Saúde

'Se tivéssemos 1.700 casos os reflexos seriam outros', diz secretário ao descartar subnotificação

O secretário da Saúde não acredita nessa hipótese para justificar o baixo índice.

Por Nielcem Fernandes 1.024
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22/04/2020 09h20 - Atualizado há 1 ano
Secretário da Saúde do Tocantins, Dr. Edgar Tollini

O Tocantins é o Estado com o menor número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, bem como de óbitos. Até esta terça-feira (21) foram contabilizados 36 casos confirmados e duas mortes.

Do total de pacientes, 15 já estão recuperados e dispensados do isolamento e 19 seguem em isolamento domiciliar, incluindo a paciente que estava internada em hospital da rede pública.

Esse baixo índice de contaminação levantou suspeita de que poderia existir uma subnotificação de casos no Tocantins. Contudo, o secretário de Estado da Saúde, Edgar Tollini, não acredita nessa hipótese.

Índice de contaminação

Em entrevista exclusiva ao AF Notícias, Tollini falou sobre as estratégias de enfrentamento a pandemia e disse que a estatística positiva do Tocantins em relação aos outros estados é o reflexo do trabalho estratégico com o objetivo de antecipar-se aos efeitos causados pela proliferação do vírus.

"Nós somos o Estado com menos casos registrados, mas não é só isso. Mesmo com a confirmação da segunda morte no Estado, temos um índice de aproximadamente 1,9 pacientes contaminados para cada 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional. Se estivéssemos dentro dessa curva nacional, o Tocantins teria hoje cerca de 180 casos da doença", explicou o gestor.

Recuperados

O percentual dos pacientes que já se recuperaram da doença e foram liberados do isolamento também vem crescendo. Esse número supera 40%.

“Consideramos recuperados aqueles pacientes que testaram positivo, foram colocados em isolamento durante 15 dias e não apresentaram sintomas graves da doença nem precisaram de outros cuidados médicos”, disse o secretário.

Subnotificação

Em alguns estados, especialistas estimam um percentual de 80% de casos subnotificados da doença. Já no Tocantins, o secretário disse que não há motivos para alarde.

“O que pode existir são casos de pessoas que podem estar infectadas e não apresentaram nenhum sintoma da doença, portanto, não procuraram atendimento em nenhuma unidade de saúde para realizar o teste. Nós não acreditamos em subnotificação, trabalhamos com a possibilidade de pacientes assintomáticos”, argumentou.

No Tocantins, estima-se que o número de pessoas infectadas pode chegar a 1.700. Contudo, segundo o secretário, essa estimativa não condiz com a realidade. Para ele, caso houvesse esse número de pacientes infectados, os reflexos na saúde seriam outros.

“Se tivéssemos essa quantidade de pacientes infectados teríamos mais óbitos e mais leitos de UTI ocupados devido às complicações causadas pelo vírus. Temos 40 leitos de UTI prontos para receber pacientes, mas com apenas uma internação. É difícil ter possíveis pacientes contaminados que não transmitam o vírus. O maior exemplo no Tocantins é a paciente 01. Ela voltou de viagem e contaminou ao menos três outras pessoas. Talvez tenha infectado outras pessoas que não apresentaram os sintomas”, argumentou o secretário.

Testes

Tolline disse ainda que a capacidade de testagem diária do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) está sendo ampliada. A capacidade diária atual é de 150 exames e já foram realizados erca de dois mil testes.

“Estamos ampliando a capacidade de testagem para creca de 300 exames por dia. Temos mais de quatro mil kits de testagens em estoque e estamos preparados para atender a demanda”, disse.

Curva

Estimativas apontavam um pico da pandemia causada pelo novo coronavírus no Brasil para meados de abril. Em parte, essa estimativa vem se consolidando com o aumento de casos em todo país.

Segundo os dados do Ministério da Saúde, até esta terça-feira (21), foram confirmados 43.079 casos no Brasil, com 2.741 óbitos, o que representa uma taxa de letalidade de 6,4%.

Mesmo com a segunda morte registrada no Tocantins, a taxa de letalidade está abaixo da média nacional, em 5,5%. Mais de 40% dos pacientes diagnosticados com a covid-19 no Estado já se recuperaram. Outros 54% seguem em isolamento e o percentual de pacientes internados representa pouco mais de 2% do total de infectados. Esses números mantêm o Estado com os menores índices de contaminação e de mortes confirmadas pela Covid-19.

Questionado a respeito desta ‘curva’, o secretário disse que há muitas suposições e que Saúde do Tocantins trabalha com números.

“Existem muitas suposições. Trabalhamos com números. Se houvesse a possiblidade de 1.700 pacientes infectados no Tocantins teríamos que ter ao menos 170 pacientes em observação com a suspeita de contaminação. Desses prováveis pacientes ao menos 5% teriam necessidade de cuidados especiais, como internação e suporte específico para deficiência respiratória. O Tocantins representa apenas 0,7% dos casos registrados no país, se fossemos acompanhar essa curva, teríamos que ter em torno de 280 casos confirmados e ao menos 3% desses pacientes deveria evoluir a óbito. Temos que tomar muito cuidado com os números e ficar atentos à nossa realidade, pois a baixa densidade democrática em algumas regiões do Estado, aliadas às políticas de enfrentamento adotadas pelo governo, contribuem para o número reduzido de casos no Tocantins”, concluiu.

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