelly Gomes da Cunha, 31 anos, cunhada do empresário e irmã de Soraya;
  • Izabely de Paula Costa de Farias, 23 anos, nora de Ronaldo e esposa de Paulo;
  • Francisco Assis de Oliveira, 56 anos;
  • Elismar Donizete Borba, 54 anos; 
  • Adelino Medeiros II, 39 anos.

Audacioso e articulado, o bando teria conseguido cooptar um analista do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que recebia várias transferências bancárias para “cuidar” dos processos do empresário e advogar em defesa dos interesses da organização criminosa.

O servidor consultava processos e repassava informações sigilosas, segundo as investigações. O analista teve a prisão pedida pela PCDF, mas o Ministério Público se posicionou contrariamente ao pedido; por esse motivo, o nome do servidor não será divulgado por enquanto.

Ronaldo de Oliveira chegou a ficar três anos foragido da Justiça do Distrito Federal e com mandado de prisão preventiva a ser cumprido, entre 2018 e 2021. Ele foi detido em 12 de abril de 2021 por policiais do Grupo de Patrulhamento Tático (GPT), na cidade de Niquelândia (GO).

A engenharia criminosa é integrada por laranjas, empresas de fachada e uma intensa lavagem de dinheiro, sempre liderada pelo empresário Ronaldo de Oliveira, e incluiu até o filho dele, de apenas 3 anos à época dos crimes. 

Levantamentos feitos pela investigação mostraram que a criança tinha uma conta-corrente em nome dela e supostamente movimentou, entre agosto e outubro de 2019, pouco mais de R$ 1,5 milhão.

As operações na conta em nome do menino incluíam recebimentos e envios de valores, em rápido trânsito, por meio de depósitos em dinheiro, transferências eletrônicas e pagamentos. Por se tratar de pessoa com menos de 18 anos, o nome da criança não será divulgado.

O montante milionário creditado em nome do caçula do empresário ocorreu por meio de 20 transferências eletrônicas da conta da empresa Oliveira Transporte e Turismo. Outra parte do dinheiro teve como origem depósitos feitos por Paulo Victor Viegas de Oliveira, também filho de Ronaldo.

Nota da Prefeitura de Gurupi

"A Prefeitura de Gurupi informa que a assinatura do contrato com a empresa de transportes Isabelly, foi realizada após a análise de toda sua documentação, incluindo as certidões negativas necessárias para a formalização da contratação, depois da finalização do processo licitatório.

Importante esclarecer que, esse contrato com a Prefeitura de Gurupi NÃO tem qualquer relação com a operação policial realizada no Distrito Federal, envolvendo os proprietários da empresa.

A Prefeitura monitora a situação e analisará juridicamente todas as possibilidades em relação a essa contratação, cujos serviços estão previstos para início em fevereiro de 2024. A intenção da Gestão Municipal é que aconteça a efetiva prestação do serviço de transporte coletivo em Gurupi, obedecendo todos os trâmites legais".

2ª nota da Prefeitura de Gurupi - Suspensão de contrato

"A Prefeitura de Gurupi suspendeu a Ordem de Serviço referente ao contrato com a empresa Isabelly Transportes, assinado na última terça-feira, 19, por ter sido a vencedora da licitação para a prestação de serviço de transporte coletivo na cidade. O ato que oficializa a suspensão será publicado no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira, 21. 

A suspensão se dá devido os proprietários da empresa estarem envolvidos em investigação policial no Distrito Federal, deflagrada na quarta-feira, 20. A Ordem de Serviço permanecerá suspensa enquanto estiverem sendo realizados os estudos jurídicos que irão embasar a decisão definitiva sobre essa contratação".  

O outro lado

O AF Notícias também entrou em contato com a empresa Izabely Transporte solicitando um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno. O AF deixa o espaço aberto, caso os citados queiram se manifestar. 

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