Operação da PF

Ex-secretário teria usado aviões locados pelo Estado para passeios em Goiânia, aponta PF

Ex-gestor e familiares foram alvos de operação da Polícia Federal.

Por Conteúdo exclusivo AF Notícias 4.061
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19/07/2022 16h20 - Atualizado há 1 ano
Secretário teria adquirido imóvel em um condomínio de luxo em Goiânia

A decisão que autorizou a operação da Polícia Federal contra o ex-secretário estadual da Saúde, Edgar Tollini, narra em detalhes o suposto esquema criminoso que teria sido praticado durante a vigência do estado de emergência sanitária decorrente da pandemia de Covid-19 no Tocantins. O AF Notícias obteve acesso à decisão na íntegra.

Cerca de 26 policiais federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-secretário, à sua esposa Thaís de Carvalho Costa e ao seu sogro Geraldo de Carvalho, em Palmas e Goiânia. 

A operação ‘Voo de Ícaro’ foi autorizada pela 4ª Vara Federal Criminal do Tocantins, que determinou também o sequestro e a indisponibilidade de bens dos investigados até o limite do suposto dano ocasionado (R$ 13.780.681,70). Tolini foi secretário da Saúde de maio de 2019 até outubro de 2021.

Conforme a investigação, em 20 de julho 2021, um servidor público do Estado compareceu ao Departamento de Polícia Federal e relatou que teria informações sobre possíveis irregularidades e atos de corrupção perpetrados no âmbito da Secretaria de Saúde.

O informante, que não quis se identificar, afirmou que o então secretário de saúde estaria se utilizando de forma indevida da aeronave UTI-Móvel, exclusivamente, para seu transporte pessoal, partindo de Palmas com destino a Goiânia durante os finais de semana.

O servidor revelou ainda que do valor de R$ 500 mil mensais do contrato referente ao aluguel do Hospital Estadual de Combate à Covid-19 (HECC), metade dessa quantia, ou seja, R$ 250 mil, seria destinada aos gestores do Estado do Tocantins na forma de propina. Porém, o denunciante não apresentou provas do pagamento de propina.

A partir da denúncia, a PF passou a realizar diligências para apurar a veracidade e a viabilidade das informações prestadas.

Na ocasião da denúncia, o servidor apresentou áudios informando sobre viagens aéreas semanais, em que seriam transportadas malas, possivelmente, contendo dinheiro em espécie, possuindo como ponto de partida o Hangar do Estado do Tocantins.

Durante a investigação, a PF confirmou que, de fato, o ex-secretário da Saúde e esposa ausentavam-se de sua residência em Palmas com frequência, geralmente aos finais de semana, possivelmente se utilizando de transporte aéreo não comercial, fazendo possível uso de aviões de UTI aérea ou de aeronaves contratadas pelo Estado do Tocantins para transporte executivo, com o objetivo exclusivo de efetivar viagens de caráter pessoal.

“Os agentes da Polícia Federal realizaram uma análise minuciosa da rotina dos investigados LUIZ EDGAR LEÃO TOLINI e de sua esposa THAÍS DE CARVALHO em conjunto com o roteiro das aeronaves acima mencionadas e também levando em consideração a movimentação de voos domésticos no aeroporto de Palmas/TO. Essas diligências permitiram reunir fortes indícios de que, por diversas vezes, o casal investigado realizou viagens à cidade de Goiânia nos finais de semana, em horários compatíveis com voos realizados por aeronaves contratadas pelo Estado do Tocantins”, narra o relatório da PF.

Ainda conforme a decisão, identificou-se que o ex-secretário acessa o condomínio Portal do Sol Green, localizado em Goiânia, com determinada frequência, tendo em vista que no período analisado (01/01/2021 a 04/08/2021), foram registrados 32 acessos de entrada. Ainda, no mesmo período, foram registrados 16 acessos de entrada no nome de THAIS.

Outro fato que chamou a atenção da PF é que o imóvel no referido condomínio está em nome do sogro do ex-secretário, Geraldo de Carvalho, contudo, não foram localizados registros de acesso dele ao condomínio.

Conforme a PF, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que somadas podem chegar a 18 anos de reclusão, além da perda de bens e valores suficientes para a reparação do dano decorrente da infração penal.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos investigados.

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