Sudeste do Tocantins

Seca de 2015 no sudeste do Tocantins foi pior que em 2014 para 59,09% dos prefeitos

Por Redação AF
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17/12/2015 14h42 - Atualizado há 5 anos
Um estudo realizado pelo Ipepe, encomendado pela Associação Tocantinense de Municípios (ATM), entre os dias 10 de novembro a 05 de dezembro, com 22 prefeitos da região Sudeste do Tocantins, revelou o avanço da seca na região, cujas conseqüências sociais e ambientais são perceptíveis e já preocupam as autoridades municipais. De acordo com os dados, 83,36% dos gestores garantem que seus municípios foram afetados diretamente este ano, contra 9,09% que afirmaram que sofreram mais ou menos e 4,55% que disseram que os municípios administrados por eles não tiveram problemas decorrentes da falta de chuvas. O Ipepe comparou, junto aos líderes municipais, a falta de chuvas neste ano de 2015 com o período de 2014. A conclusão foi que segundo 59,09% dos entrevistados, a seca de 2015 foi superior a de 2014. No entanto, 31,82% declararam que a seca foi igual nos dois períodos, e 4,55% dos entrevistados disseram que a seca do ano de 2014 foi superior a de 2015 em seus municípios. A pesquisa buscou saber se os municípios foram beneficiados pelo programa “Água para todos”, do governo federal, nas gestões dos ex-governadores Siqueira Campos e Sandoval Cardoso. Apurou-se que todos os municípios foram cadastrados no programa e destes apenas 4,55% não receberam as ações do programa. De acordo com o levantamento, das 9.494 cisternas prometidas na época, apenas 3.184 foram entregues. E das 94 barragens garantidas, somente 1 foi construída. O prefeito Edson Lustosa, da cidade de Paranã, onde o problema é mais devastador, disse que está assustado e apreensivo com o caos que se abate sobre o seu território. “Estou apreensivo, assustado e sem poder dar resposta que o povo aguarda. É estarrecedor”, disse. Instalação de cisternas Já no atual governo Marcelo Miranda, de acordo com os dados, 45,45% dos prefeitos disseram que as cisternas estão sendo instaladas. Para 40,91% dos prefeitos o governo está prometendo instalar, enquanto 4,55% declaram que o governo não está fazendo nada para instalá-las. Por sua vez, 9% dos entrevistados não opinaram sobre esse quesito. Ainda segundo o estudo, 72,73% responderam que mesmo que sejam instaladas as cisternas prometidas através do programa, não vai atender toda a demanda. Por sua vez, 27, 27% garantem que a quantidade prometida será suficiente para minimizar o drama da estiagem. Comprometimento dos deputados Outro ponto relevante da pesquisa foi a aferição do comprometimento dos parlamentares na questão da seca na região Sudeste do Estado. Segundo os dados, 54,55% dos prefeitos asseguraram não ter visto esforços dos deputados estaduais em ajudar resolver o problema. Porém, 9% desses gestores afirmaram que sim, que tem percebido esforços dos deputados na resolução do problema. Por conseguinte, 13.64% asseguram que o representante do município na Assembleia Legislativa tem procurado ajudar, enquanto que 4,55% dizem que alguns têm ajudado. Por conseguinte, 50% dos prefeitos declaram não ter recebido apoio dos deputados federais em relação ao problema, enquanto para 31,82% dos pesquisados os deputados federais que os representam têm ajudado. Comprometimento dos senadores Em relação aos senadores, 40,91% dos prefeitos afirmam não ter recebido ajuda deles, contra 4.55% que declaram ter recebido ajuda. E mais, 4.55% dizem ter recebido ajuda de apenas um senador, ao passo que 18.18% terem afirmado que alguns senadores têm ajudado os municípios enfrentarem o problema da falta de chuvas na região Sudeste do Tocantins. Construção de barragens Em relação às barragens, 45,45% dos chefes municipais asseveram