Rhenan Cauê

Do Tocantins, menino de 13 anos é destaque no Brasil ao criar projeto para recuperar córrego

O córrego recuperado é o Brejinho, afluente do rio Araguaia, no norte do Estado.

Por Redação
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15/07/2019 09h31 - Atualizado há 1 ano
Rhenan Cauê

Foi após um incêndio na chácara em que morava com a sua mãe na área rural de Araguatins, no norte do Tocantins, que Rhenan Cauê, de 13 anos, descobriu a vocação e a preocupação com o ambiente. “Fiquei bastante emocionado em ver os animais saindo de dentro da floresta. A tristeza dentro dos olhos deles me transformou”, disse.

Natural de Conceição do Araguaia (PA), o jovem se aproximou da natureza justamente ao se mudar para o Tocantins. Seis anos após o episódio, já habitante da área urbana, precisou elaborar um projeto para concorrer como representante de sua escola na etapa regional da Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente.

Rhenan desenvolveu, então, uma proposta de revitalização e recuperação do córrego Brejinho, afluente do rio Araguaia. “Nas minhas pesquisas, observei que o córrego Brejinho fez bastante parte da vida dos moradores, corta a cidade e deságua no Araguaia, uma das principais bacias hidrográficas do Brasil”, disse.

A ação incluía um mutirão de limpeza das margens, uma audiência pública com autoridades e moradores e o plantio de mudas. Para concretizá-la, no entanto, era preciso conseguir apoiadores.

Como a cidade é pequena, deu para ir de porta em porta, e consegui parceria com Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Ambiental, outras escolas, órgãos como a Naturatins”, afirmou.

Com esses parceiros, Rhenan organizou uma carreata que convidou a população para o mutirão realizado na sequência. O próximo passo foi a audiência pública, que discutiu o andamento do projeto. “Com isso, conseguimos o isolamento da área para o plantio das mudas”, relatou.

Sua capacidade de mobilização e liderança, bem como sua iniciativa, chamaram a atenção durante a conferência, e Rhenan foi escolhido como delegado para representar sua escola na etapa estadual. Foi para Palmas concorrer com mais de 180 escolas e ficou entre os 12 escolhidos para ir a Sumaré, no interior de São Paulo, para uma jornada de aprendizado com Edgard Gouveia.

Gouveia é fundador do programa Guerreiros Sem Armas, que incentiva jovens a serem mobilizadores e articuladores. O empreendedor social da rede Ashoka também é a cabeça por trás da Oásis, uma metodologia de brincadeiras sociais que engaja os mais novos.

Ele ensinou um modo de realizar tarefas importantes dos projetos de forma alegre, ou seja, lidar com problemas críticos da nossa sociedade, só que de forma divertida”, contou Rhenan sobre os aprendizados com Gouveia.

Ao voltar para o Tocantins, sua trajetória de mobilizador ganhou ainda mais impulso. O empreendedor social lançou um projeto chamado Primavera X, como uma forma de dar sequência aos ensinamentos da conferência.

Essa iniciativa funciona como uma gincana, em que os jovens precisam realizar missões que mostrem suas habilidades como mobilizadores. Mais uma vez Rhenan se destacou, e Gouveia o indicou para o programa Jovens Transformadores da Ashoka.

A iniciativa da ONG identificou, no Brasil, dez adolescentes de 13 a 20 anos que lideram causas, projetos e ações que impactam positivamente a sociedade brasileira. O líder do programa no mundo, Yashveer Singh, disse que essa é a melhor idade para se trabalhar o desenvolvimento de seres humanos transformadores –identificados pela Ashoka como changemakers.

O segundo desenvolvimento biológico da nossa mente e de nossas habilidades acontece entre 13 e 19 anos. Se alguém se tornar um transformador nessa idade, a chance de continuar sendo para o resto de suas vidas é muito alta”, afirmou Singh.

Um desses jovens reconhecidos foi Rhenan. Além de conseguir mobilizar um município para a importância de manter limpas as margens do córrego que corta a cidade, o projeto sob sua liderança ganhou tal forma que deve transformar o Brejinho em um parque ecológico “para toda a população voltar a utilizar a beleza dele”.

Do programa, ele espera aprimorar habilidades que já demonstrou possuir. “Quero me aperfeiçoar e aprender a ser como um mobilizador melhor porque a gente nunca é perfeito”. E para construir um “mundo belo para as próximas gerações que virão”, ele não tem dúvidas de quem deve tomar a frente. “Quem deve arrumar a bagunça que fizemos no meio ambiente somos nós mesmos.

Fonte: Folha de São Paulo.

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