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Grávida de nove meses perde bebê por falta de médicos em hospital no Tocantins

Ela sentiu as contrações na sexta, 04, e só foi atendida no outro dia após ser transferida.

Por Raimunda Costa 1.658
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07/01/2019 15h09 - Atualizado há 7 meses
Hospital Regional de Paraíso

Viviane Pimentel da Silva, 33 anos, perdeu o bebê por falta de atendimento médico. Ela mora em Monte Santo do Tocantins e estava grávida de nove meses.

Natanael Nascimento Dias, marido de Viviane, disse que sua esposa começou a sentir as contrações do parto na sexta-feira (4) e foi encaminhada ao Hospital Regional de Paraíso, mas não havia médico na unidade de saúde.

Porém, somente no dia seguinte, sábado (5), é que Viviane foi transferida para a Maternidade Dona Regina, em Palmas

Natanael contou que o bebê apresentava batimentos cardíacos 'baixinhos' quando Viviane foi atendida. Ela foi submetida a uma cesárea, mas a equipe médica informou posteriormente que a criança não resistiu.

O que diz a Secretaria da Saúde?

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que a equipe de enfermagem fez triagem na paciente e verificou que ela sentia dores, endurecimento abdominal e ausência de movimentações do feto.

"A paciente foi informada que havia falta do médico ginecologista obstetra na Unidade, mas ela seria atendida por um clínico geral, momento em que a paciente evadiu-se do hospital, não aguardando o atendimento do clínico", diz a nota.

A secretaria disse que Viviane buscou, no dia seguinte, atendimento direto no Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas, sendo avaliada por um médico obstetra e realizado parto cesárea, "onde constatou que a criança já havia falecido há alguns dias".

"A Secretaria da Saúde lamenta a perda da criança e informa que está a disposição das autoridades para prestar maiores esclarecimentos do caso", finaliza a nota.  

Porto Nacional

Na quarta-feira (02), enfermeiros do Hospital Regional de Porto Nacional registraram um Boletim de Ocorrência denunciando a falta de médicos na unidade de saúde.

Conforme a Polícia Civil, os enfermeiros informaram que havia apenas um médico de plantão no hospital e atendia somente pacientes em situações graves.

Simed

Ainda na quarta-feira, o Sindicato dos Médicos no Tocantins (Simed) repudiou a extinção de 629 contratos temporários de médicos que atuavam nos hospitais públicos do Estado. No total, o Governo dispensou 15.766 servidores.

Em nota, a presidente da entidade, Janice Painkow, classificou a medida como "extinção desordenada" e disse que isso demonstra "irresponsabilidade" do atual governo.

Defensoria Pública

Na sexta-feira (04), o Núcleo Especializado em Defesa da Saúde (Nusa), da Defensoria Pública do Tocantins (DPE-TO) solicitou a anulação do ato que determinou as exonerações, tendo em vista que problemas para o atendimento já estavam sendo identificados no maior hospital público do Tocantins, o Geral de Palmas (HGP).

De acordo com a DPE, o Nusa havia recebido a informação de que apenas um médico estava atendendo no setor de ortopedia do HGP após as exonerações.

A situação não atendia as necessidades do setor, implicando na suspensão de diversas cirurgias, segundo a DPE. 

Recontratação

Na sexta-feira (4), o Governo do Tocantins voltou atrás e recontratou 387 médicos com o objetivo de suprir carência de vagas que surgiu após as exonerações.

Além dos médicos, o Governo também retomou os contratos temporários com outros 2.477 servidores da área da saúde, como enfermeiros e auxiliares de serviços gerais.

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