Pandemia

Brasil registra reinfecção do coronavírus com mutação E484K, 1º caso catalogado no mundo

A descoberta reforça a necessidade de manutenção das medidas de controle da pandemia.

Por Redação 531
Comentários (0)

09/01/2021 10h02 - Atualizado há 3 meses
É o primeiro caso catalogado no mundo

Um caso de reinfecção do novo coronavírus (SARS CoV-2) com a mutação E484K, detectada inicialmente na África do Sul, foi identificada em uma paciente brasileira de 45 anos moradora de Salvador, na Bahia. Este é o primeiro caso catalogado do mundo. A descoberta de pesquisadores brasileiros foi publicada em versão preprint e aguarda revisão por pares na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

De acordo com pesquisadores do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), que identificaram a reinfecção, a paciente não tinha comorbidades e foi infectada pela primeira vez em 20 de maio. O segundo episódio aconteceu em 26 de outubro, sendo mais severo nos sintomas do que a primeira ocorrência. Ambos os diagnósticos foram confirmados por testes RT-PCR e, após a segunda ocorrência, quatro semanas depois, a paciente passou por um teste de IGg com confirmação de anticorpos.

“Trata-se do primeiro caso de reinfecção por SARS-CoV-2 no Estado da Bahia, confirmado por sequenciamento. Foi observada, na sequência genética do vírus presente no segundo episódio, a mutação E484K, que é uma mutação identificada originalmente na África do Sul e tem causado muita preocupação no meio médico, pois ela pode dificultar a ação de anticorpos contra o vírus. Esta mutação foi recentemente identificada no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez, em todo o mundo, em que é associada a uma reinfecção por SARS-CoV-2”, explica Bruno Solano, pesquisador à frente do estudo, realizado na unidade regional do Instituto, no Hospital São Rafael, em Salvador.

A partir do isolamento dos vírus em laboratório, os pesquisadores realizaram a análise genômica das cepas do primeiro e segundo episódios de infecção para compará-los entre si, e também para associá-los com outras sequências de vírus isolados no Brasil e no mundo. Estas análises permitiram concluir que a paciente apresentou, em um intervalo de 147 dias, dois episódios de Covid-19, cada um provocado por vírus de linhagens diferentes, sendo que, no segundo momento, a análise de mutação demonstrou, pela primeira vez, um caso de reinfecção com uma variante viral abrigando a mutação E484K.

“A descoberta serve de alerta e reforça a necessidade de manutenção das medidas de controle da pandemia, com distanciamento social e a necessidade de acelerar o processo de vacinação, para reduzir a possibilidade de circulação desta e de possíveis futuras linhagens que, ao acumular mutações, podem vir a se tornar mais infectantes, inclusive para indivíduos que já tiveram a doença”, destaca o pesquisador.

Mutação do vírus

A mutação E484K faz parte de um grupo de variantes do SARS-CoV-2 que foram associados ao aumento da infecciosidade, uma vez que ela parece aumentar a ligação entre a proteína spike do vírus e o receptor do hospedeiro, e afetar a neutralização de anticorpos.

O grupo de pesquisadores contou com a colaboração de profissionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fiocruz para o estudo. Eles seguem investigando outros casos suspeitos de reinfecção para continuar monitorando a presença de eventuais outras variantes genéticas que possam estar circulando no país.

(Com informações do Correio Braziliense)

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2021 AF Notícias. Todos os direitos reservados.