Legado histórico

Conheça a história de Manoel Barroso, pioneiro que dá nome ao Restaurante Popular de Araguaína

Ele foi farmacêutico, dentista, parteiro, vereador e dono da 1ª farmácia e do primeiro hotel.

Por Redação 1.646
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08/04/2024 08h35 - Atualizado há 2 meses
Familiares de Manoel Barroso durante a solenidade de reinauguração do restaurante popular

Notícias do Tocantins – O Restaurante Popular de Araguaína reabriu as portas no último dia 3 de abril e resgatou a história de um pioneiro da cidade, Manoel Leal Barroso, cujo nome encontra-se estampado no prédio público. A família do morador pioneiro foi representada na solenidade pelo neto Carlos Armando Barroso Valadares, que estava acompanhado da esposa e filhos.

Nascido em Barreirinhas (MA), Manoel Leal Barroso (in memoriam) é filho de Florêncio Leal Barroso e Rosa Leal, foi farmacêutico, dentista, parteiro, vereador, proprietário da 1ª farmácia conhecida como "Farmácia do Povo" e do 1º hotel conhecido como “Hotel Barroso", que hospedou relevantes personalidades de todo o país, destacando o ex-governador Siqueira Campos e padres do cenário eclesial da época.

Casou-se na cidade de Filadélfia (TO) com Maria do Espírito Santo Valadares Barroso (in memoriam), filha de Abrahão Valadares (ex-juiz de Paz da Comarca de Filadélfia e região) e Antônia Grossal, que foi foi proprietária e administradora do Hotel Barroso.

Desta união, conceberam 09 filhos, a saber: Francisca Valadares Barroso; Carlos Alberto Valadares Barroso (conhecido como Carlito Valadares); Manoel Valadares Barroso; Rosiastro Valadares Barroso; Odimar Valadares Barroso; Sônia Valadares Barroso; Rosemeire Valadares Barroso; Suely Valadares Barroso e Vilmar Valadares Barroso.

Manoel Leal Barroso andou durante 03 dias de viagem a cavalo juntamente com seu 2º filho, Carlito Valadares, com apenas 5 anos de idade na época, para visitar o povoado Lontra, hoje Araguaína, no dia 10 de dezembro de 1948, quando decidiu se mudar para a localidade.

Ele contava que a vida no Povoado Lontra era bastante difícil e havia apenas 3 casas cobertas com telha, sendo estas de propriedade da família de Salomão Cardoso. Além do isolamento, tinham muitas epidemias que aterrorizavam a população local. A malária, impaludismo e pênfico foram as mais perigosas, e ceifaram muitas vidas.

No início da década de 50, Manoel Leal Barroso recebeu em sua residência a visita do bispo Dom Alano (Diocese de Porto Nacional - GO) e do padre orionita Quinto Tonini, recém-chegado da Itália (administrador da Diocese de Tocantinópolis/GO) para iniciar a evangelização no vilarejo do Povoado de Araguaína - GO.

Em dezembro de 1952, foi realizada uma cerimônia religiosa especial para o lançamento da pedra fundamental da primeira Igreja Católica Apostólica Romana no município.

Na época, Manoel Barroso e Manoel Lira ficaram encarregados de cavar um buraco à margem direita da Igreja a ser erigida. Barroso foi o responsável pela construção da igreja onde o Pe. Quinto Tonini investiu CR$ 3.000,00 para iniciar a obra.

Manoel Leal Barroso ficou com a planta e construiu todo o alicerce com 1 metro de altura e contratou os operários para a execução da obra. Com a chegada do Pe. Pacífico Mecozzi iniciou-se a construção de uma nova igreja de tijolo e com um altar, além de um palco ao lado para apresentações de operetas inspiradas na Bíblia Sagrada. Sua esposa Maria do Espírito Santo Valadares Barroso era muito religiosa e começou a realizar um excelente trabalho de catequização numa pequena capela que se perpetuou nas gerações vindouras.

A primeira capela existente era feita no centro da Praça 7 de Setembro (antiga Praça das Nações e atualmente denominada Praça São Luiz Orione) e era coberta de telha com o fundo de alvenaria, ao redor com um peitoril que percorria as laterais da capela com palha de coco babaçu e um piso de terra de chão batido. Na parte interior da capela tinha um altar com uma cruz de madeira ao fundo.

No começo da noite os fiéis levavam dois lampiões da marca “Petromax” acompanhados de uma pequena imagem do Sagrado Coração de Jesus, juntos com um grupo de cristãos que se reunia para rezar o terço.

Dona Maria do Espírito Santo Valadares Barroso criou um Coral de crianças para se apresentar na igreja. Entre os componentes cabe destacar os seguintes nomes: Enerina Cardoso, Odilha Corado, Aldenora Tavares, Ritinha, Luzia Machado e outras.

O casal Manoel Leal Barroso e Maria do Espírito Santo Valadares Barroso viveu 65 anos juntos, tornando-se referência em encontros de casais, deixando um legado de virtudes e valores essenciais para todos que tiveram o privilégio do aconselhamento matrimonial, alicerçado em Deus e em princípios como o perdão, respeito mútuo e a renúncia, constituindo uma grande família unida que hoje totaliza 125 membros vivos, entre filhos, netos, bisnetos e tataranetos.

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