Ciência

Homem de 53 anos é curado do HIV após transplante de células-tronco; 5º caso no mundo

Alemão recebeu doação de uma pessoa com uma rara mutação genética.

Por Redação 669
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21/02/2023 11h17 - Atualizado há 1 ano
Transplante de células-tronco é um tratamento arriscado

Um estudo publicado nesta segunda-feira (20/2) na revista Nature Medicine informou que um paciente com HIV conseguiu ser curado após um transplante de células-tronco, e que nenhum traço do vírus da Aids permanece em seu corpo.

O paciente é um homem de 53 anos, de Düsseldorf (Alemanha Ocidental). Além dele, outros quatro pacientes com HIV conseguiram ser curados, o primeiro deles em Berlim, em 2009, e o segundo em Londres, em 2019, o terceiro foi uma mulher em 2022 e o quarto um homem de 66 anos, também em 2022.

Segundo o consórcio internacional IciStem, esse quinto paciente havia recebido um transplante de células-tronco como parte do tratamento para leucemia. Após esta operação, ele conseguiu interromper o tratamento que fazia contra o HIV.

Nas análises que fizeram, não encontraram vestígios de partículas virais, reservas virais ou resposta imune contra o vírus.

Os cinco pacientes que conseguiram a cura definitiva da Aids têm o mesmo ponto em comum: todos sofriam de câncer no sangue e por isso foram tratados com um transplante de células-tronco, que renovou profundamente seu sistema imunológico.

Nos cinco casos, o doador tinha uma rara mutação no gene CCR5, uma alteração genética que impede o HIV de entrar nas células.

"Durante um transplante de medula óssea, as células imunes do paciente são totalmente substituídas por células do doador, o que permite eliminar a grande maioria das células infectadas", explica o virologista Asier Sáez-Cirion, um dos autores, em comunicado. 

"Esta é uma situação excepcional quando todos esses fatores coincidem para que este transplante seja um duplo sucesso, tanto para a cura da leucemia quanto para o HIV", acrescenta.

Como menos de 1% da população normalmente se beneficia da mutação protetora do gene do HIV, poucos doadores de células-tronco a possuem.

Embora esses casos dêem aos cientistas a esperança de encontrar uma cura para a Aids, o transplante de células-tronco é um tratamento arriscado e não adaptado à situação da maioria dos pacientes com HIV.

Vale lembrar que o primeiro caso, chamado "paciente de Berlim", permaneceu curado por 12 anos — até morrer de leucemia, em setembro de 2020.  O segundo, chamado de "paciente de Londres", está em remissão do HIV há mais de 35 meses. O último curado, o homem de 66 anos (na época), foi o mais velho a receber um transplante de células-tronco.

(Com informações de R7 e AFP).

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