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Artigo - Seja produtivo no trabalho, mas é proibido adoecer, por Edilson Barros

Por Redação AF
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23/08/2018 14h13 - Atualizado há 2 anos
Edilson Barros //Psicólogo Despido da sua subjetividade e inserido em um contexto social que exige de forma reiterada um corpo sadio e perfeito, o trabalhador sente-se proibido de expressar seu adoecimento e adere a um conjunto de estratégias psicológicas, onde toda energia psíquica despendida será em prol da civilização e negação da sua doença e o seu respectivo consequente sofrimento. A negação do sofrimento e da doença não é algo exclusivo do mundo do trabalho. Na verdade, estamos diante de uma sociedade que “fomenta” o adoecimento, especialmente o de cunho psicossocial e emocional, mas cria toda uma conjuntura para mantê-lo em silêncio e no instituto da individualidade. Neste contexto, resta ao sujeito fragilizado à complexa e triste missão de assumir seus ônus, processo que, não raramente, o leva a elaboração da culpa não somente pelo seu vigente estado de saúde, mas também pelas as razões da sua gênese. Christopher Dejours, um dos mais importantes estudiosos das psicopatologias do trabalho criou o termo “ideologia da vergonha” para explicar o processo ideológico construído de forma coletiva e defensiva contra a possibilidade da doença ou de estar em um corpo incapacitado, situação comum no mundo do trabalho que, em decorrências das suas exigências exacerbadas por resultados e dedicação ao labor, imputa ao trabalhador uma realidade incoerente com suas capacidades psíquicas, proibindo-lhe, ainda que de forma indireta, de expressar suas fragilidades e demonstrar seu corpo adoecido. Destarte, a cultura que estimula o silêncio do adoecimento psíquico e emocional faz com que as pessoas recorram tardiamente à ajuda profissional, processo que contribui para a gravidade da doença e, obviamente, alarga o período de recuperação e o alcance do bem estar pelo trabalhador. Portanto, faz-se necessário que os espaços de trabalhos adotem politicas publicas que promovam a liberdade para expressão da doença e estejam atentos ao sujeito que, talvez, por uma compulsão por trabalho, e ainda que diante de contextos socioprofissionais que respeitem as fragilidades inerentes ao ser humano trabalhador, prefira silenciar sua doença e o seu sofrimento em prol do continuísmo da sua dedicação ao trabalho. ____________________ Por – Edilson Barros de Macedo, Psicólogo Organizacional e do Trabalho (UFT) e Professor – Curso de Psicologia (FACDO)

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