Perfil

Mulheres na prisão: do amor ao tráfico de drogas, realidade de quase 70% das presas no Tocantins

Para especialistas, a maior parte das detentas entra no mundo do crime por influência de seus parceiros

Por Nielcem Fernandes 902
Comentários (0)

24/12/2019 09h01 - Atualizado há 1 mês
O Censo ouviu 170 detentas recolhidas nas seis unidades prisionais do Estado

O perfil criminal traçado pelo 1º Censo Carcerário Feminino do Tocantins aponta que 67% das mulheres estão presas pelo crime de tráfico de drogas, 14% por homicídio, 7% por associação ao tráfico, 7% por roubo e 5% furto. O Estado possui seis unidades prisionais femininas.

"A maior parte são incidentes nos crimes por tráfico de drogas e geralmente tem alguma ligação com parceiros e homens ligados ao mundo do crime. Existe uma alienação também emocional”, disse Cristiane Oliveira, diretora da Unidade Prisional Feminina (UPF) de Palmas, uma das maiores unidades do Estado.

Na UPF de Palmas, as histórias das detentas remetem a um histórico de vulnerabilidade social e de envolvimento com o tráfico, que muitas vezes, foi iniciado a partir de um relacionamento amoroso.

"A mulher, naturalmente, não tem instinto para o crime. A inserção na seara criminal, por vezes, se dá através de uma relação amorosa, de onde a mulher é convencida por seu parceiro a colaborar com a prática de tráfico”, afirma a coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa do Preso (Nadep) da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO), a defensora pública Napociani Póvoa.

Condenadas

Das 170 mulheres que participaram da pesquisa, 100 são presas condenadas e 70 estavam cumprindo prisão provisória. A pesquisa apontou que 34% das entrevistas condenadas estão cumprindo pena de 7 a 11 anos de prisão. Entre as recenseadas, 32% afirmaram que o companheiro também está preso. Outras 25% declararam ter ao menos um filho dentro do sistema prisional.

Jovens

A maioria das presidiárias tem entre 22 e 30 anos (38%), são pardas (66%) e apenas 16% declararam possuir o ensino médio completo.

Mães Solteiras

Ainda de acordo com o Censo, 74% das entrevistadas são mães solteiras (56%), que tem três ou quatro filhos (47%). 51% das detentas afirmaram que enquanto cumprem pena, seus filhos estão sob os cuidados dos avós.

Apesar de ter direito a receber visitas, inclusive íntimas, apenas 4% disseram que são visitadas por seus companheiros. Quase metade não recebe visitas (45%).

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2020 AF Notícias. Todos os direitos reservados.