65 anos

De Lontra a Araguaína: as memórias de um professor que viu a cidade crescendo aos poucos

"Sou do tempo que nós meninos saíamos correndo atrás de avião", relata.

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13/11/2023 18h23 - Atualizado há 7 meses
Foto da Praça São Luiz Orione, no centro de Araguaína

Prof. Djailton da Silva Cunha

Nasci nos anos sessenta e trago a história de Araguaína na mente. De Lontra a Araguaína, muitas águas passaram debaixo da ponte.

Sou do tempo que a Rua Conego João Lima era quase toda mata, de um lado e do outro também, isso sem tirar o areão, conheci a Alda lá no Entroncamento, o Senhor Rodolfo Pozzebom e sua esposa Jurema do posto Paulista. Conheci o seu Macaxeira, moreno alto, pernas muito tortas, com sua bicicleta vendendo frutas, pois o Entroncamento era desenvolvido. Conheci os Senhores Anatólio Dias Carneiro, Nego Sales, Galego, Zeca Barros, Cassimiro Taveira, Santólio e João de Sousa Lima.

Sou do tempo que o Armazém Paraíba faz sucesso em qualquer lugar, sou do tempo que nós meninos saíamos correndo atrás do avião, que lançava umas bolas amarelas, e quem as pegava era o dono; e aí de quem se atrevesse a tomar.

Sou do tempo da fonte do banco, de águas cor de buriti, das sarnas e piras, e muitas vezes chegávamos pelados em casa, pois os meninos maiores escondiam ou até mesmo rasgavam nossos calções.

Eu vi o salão nobre receber Waldick Soriano, cantando em plena tarde, eu vi Agnaldo Timóteo cantar no Cine Luz, também vi Raul Seixas cantar de graça a tarde, ali na antiga quadra do Colégio Santa Cruz, pois faltou energia na hora do show, por causa da chuva. Vi Santos Bahia cantar em verso e prosa, vi Genésio Tocantins cantar seu Ceará, vi o Madian Braga cantar o Roque das Bruxas, ainda bem que vi Milton Ferré cantar a Bola Gira, eu vi o Expedito do Pedro Borges com um copo fazer o som de um carro na sua guitarra.

Também vi a Sônia Barroso, Romilda, Mercês, cantando nos grandes festivais, também vi o H. Soares encher o salão nobre com seu show de calouros, eu vi o começo da rádio som Araguaia, vi a TV Anhanguera com sua pujança chegar, quando as TVs eram preto e branco, para colorir colocava-se uma tela, para melhorar a imagem colocava-se uma bucha de bombril na ponta da antena.

Eu vi o Credo – Clube Recreativo Educacional Dom Orione formar uma geração, de homens e mulheres, também vi que éramos felizes com nossos apelidos, sem ter medo de ser feliz, eu vi o grande time do Colégio Santa Cruz. Eu vi o Milton, mesmo barrigudo, saltar para defender um gol, vi o Robson Renato, Edi, Edil, Pelezão, Ademar Xexéu e sua força muscular, eu vi o Estádio Dom Orione cheio, tivemos grandes agremiações, Vila Nova de Goiás, Sampaio Correa, Goiás e outros, eu vi a Seleção D. Orione apresentar craques, como Amauri, Devaldino, Mário Adevaldo, Pinguim, Josué, Orlando, Pedro e Orlando Bicudo, Ricardo, Oscar, Manelin, Josafá, Zelmar, Stênio e tantos outros.

Eu vi um sonoplasta do programa do compadre Pimenta se transformar no mais importante locutor de Araguaína e região. Vi o nascimento do Colégio Estadual de Araguaína! Quem estudou lembra de nossa eterna diretora Iraide, Daniel Macarrão 18, das Professoras Emery, Ederis, Rosa Maria, Maria Irlan, Wadia, Maria José Dourado e outras. E, tempos depois, o Dr. Túlio Neves da Costa com seu espirito empreendedor juntamente com o Professor João Leite criaram o Colégio Integrado de Araguaína, quem não lembra do professor Nivaldo, Adson Barbosa, Júlio, Jauro Stuart, Dr. Máximo e Dra. Rosa Bethânia, e outros. Dessa forma saíram das fileiras do Integrado grandes profissionais das diversas áreas para o Brasil.

Eu vi a Facila – Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Araguaína nascer, sou da primeira turma, lembro-me muito bem dos primeiros professores universitários de Araguaína, José Francisco Concesso, Euzamar Concesso, Fátima Medeiros, Caetano, Wadia, Givaldo, Cléia Damascemo, Ana Joaquina Dias Carneiro, Iraci Ferreira, Rosa Maria, Pedro Capurro, e outros. Depois veio a UNITINS, UFT e, hoje, a UFNT.

Eu vi o ITPAC chegar .... .depois a FACIT e outras faculdades... que formam grandes homens e grandes mulheres. Eu vi Araguaína crescer.

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Prof. Djailton da Silva Cunha: professor efetivo da rede estadual de ensino e bacharel em Direito.

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