Situação de alerta

Com risco de rompimento de barragem, famílias deixam casas em Formoso do Araguaia

No mesmo município, 75 indígenas estão com Covid em uma aldeia isolada.

Por Redação 2.752
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15/01/2022 09h51 - Atualizado há 1 semana
“É uma situação desoladora e muito triste a que encontramos”, lamenta a Defensora Pública.

O município de Formoso do Araguaia está vivendo uma situação preocupante em relação às enchentes, conforme relatos da defensora pública Pollyana Lopes Assunção, que esteve na cidade nesta sexta-feira (14) em apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Conforme a defensora, a possibilidade de rompimento da barragem do projeto de irrigação Formoso e a situação de indígenas com covid-19 que estão isolados em uma aldeia são as situações de maior atenção no Município, localizado na região Sul do Tocantins, a 327 Km de Palmas.

Pollyana Lopes constatou que a Prefeitura de Formoso tem prestado assistência social às pessoas desabrigadas e também àquelas que insistem em permanecer em suas casas, apesar do risco de inundação com o aumento no volume de água no Rio que dá nome à cidade.

A região do Projeto de Assentamento (PA) Caracol II foi uma das vistoriadas pela Defensoria Pública com o apoio da Prefeitura. A região está bastante alagada e o acesso ao local só pode ser feito com o uso de barco. Apesar desse cenário, a maioria dos moradores dessa comunidade, muitos idosos, insiste em permanecer no local devido a preocupação com a propriedade e com os animais, que ficariam abandonados.

O conflito que envolve a decisão de deixar ou não as moradias é estampado no rosto de muitas dessas pessoas que demonstram muita preocupação não somente nas conversas que tiveram com a equipe da Defensoria Pública, mas até no jeito de olhar em torno da casa em que vivem e ver tanta água onde, antes da inundação, se via terra firme. “É uma situação desoladora e muito triste a que encontramos”, lamenta a Defensora Pública.

Indígenas isolados

Formoso do Araguaia é um município com muitas aldeias indígenas. Em uma delas, a Santa Izabel, existem 75 indígenas com covid-19, conforme informações da Secretaria Municipal da Assistência Social à Defensoria Pública.

O grupo está isolado pela dificuldade de acesso ao local e também porque não pode deixar a aldeia por estar infectado com o novo coronavírus, o que aumenta a situação de vulnerabilidade na aldeia.

A Defensoria Pública não conseguiu chegar até a Aldeia, mas diante da informação sobre a situação, decidiu oficiar outros órgãos a fim de verificar o que pode ser feito em conjunto para atender essas pessoas.

Risco iminente

A Secretaria Municipal da Assistência Social informou à Defensoria Pública que o risco de rompimento a barragem é iminente; caso isso ocorra, o Município pode ficar com pelo menos mil pessoas desabrigadas e/ou desalojadas. Cerca de 50 pessoas já deixaram suas moradias por questões de segurança e estão alojadas na casa de parentes e/ou de vizinhos.

Um abrigo provisório foi montado em uma escola municipal para receber famílias que tenham deixado suas casas ou que possam vir a deixar em razão de enchentes e/ou inundações. “Pudemos averiguar que o Município tem fornecido cestas básicas para essas famílias e monitorando-as com freqüência”, disse a Defensora Pública.

Apesar do apoio prestado pelo Município, Pollyana Lopes Assunção disse que vai atuar para que outros entes públicos, dentro de suas competências, possam ajudar o Município, já que, sozinha, a Prefeitura não terá condições de manter a o fluxo das atividades por muito tempo.

Ampla atuação

A vistoria da Defensoria Pública em Formoso do Araguaia integra as atividades de uma ampla atuação da Instituição nos municípios do Tocantins impactados com o grande volume de chuvas que ocasionam enchentes, inundações e alagamentos.

A ação itinerante específica para atender as pessoas impactadas com os efeitos das chuvas é uma iniciativa da Administração Superior da Defensoria Pública e realizada por meio de atuação conjunta dos Núcleos Especializados. A coordenação é da Superintendência de Defensores Públicos, que juntamente com os Núcleos, organiza o cronograma das atividades para que, de forma ágil e eficiente, defensoras e defensores públicos possam ter atendido todos e todas em situação de vulnerabilidade.

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