Tocantins

Redução da jornada dos servidores para 6h trará impactos negativos à economia, afirma Fecomércio

Por Agnaldo Araujo
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08/10/2016 08h56 - Atualizado há 1 mês
Diante de rumores sobre redução da carga horária dos funcionários públicos estaduais para seis horas diárias, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins (Fecomércio), tem ouvido o apelo dos empresários sobre esta medida e elencado os impactos negativos para a economia e a agilidade dos serviços públicos no Estado. Segundo o presidente da Fecomércio, Itelvino Pisoni, a redução implicaria em diminuição no horário de atendimento para empresários e a comunidade em geral. “Nós somos conhecedores da situação do Estado e estamos propondo o diálogo para que toda a sociedade auxilie na solução deste impasse, porém, é preciso reavaliar esta estratégia de diminuir a carga horária para seis horas, tendo em vista que o atendimento nas repartições públicas será prejudicado”, disse. Itelvino ainda ressaltou que quem paga é a própria população. “Será difícil o atendimento em um regime de horário menor. Além disso, a redução de despesas não tende a ser substancial já que o salário dos servidores continuará o mesmo. Ou seja, os contribuintes terão menos agilidade e tempo para atendimento nos órgãos públicos, pagando pela carga horária de 40 horas semanais. É necessário buscar outras saídas para economia e corte de gastos”, explicou. Enquete em Palmas, Araguaína e Gurupi Uma enquete foi realizada pelo Instituto Fecomércio, com 64 empresários de Palmas, Gurupi e Araguaína e para eles, o impacto será negativo também para o comércio. Em Palmas, 53,3% disseram que esta redução afetará o setor. Em Gurupi, o total foi de 80%, e em Araguaína, 57,1% responderam que a redução traria impactos para o comércio. O presidente da Abrasel, José Ernesto Betelli, ressaltou que os restaurantes que abrem durante o almoço serão os mais impactados. “Os restaurantes sentiram uma queda em 2012 quando foi reduzida a primeira vez o funcionamento dos órgãos estaduais. As quedas vão de 10 a 30%, um porcentual muito alto. Os que mais sentem são as empresas de alimentação próximas à Praça dos Girassóis”, disse. Segundo ele, vários empresários estão relatando preocupação com relação a esta possível mudança. Outra preocupação do setor de comércio é a queda nas vendas durante os finais de semana. Para o empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa), Kariello Coelho, o horário permitirá que os funcionários realizem viagens nos finais de semana. “Com certeza é um risco em Palmas de que as ruas fiquem vazias a partir da sexta-feira caso o horário seja reduzido e seja pelo período matutino. A sensação das ruas será de cidade parada, sem movimento, diferentemente do horário de 8h. E já houve uma tentativa deste horário alternativo em outros governos, mas a própria população clamou para que fosse revertido em virtude da deficiência ocasionada em alguns setores”, expôs. Kariello ainda acrescentou. “Nós entendemos que existem outras alternativas, e estamos abertos para contribuir e dialogar com o governo para que saia dessa situação”, explicou. Na mesma linha, o empresário, vice-presidente da Faciet e diretor do Sinduscon, Fabiano do Vale, disse que o momento não é propício para esta medida. “Não é a hora de fazer essa redução da carga horária. É ruim para o comércio e as pessoas dependem do poder público, e essa redução acaba afetando. Neste momento todo mundo tem que estar ativo, o comércio tem que estar firme e junto com os servidores públicos e com o governo do Estado para sair dessa crise”, afirmou. As entidades entendem a necessidade do Governo Estadual em reformular a sua máquina administrativa, por isso estão solicitando uma reunião com o Governador Marcelo Miranda para se colocarem à disposição por meio do diálogo e expor ao Governador, dados sobre o impacto desta medida para a economia. (Ascom - Fecomércio)

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