Paranã

Casas centenárias são destruídas em centro histórico por causa das chuvas no Tocantins

Além das enchentes, cidade também sofre com a dengue.

Por Redação 508
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24/01/2022 16h10 - Atualizado há 3 meses
Casas do centro histórico não resistiram às chuvas

As constantes chuvas têm causado vários impactos nos municípios tocantinenses. Como em Paranã, na região sudeste do Estado, onde uma vistoria identificou uma série de problemas.

No centro histórico da cidade, por exemplo, sete casas foram destruídas. No local, a coordenadora do Núcleo Aplicado das Minorias e Ações Coletivas (Nuamac) de Palmas, defensora pública Letícia Amorim, conversou com vizinhos dessas casas e que também estão com suas residências com rachaduras e risco de desabamento.

As casas destruídas foram construídas em adobe e são centenárias. Conforme os moradores, a maior parte das casas caiu no dia 10 de janeiro deste ano, trazendo prejuízos materiais e patrimoniais. No momento da queda, nenhum dos moradores estava dentro das casas por estarem na zona rural ou em outras cidades.

"Eu, quando vi as rachaduras, corri e tirei meu irmão de casa e os móveis. Se a gente tivesse ficado mais alguns dias, nem sei se estaríamos aqui para contar história. É muito difícil porque essa casa é a história da nossa vida, aqui a gente nasceu e se criou", lamenta a mulher que teve a casa destruída pelas chuvas.

Até a sexta-feira (21), segundo os moradores, nenhuma vistoria havia sido feita pelos órgãos competentes para evitar a tragédia, tentar reparar os danos ou evitar que problemas semelhantes sejam repetidos.

"É muito triste ver as condições de um local, que tem tanta história, tão deteriorado. Por sorte, nenhum dos moradores estava nas casas, mas os prejuízos são muitos e uma posição urgente precisa ser tomada para que o caos não seja maior e mais casas sejam derrubadas", declarou Letícia Amorim.

A vistoria foi realizada pela Defensoria Pública do Tocantins (DPE-TO) na sexta-feira (21).

Prefeitura

Durante reunião na prefeitura local, o problema foi relatado por Letícia Amorim ao prefeito Phabio da Farmácia e secretários municipais.

Conforme o prefeito, a gestão municipal está aguardando autorização dos moradores para a retirada dos escombros. "Muitos [moradores] têm coisas de valores sentimental e pediram prazo para a retirada dos entulhos. Então iremos aguardar a autorização", alegou o prefeito.

A Defensora Pública também cobrou vistoria técnica nas casas com rachaduras e assistência aos moradores prejudicados, o que, segundo a gestão, será providenciado. Além disso, a DPE-TO disse que irá solicitar apoio de universidades e engenheiros para elaboração de laudo técnico para que então outras providências também sejam tomadas em proteção aos moradores.

Alagamentos

Outra situação detectada são os alagamentos provocados por problemas no escoamento de águas pluviais. Conforme moradores, há alguns anos a lagoa da cidade teve parte aterrada e casas foram construídas no local. Com o excesso de chuvas, o solo encharca e a água brota, provocando erosões, pântanos e veredas, alagamentos e entupimento de canos e escoamentos das águas.

Uma mulher do bairro Setor Vila Nova, por exemplo, teve a sua casa alagada no final do mês de dezembro, perdendo móveis e eletrodomésticos. “A água subiu que bateu na cintura, foi quase uma semana para baixar a água de dentro de casa, mas o quintal continua muito alagado. Ainda não temos condições de morar aqui porque além de ainda ter muita água tem o mau cheiro do entupimento de canos que carregam o esgoto”, lamenta a jovem, que residia na casa com a mãe e a filha de três anos.

Com o crescimento desordenado na cidade, o problema gerou grande impacto ambiental e é visível em todos os bairros, com muitos esgotos a céu aberto e grandes poças de águas, ocasionado outros problemas como os muitos casos de dengue no município. “Quase todo mundo que eu conheço na cidade pegou dengue neste mês”, disse outro morador.

Conforme o prefeito, a prefeitura está buscando parcerias e recursos para a elaboração de laudos técnicos adequados para resolver o problema dos alagamentos, que já existe desde gestões anteriores.

O gestor municipal ouviu as ponderações da Defensora Pública que irão constar nas recomendações a serem expedidas e afirmou que novas providências serão tomadas com urgência em relação aos problemas dos alagamentos e às notificações de dengue no município.

Residência destruída
No momento da queda, moradores não estavam nas casas

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