Operação Reis do Gado

Empresários teriam repassado quatro fazendas no valor de R$ 60 milhões em forma de propina

Por Redação AF
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30/11/2016 09h02 - Atualizado há 2 semanas
As diligências já realizadas até agora no inquérito da Operação Reis do Gado apontam possível existência de "grande e complexa associação criminosa" organizada para a prática de crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, falsificação de documento público e de lavagem de dinheiro através do recebimento de vantagens indevidas de contratos firmados entre empresas e o Governo do Tocantins. É o que afirma a Polícia Federal, responsável pelas investigações. Segundo a Polícia Federal, os elementos inicialmente analisados apontaram indícios de corrupção ativa de Luis Pereira Martins (Luis Pires), que é proprietário das empresas Umuarama Construções e Agropecuária Umuarama, e Rossine Aires, que é dono da construtora CRT, ambos com residência em Araguaína. Eles teriam adquirido fazendas e posteriormente transferido ao governador Marcelo Miranda e secretário como vantagem indevida. Uma das transferências teria sido de uma fazenda (Morada da Prata – Altamira – PA) avaliada em R$ 19 milhões por Rossine, em setembro de 2009, em contrapartida de contratos firmados com a CRT em cerca de R$ 200 milhões. A Agropecuária Umuarama teria se beneficiado de repasses das empresas Táxi Aéreo Palmas e Aerotec Táxi Aéreo, que juntas receberam R$ 112 milhões do Governo do Tocantins. Os repasses seriam referentes a aeronaves sublocadas pelas empresas de táxi aéreo, por valores possivelmente superfaturados. Em contrapartida, entre 2005 e 2007, Luis Pires teria transferido para Marcelo Miranda, Brito Miranda e Brito Júnior as fazendas Ouro Verde e São José, localizadas no Município de Altamira (PA). Só a fazenda Ouro Verde estava avaliada na época em R$ 20 milhões. No mesmo período teriam sido transferidos também os imóveis que constituem as fazendas Triângulo/Santa Cruz, localizadas em Sapucaia (PA). O Ministério Público Federal estima que todos esses bens estariam avaliados em R$ 60 milhões. Já a escritura da Fazenda Ouro Verde teria sido lavrada em cartório em 2007, mas com data pretérita de 1990. O responsável por conferir suposta legalidade aos negócios, inclusive fazendo declarações à Receita Federal, seria o contador Alaor Junqueira, que já ocupou o cargo de diretor financeiro do Tribunal de Justiça do Tocantins. Em 2009, a Polícia Federal afirmou que a empresa de Rossine obteve “lucratividade exacerbada, distribuindo lucros correspondentes a 66,8% do faturamento”. Chama ainda mais atenção que 99,27% do faturamento total veio de órgãos do Estado do Tocantins.

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