Araguaína

Servidora que fumou por mais de 20 anos e perdeu mãe para o cigarro acha ajuda em grupo de apoio

Além do momento de falas, grupo ainda conta com palestras e atendimento médico individualizado.

Por Redação
Comentários (0)

01/03/2024 16h37 - Atualizado há 2 meses
A Secretaria da Saúde de Araguaína oferece o tratamento desde 2018

Notícias do Tocantins - Às quintas-feiras, na UBS (Unidade Básica de Saúde) do setor Araguaína Sul, dezenas de adultos se reúnem com o mesmo propósito: parar de fumar. Josirene da Silva é uma das 25 integrantes de um grupo de pessoas que, em prol da saúde e das pessoas que amam, tomou a decisão de largar o vício do cigarro.
 
A servidora pública conta que foi fumante por mais de 20 anos e, em 2017, perdeu a mãe para insuficiência pulmonar causada pelo tabagismo. De lá para cá, pensava e tentava largar o vício, até que no dia 8 de fevereiro deste ano ela conheceu o grupo e iniciou o tratamento.
 
“Tem sido maravilhoso, porque aqui tenho uma rede de apoio. Desde que iniciou, nunca faltei uma reunião. Antes eu parava de fumar por um tempo e voltava, porque sempre que enfrentava uma situação difícil, eu pensava que o cigarro seria uma saída para algum problema, mas isso é uma ilusão; na verdade é o contrário”, contou Josirene.

Josirene da Silva
 
 

Várias dependências

O cigarro pode causar três tipos de dependência: química, psicológica e comportamental, além de diversos malefícios para a saúde, conforme explica a médica Lívia Fernandes.
 
“Além do câncer, o uso da substância pode causar tuberculose, úlcera gastrointestinal, impotência sexual, infertilidade, complicações gestacionais, osteoporose, catarata, doenças cardiovasculares, enfisema, bronquite crônica, redução da capacidade pulmonar, problemas de pele e envelhecimento precoce, entre outros”, informou a médica.
 
A Secretaria da Saúde de Araguaína oferece o tratamento por meio do Grupo de Tabagismo desde 2018 nas UBS do Araguaína Sul, Setor Barros e Distrito Novo Horizonte. Também está previsto para iniciar mais dois grupos no Setor Couto Magalhães.

Como funciona o grupo?
 
Toda reunião possui uma roda de conversa que permite aos pacientes compartilharem suas experiências e a rotina sem o uso do cigarro. A cada encontro semanal, também é disponibilizado um profissional da equipe e um tema diferente é escolhido para uma palestra. Em seguida, eles são atendidos individualmente pela equipe multidisciplinar e recebem a medicação.
 
Na última quinta-feira (29/02), o tema foi “Alimentação Saudável”, e a nutricionista falou sobre a escolha de alimentos mais nutritivos, evitar utilizar a comida como recompensa durante o tratamento, ingerir mais água e assim minimizar o ganho de peso ou o desenvolvimento de outros problemas de saúde.
 
Precisa de ajuda?
 
A porta de entrada para o grupo é qualquer UBS da cidade. O morador interessado precisa procurar a unidade mais próxima da sua residência e relatar durante a consulta médica o interesse em parar de fumar.
 
Depois disso, o paciente passa por uma entrevista e entra para a fila do grupo, que inicia uma nova turma a cada seis meses. O serviço gratuito dispõe de uma equipe composta por farmacêutico, nutricionista, psicólogo, médico, psiquiatra, enfermeiros e educador físico.
 
Nágila Alves, enfermeira responsável pelo grupo na UBS Araguaína Sul, conta que a procura é voluntária e tem aumentado nos últimos três anos. “Antes tínhamos uma média de 15 pessoas, atualmente contamos com 25 pacientes e uma lista de espera, o que é muito bom, significa que as pessoas estão se conscientizando mais sobre os malefícios do tabaco para a saúde”, afirmou.
 
A abstinência é temporária, persista!
 
Os remédios disponibilizados no Grupo de Tabagismo ajudam a reduzir os sintomas de abstinência provocados pela ausência de nicotina, princípio ativo encontrado no tabaco. A médica ainda ressalta que os sintomas costumam melhorar ao longo do tempo à medida que o corpo se adapta à ausência da nicotina. “Tem duração média de duas a oito semanas, e a intensidade está relacionada ao grau de dependência”, explica Lívia. 
 
“Durante o período de abstinência, é comum sentir irritabilidade, ansiedade, impulsividade, depressão, redução da concentração, tonturas, cefaleia, inquietação, insônia ou hipersonia, aumento do apetite, formigamentos e/ou tremores, redução da frequência cardíaca e da pressão arterial”, complementou a profissional.
 
Os integrantes presentes na reunião do último dia 29 também acompanharam o depoimento da dona de casa Carmem Oliveira, que fumou durante 40 anos e depois de concluir as reuniões do Grupo de Tabagismo, está há 11 meses sem fumar. Segundo ela, a decisão trouxe benefícios para a sua vida.
 
“Dia 28 de março do ano passado foi o meu último cigarro, eu ganhei mais saúde e economizei o meu dinheiro, porque cigarro não é barato. Não é fácil parar, não se sintam envergonhados se não conseguirem da primeira vez, mas não desistam!”, contou Carmem.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2024 AF. Todos os direitos reservados.