Aparelhos quebrados

Vistoria aponta que 65% dos oxímetros nunca funcionaram e faltam leitos de UTI no HGP

Por Redação AF
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06/09/2018 08h54 - Atualizado há 2 anos
Oxímetros no HGP: apenas parte dos equipamentos está funcionando

Um total 17 monitores de oxímetro continuam com defeito no setor de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Palmas (HGP), o maior da rede pública estadual de saúde.

A informação foi repassada pela Defensoria Pública do Estado (DPE-TO) após uma vistoria realizada na última segunda-feira (3). O mesmo problema já tinha sido detectado ainda no ano passado.

O defensor público Arthur Luiz Pádua disse que esteve nos leitos de UTI e foi informado que dos 26 aparelhos existentes, 17 (65%) estão com defeito desde que foram instalados.

Conforme a DPE, a falta dos oxímetros prejudica a monitorização dos pacientes, uma vez que o aparelho mede a quantidade de oxigênio no sangue, fornecendo dados essenciais para avaliação e conduta procedimental respiratória para sucesso do acompanhamento clínico-funcional de pacientes.

“Isso é muito prejudicial aos pacientes, que já estão neste setor em situação gravíssima, pois não podemos atendê-los com excelência sem os aparelhos necessários”, disse um dos profissionais do Hospital.

A falta do monitor de oxímetro é um problema antigo do setor, detectada pela DPE-TO em vistoria ainda no mês de agosto do ano passado. Na época, 14 monitores de oxímetros estavam com defeitos, o que motivou Ação Civil Pública, proposta por Arthur Pádua. A Ação está na Justiça e aguarda julgamento.

Setor de UTI

A falta de manutenção de aparelhos é um dos principais problemas do setor de UTI, conforme identificou a vistoria. Segundo a DPE, no local há apenas dois cardioversores (direcionados para a liberação de estímulos elétricos no coração), porém, um está quebrado.

“Se dois pacientes derem parada cardíaca ao mesmo tempo, só temos como dar assistência a um”, denunciou outro profissional do Hospital.

O Defensor Público lembrou que muitas cirurgias de urgência e eletiva do HGP são canceladas por falta de UTI, quando – em muitos casos –  o que falta é apenas manutenção de aparelhos, prejudicando a assistência aos pacientes.

Os funcionários da UTI reclamaram, ainda, sobre a sobrecarga de trabalho dos profissionais da Enfermagem. De acordo com eles, de 11 profissionais indicados em cada escala, uma média de cinco atuam por plantão.

“Por conta da falta de equipe, muitos pacientes passam até mais de um dia sem banho porque não dá tempo de atender todo mundo. Sem falar que a sobrecarga de trabalho acarreta em problemas de saúde e há muitos enfermeiros de atestado”, revelou um membro da equipe.

Vistoria

A vistoria identificou outros problemas já antigos, como a falta de leitos de UTI, de insumos, materiais básicos e roupas adequadas para equipe médica, falta de cobertor, lençóis e déficit na assistência médica.

“Minha mãe é uma idosa e, como ela quebrou o fêmur, não tem nenhuma condição de mobilidade. Viemos de Natividade e já estamos há dois dias no corredor porque não tem vaga em nenhum quarto. Estou muito preocupada, minha mãe está sentindo muita dor e eu já nem sei mais a quem procurar”, disse Edna Araújo à Defensoria.

A vistoria também identificou que Geneci Gomes Bonfim, 72 anos, está há dois meses internada aguardando cirurgia por conta de um aneurisma. “Já me prepararam umas três vezes para a cirurgia com o jejum e tudo que precisava, mas em cima da hora cancelam. O que os médicos falam pra gente é que não tem UTI, mas não temos nem sequer uma previsão de quando vai acontecer”, declarou a paciente.

O OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que já realizou a manutenção em três (03) equipamentos, totalizando 12 equipamentos em funcionamento na data de hoje (6). Os demais aguardam peças para manutenção. Em outra frente, outros 12 novos oxímetros já foram adquiridos e serão entregues nos próximos dias.

A Secretaria disse também já foi autorizada a contratar novos servidores, bem como remanejar alguns integrantes do quadro para o atendimento aos setores prioritários.

A Secretaria de Saúde informou que está trabalhando para ampliar a ofertas de leitos de UTI, sendo que na próxima semana quatro novos leitos já estarão disponíveis e serão utilizados como leitos de retaguarda para a realização de cirurgias.

Ainda conforme a nota, a secretaria está trabalhando para manter as unidades e os serviços de saúde funcionando regularmente, inclusive na busca de recursos para a conclusão das obras de ampliação do HGP.

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