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Arnaldo Filho

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Opinião

Troca no comando da Saúde é marcada por fiasco e confissão de incapacidade em Palmas

A capital já recebeu mais de R$ 40 milhões, mas tem pouquíssimas ações efetivas.

Por Arnaldo Filho 1.912
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07/08/2020 11h09 - Atualizado há 1 mês
Na UPA Sul, pacientes de Covid-19 estão recebendo apenas dipirona e oxigênio

Em meio ao caos na saúde pública municipal de Palmas, decorrente da pandemia de coronavírus, eis que o secretário municipal de Saúde, Daniel Borini Zemuner, entregou o cargo. Naturalmente, o motivo não foi pessoal ou familiar como oficialmente alegado – mesmo porque ele é servidor de carreira – mas sim a celeuma e a crise instalada, em consequência da má aplicação dos recursos públicos por parte da gestão municipal.

Um áudio que viralizou nas redes sociais, gravado por um médico que atende na UPA Sul, é aterrorizante. Não se trata de fake news, uma vez que o próprio profissional confirmou a veracidade do áudio, como também, sua autoria. Ele relata que não há medicamentos em estoque e que os pacientes tem sido tratados com dipirona ou despachados para casa e, os mais graves, para o HGP. Ele questiona onde foram investidos os recursos direcionados ao município para o enfretamento da Covid-19.

Nova Secretária sequer possui relatórios e dados das UPAs       

A nova secretária municipal de saúde, a assistente social Valéria Paranaguá, divulgou nota pública em nesta quinta-feira (06) se contrapondo – mesmo que indiretamente – ao relato do médico.

Segundo o referido documento, a Prefeitura ampliou a testagem, contudo, houve uma alta excessiva no preço dos medicamentos, o quê inviabilizou os processos licitatórios de aquisição de novos testes e remédios. Ou seja, uma confissão indireta de que os medicamentos estão em falta.

A nota também relata que foram encaminhados expedientes a todas as áreas da saúde, solicitando relatórios circunstanciados – inclusive às UPAs – sobre o abastecimento de fármacos, prioridade nos atendimentos, fluxo de pacientes e a capacidade das unidades.

Infelizmente, chega a ser vexatório. Ora, se a própria Secretaria da Saúde não possui esses dados, percebe-se o descontrole total da gestão. Mesmo considerando que a nova gestora assumiu há dois dias, dá para acreditar que a secretaria não sabe a capacidade de atendimento das unidades? Não sabe quantos pacientes foram atendidos ou encaminhados? Não sabe qual a quantidade de remédios que enviou a cada uma das UPAs? Se não sabe nada disso e precisa de relatório, é um claro sinal que a condução do enfrentamento à Covid-19 em Palmas vai de mal a pior. 

Portais da Transparência indicam que recursos não foram aplicados

Consultando os Portais da Transparência – do governo federal e do municipal – verifica-se que, sob essa rubrica, foram repassados mais de R$ 40 milhões à Prefeitura de Palmas. Já no Portal municipal os relatórios indicam que já foram empenhados mais de R$ 18,7 milhões nos gastos com a Covid-19 e, destes, R$ 12,8 milhões foram liquidados.

Cabe lembrar que a Câmara Municipal de Palmas aprovou uma Medida Provisória que solicitava o remanejamento de recursos – na ordem de R$ 26 milhões – para o combate à pandemia, utilizando até mesmo, as emendas parlamentares dos vereadores. Entretanto, tudo deixa transparecer que há uma ineficiência na aplicação desses recursos, na medida em que, nem o atendimento inicial e prioritário está sendo realizado pelo município.

Em Araguaína, que recebeu bem menos recursos que a Capital, já existe um Hospital Municipal de Campanha funcionando há meses, com 10 leitos de UTI e outras dezenas de leitos clínicos. Além disso, um novo Hospital de Campanha estará pronto em aproximadamente 45 dias, com 60 leitos.

À propósito, na edição do Diário Oficial do município de 06/08/2020, foi publicado o Decreto nº. 1930, que prorroga o fechamento dos estabelecimentos comerciais não essenciais às 20h, até o dia 31/08/2020. Pelo que se entende, na concepção da gestão da cidade de Palmas, combater o coronovírus é isso: fechar comércios, causar demissões, diminuir as rendas, trancar a população em casa e deixar – sabe-se lá por qual motivo – o dinheiro nos cofres.

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