Nota de repúdio

Associação de mulheres de carreira jurídica repudia 'ação intimidatória' nos bombeiros

Pesquisa constatou que 50% das policiais femininas já sofreram algum tipo de assédio.

Por Redação
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02/01/2019 11h31 - Atualizado há 2 meses
Advogada e Presidente da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica do Tocantins

A polêmica envolvendo denúncias de assédio moral e sexual no Corpo de Bombeiros do Tocantins ganhou mais um capítulo. 

Em nota, a Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica do Tocantins (ABMCJ-TO) disse que repudia a atitude do Comando Geral da corporação de supostamente tentar impedir a apuração das denúncias através de "ações intimidatórias". A nota é assinada por Elaine Noleto Barbosa, advogada e presidente da associação.

A nota se refere ao fato de que o coronel Reginaldo Leandro da Silva abriu sindicância na Corregedoria da Polícia Civil contra a presidente da Associação de Mulheres Policiais Civis do Tocantins (AMP/TO), Giovanna Cavalcante Nazareno, depois que ela divulgou na imprensa as denúncias de assédio sexual e moral das vítimas, sendo que uma delas acusa o próprio Comandante dos Bombeiros.

Conforme Giovanna, os casos de assédio sexual e moral foram notificados à entidade após realização de pesquisa, elaborada por profissionais do meio acadêmico-científico que constatou que 50% das policiais femininas do Corpo de Bombeiros entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio sexual. 

"Sendo o Corpo de Bombeiros uma instituição tão respeitada na sociedade, pelos relevantes serviços prestados e honradez da esmagadora maioria dos seus membros, qualquer atitude de intimidação, advinda do Comando Geral da corporação que tenta impedir o curso das investigações de assédio sexual e moral contra as mulheres que compõem seus quadros, causa profunda indignação na sociedade e à nossa entidade de mulheres que tem como uma das missões combater qualquer tipo de violência contra a mulher", diz a nota.

A Associação disse que "confia e acredita que as autoridades, tanto na esfera administrativa, quanto na esfera judicial, investigarão com rigor os casos de assédio sexual e moral praticados contra as policiais do Corpo de Bombeiros, garantindo-se o contraditório e ampla defesa dos eventuais agressores, pois eis que ninguém, seja de que patente for, está acima da lei".          

Conforme a Associação, o Tocantins amarga um dos maiores índices de violência sexual do Brasil e toda a sociedade deve se envolver no combate à esses crimes que deixam marcas indeléveis no corpo e na alma das vítimas desses delitos atrozes.   

"É chegada a hora de jogar luz nos porões das instituições públicas, privadas, religiosas ou sem crença, trazendo à tona a prática de crimes sexuais e amparando as vítimas de todas as formas possíveis, para amenizar as chagas deixadas na alma por tamanha crueldade", afirma a Associação de Mulheres.

"Por isso dizemos #metoo, em referência aos recentes casos de assédio descobertos em Hollywood, demonstrando nossa solidariedade às vítimas dos casos de assédio sexual e moral do Corpo de Bombeiros do Estado do Tocantins", finaliza a nota.

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