que o governo Marcelo Miranda está prometendo construir as barragens. Já 4,09% informaram que o governo atual está construindo as barragens do programa, contra 31,82% que relataram que o governo Marcelo não sinalizou ainda quando vai iniciar a construção delas. Relato dos prefeitos Os prefeitos de Taipas, Joaquim Carlos e Djalma Rios, de Chapada da Natividade, são unânimes em afirmar que uma solução minimizadora para o problema seria a construção em quantidades razoáveis de poços artesianos e barragens nas zonas rurais dos municípios. O gestor de Chapada afirma que este ano o drama da falta d’água foi a pior que se tem notícia, pois tanto afetou a cidade como as áreas rurais. Para Joaquim Carlos, o problema agrava a cada estação, pois antes a seca durava quatro meses, e agora chega a completar nove meses sem chuva. “Já estamos em dezembro e podemos dizer que não houve chuva. E o que é pior: o governo recolheu os carros-pipa que estavam prestando socorro às pessoas no sertão do município. Não sabemos agora a quem recorrer”, protesta. Carros-pipa Já em ralação aos carros-pipa, 31,82% dos chefes dos executivos asseveram que os veículos enviados atenderam o problema da falta de abastecimento d’água. No entanto, 13,64% disseram que não resolveram o problema da falta de água; 18,18% em parte; 31,82% mais ou menos e 4,55% não omitiram opinião. De acordo ainda com a pesquisa, 100% dos prefeitos ouvidos disseram que foram contemplados este ano com o envio de carros-pipa por parte do governo estadual. E mais, para 28,57% dos pesquisados, a quantidade de carros-pipa enviados atendeu o problema, ao passo que 33,33% disseram que não atendeu o problema. Água para todos A pesquisa também avaliou junto aos gestores o programa do governo federal “Água para todos”. De acordo com 59,09% dos prefeitos pesquisados, o programa é de alcance positivo, mas para 36,36% o programa não é nem positivo e nem negativo. Maiores prejuízos Quando perguntados, em que área a seca provocou mais prejuízos, 77, 27% disseram que tanto na pecuária como na agricultura. Porém, 13,64% declararam que o maior prejuízo foi na pecuária, e 4,55% na agricultura. Os municípios de Taipas e Paranã declararam valores de R$ 500.000,00 e R$ 400.000,00, respectivamente, como conseqüência dos prejuízos causados pela seca em 2015. O estudo constatou que há migração da zona rural para a cidade em conseqüência da seca. Nesse aspecto, 63,64% dos gestores pesquisados dizem que está ocorrendo migração, todavia, 27,27% relataram que não há migração por esses fatores. Para o meteorologista e professor da Unitins, José Luiz Cabral, a presença do El Nino, o maior fenômeno climático dos últimos 20 anos, tem contribuído para a escassez das chuvas e aumento de temperatura na região. Segundo Cabral, o Sudeste do Estado é o menor dos acumulados de chuva anuais, algo em torno dos 1.200 mm/ano. “A tendência é que a falta de chuvas prevaleça na região. Um exemplo foi a falta de chuvas nos anos 2014/2015. Infelizmente, a tendência para o próximo trimestre é de pouca ocorrência de chuvas”, alerta. Avaliação do governo Marcelo Miranda Avaliando o desempenho do governo Marcelo Miranda, 18% dos prefeitos o definem como bom, ao passo que para 68,18% o governo Marcelo está regular. Em contrapartida, 13,64% o declaram como ruim. O estudo foi coordenado pelo diretor do Ipepe, jornalista Goianyr Barbosa, e ouviu 22 gestores dos seguintes municípios: Almas, Arraias, Aurora, Brejinho de Nazaré, Chapada da Natividade, Conceição do Tocantins, Dianópolis, Ipueiras, Jaú, Lavandeira, Monte do Carmo, Natividade, Paranã, Pindorama, Ponte Alta do Bom Jesus, Porto Alegre, Rio da Conceição, Santa Rosa, São Salvador, São Valério, Taguatinga e Taipas.    

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